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O ensino a distância de biologia

14/06/2008

18/06/2008 08h04 Contraste | A A+ A++ - última modificação 18/06/2008 08h42

O corporativismo de uma categoria profissional voltou a se converter em obstáculo para a modernização do sistema de ensino. Desta vez a iniciativa partiu do Conselho Federal de Biologia (CFBio), que baixou resolução proibindo os conselhos regionais de conceder registro profissional aos estudantes que obtiveram o diploma universitário em cursos de graduação a distância. A decisão do órgão colide frontalmente com a política do Ministério da Educação (MEC), que aposta nos chamados “cursos não presenciais” para expandir a oferta de vagas no ensino superior.

Atualmente, estão matriculados regularmente nos cursos a distância de graduação e de pós-graduação lato sensu (voltado para a formação de especialistas) cerca de 820 mil alunos. No começo da década, existiam só 10 cursos desse tipo na graduação, com um total de 8 mil alunos. Hoje, segundo o último Censo da Educação Superior, estão credenciados no MEC 349 cursos a distância, com cerca de 430 mil alunos. Na pós-graduação, são 255 cursos, com mais de 390 mil alunos.

O CFBio justifica sua decisão alegando que o número de aulas práticas oferecidas pelos cursos de biologia a distância é inferior ao das que são oferecidas nos cursos presenciais. “Depois que ele (o aluno) tem o registro, vai se esquecer que fez o curso a distância e querer fazer concurso para biólogo de empresas, como a Petrobrás, ou ainda querer atuar em análises clínicas. Vamos lutar para não permitir isso”, diz Fátima Cristina Inácio de Araújo, presidente do Conselho Regional de Biologia da 2ª Região, que inclui os Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Segundo ela, os cursos a distância na área foram criados com o objetivo de conceder licenciatura a professores, que não precisam do registro de biólogo para lecionar.

Para o MEC, que oferece curso de biologia na Universidade Aberta do Brasil, a resolução do CFBio foi baixada com o propósito corporativista de evitar o aumento da oferta de biólogos no mercado de trabalho, assegurando “reserva de mercado” para os profissionais já formados. “Algumas pessoas têm uma visão estática e nostálgica sobre educação, não aceitam as novas tecnologias educacionais e não percebem que o mundo mudou. Como o CFBio pode não aceitar o registro de alunos formados em cursos aprovados pelo MEC?”, diz o presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância, Fredric Litto. “Em um país de dimensões continentais, como o Brasil, esse é um modo de oferecer educação para quem está nos rincões”, afirma o coordenador do Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância (AbraEAD), Fábio Sanches.

Lançada há cerca de trinta anos pela Universidade de Brasília (UnB), com base em experiências desenvolvidas por universidades inglesas, a educação a distância, que não exige a presença de alunos em sala de aula, é hoje um sucesso no País, principalmente em áreas longínquas e em zonas rurais. O curso funciona por meio da distribuição de apostilas, material didático e livros e da internet, o que permite aos alunos acessar aulas e sugestões bibliográficas. A avaliação costuma ser feita por provas escritas e por provas práticas presenciais.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), os estudantes dessa modalidade de ensino obtiveram pontuação superior à dos alunos dos cursos convencionais em 7 de 13 graduações avaliadas no último Enade. Um desses cursos é justamente o de biologia. As estatísticas mostram que os estudantes dos cursos não presenciais são diferenciados. Por estarem na faixa etária de 30 a 35 anos, serem casados, terem filhos e trabalharem de dia, eles tendem a ser mais aplicados do que os alunos dos cursos presenciais.

Contando com farto financiamento de organismos multilaterais, o ensino a distância é uma ferramenta importante para democratizar o acesso ao ensino superior e elevar o nível médio de escolaridade da população. Evidentemente, os cursos variam de qualidade, cabendo ao MEC a obrigação de fiscalizá-los e de fechar os que não atendem a padrões mínimos de qualidade. Se os cursos a distância de biologia estão regularmente credenciados pelo MEC e foram aprovados pelo Enade, não há como justificar a negação do registro àqueles que neles se formaram.


Fonte: Estadão.com.br

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