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Crachá no lugar errado

Erros do cotidiano demonstram a falta de noção de coletividade

12/12/2016 18h33

Ana Ligia Santos

 O Brasil conta com 557 shopping centers, 53 deles só na cidade de São Paulo. Todos os dias milhares de pessoas circulam em suas lojas, cinemas, estacionamentos e praças de alimentação de todo o país. Como qualquer lugar de convívio social, esses espaços detêm sua ética e etiqueta de boa convivência, entretanto é curioso observar que entre o pensamento ético e as ações há um enorme jogo de conveniências.  

Partindo do estacionamento, a lei que obriga o pagamento de multa pelo uso indevido das vagas destinadas a deficientes físicos e idosos raramente é fiscalizada com a devida importância. No cinema, banheiros e elevadores sempre há alguém furando filas independente do gênero, idade, região do país, porém o que ultimamente vem invadindo os shoppings e os ouvidos dos seguranças de reclamações são as ''reservas de mesas''. 

Por vezes, com a pressa e a limitada quantidade de mesas e cadeiras, algumas pessoas seguram as mesas antes mesmo de fazer os pedidos nos restaurantes, deixando os espaços cheios de mesas fantasmas e pessoas de pé com seus pedidos esfriando nas mãos. Sempre tem os que guardam lugares nas mesas colocando bolsas, casacos, carteiras ou celulares, cena que de tão comum, parece ser aceitável. Mas o que é recorrente principalmente entre shoppings pertos de centros empresariais é a identificação da mesa pelos crachás de trabalho. 

Rosana Perez, que trabalha em uma multinacional na cidade de São Paulo e frequenta quase todo dia o shopping da região, explicita: ''odeio essa atitude, mas confesso que já fiz isso no desespero, para voltar dentro do horário de almoço permitido, que é curto.''

O hábito de utilizar o crachá da firma para marcar mesa na praça de alimentação, fez surgir um blog denúncia muito bem humorado: ''O Cara do Crachá''. Para participar da ''brincadeira'' basta tirar uma foto do flagrante e enviar para o email do grupo, que responde pela apresentação: “Sua comida está esfriando enquanto um crachá, um maldito crachá, tem uma mesa e seu prato não. Chegou a hora da vingança. Junte-se aos justiceiros da praça de alimentação e acabe com a farra desses folgados”.

As publicações que são regatas a muito sarcasmo, rima, bom humor e ironia alertam para a falta de educação e o incomodo causado aos clientes que precisam acomodar-se. Em um dos casos a legenda satiriza ''O gosto do meu almoço foi amargo graças ao Camargo'', cuja foto da identificação tem dono de sobrenome Camargo. 

Viver em sociedade é respeitar o limite e as diferenças dos demais. É preciso uma reflexão geral para não nos tornarmos uma sociedade individualista, que se importa apenas com  as vantagens pessoais. 

 

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