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O assombro de muitos jovens

Será que o vestibular é a melhor forma de avaliar se você está pronto para o ensino superior?

12/12/2016 18h45 - última modificação 12/12/2016 18h42

Os momentos que antecedem o vestibular são os mais tensos

Débora Amorim
Gabriel Lemos Ferreira
Fonte: Designed by Kues - Freepik.com

Os últimos meses do ano são os mais intensos para muitos dos jovens que acabaram de se formar no ensino médio. É principalmente nesse período que há conflitos a respeito do que fazer ou estudar nos próximos anos, e para completar, os jovens precisam escolher uma universidade que se encaixe em suas necessidades e desejos. E quando tudo parece se encaixar – “escolhi o curso, escolhi a faculdade. Prontinho!” – um assombro em formato de prova aparece: o vestibular.

Ele consiste num exame aplicado por todas as universidades do Brasil aos alunos que desejam ingressar em um curso superior. No caso de alguns cursos específicos, como Medicina, essa prova tende a ser mais difícil e concorrida – cerca de 66 candidatos por vaga. Em algumas universidades, o exame é dividido em dois dias, com questões de múltipla escolha e também dissertativas.

Diante das pressões e cobranças, muitos jovens se dedicam exclusivamente aos estudos em época de vestibular, e chegam a estudar 12 horas por dia. Mas será que essa é a melhor forma de avaliar se um aluno está apto a ingressar num curso superior?

Bruno Rocha, 18 anos, não acha que o vestibular em si seja um problema, mas sim a sua duração: “as provas devem durar mais tempo, ou então, conter menos exercícios”.

A primeira fase do vestibular da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), por exemplo, possui 90 questões que devem ser respondidas em 5 horas. Isso equivale a 3,3 minutos para cada pergunta, que muitas vezes é formada por um enunciado extenso.

Já para Lizandra Silveira, 18 anos, a aplicação de vestibulares é a pior forma de se avaliar a aptidão de um estudante para a faculdade: “Não concordo com o fato de um aluno que acabou de sair do ensino médio ter que saber disciplinas e matérias que não serão necessárias para o curso desejado”.

 Lizandra, que fez cursinho preparatório durante um ano, ainda destaca que em alguns vestibulares, há questões que são difíceis até para profissionais e professores da área. “Na hora de fazer a prova, me senti decepcionada, a prova cobrava de mim coisas que eu nunca aprendi, exigia concentração, e resistência para permanecer tentando. Foi horrível”, explica Lizandra.

Essa dificuldade que os jovens sentem no vestibular seria reflexo de experiências que tiveram em suas escolas? Talvez. Por isso, valeria a pena apostar em outros caminhos.

Na hora do exame, por exemplo, a escolha de matérias específicas direcionadas à formação que o aluno deseja seguir seria interessante para impulsionar os conhecimentos técnicos e fornecer base teórica. Nesse caso, o estudante que deseja cursar Medicina teria a liberdade de optar por algumas disciplinas como anatomia, fisiologia, entre outras que o auxiliariam na hora da prova.

Colocar todos os alunos da classe sob o mesmo “guarda-chuva” de conhecimentos é interessante no início da vida estudantil, mas não é válido no ensino médio, onde os estudantes estão escolhendo a área na qual vão atuar como profissionais.

Portanto, dar a oportunidade para que eles se aprofundem na área escolhida ainda nesse período, pode ser um facilitador para o ingresso em uma boa instituição de ensino superior, além de proporcionar um alívio maior na hora de enfrentar o vestibular, que deixaria de ser tão assombroso.

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