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O impacto da crise econômica nas empresas automobilísticas

Como um dos setores mais afetados pela economia brasileira está lidando com a situação

19/11/2015 23h03

Fernando Deotti, diretor da Ipsos Brasil e formado em Economia Foto: Arquivo Ipsos Brasil

Bruna Maeda
Maria Luiza Fischer

O atual cenário econômico do Brasil preocupa toda população que depende do próprio trabalho para garantir seu sustento e da família. Os produtos básicos estão mais caros e as pessoas estão com salários cada vez mais baixos ou perdendo seus empregos. O jornal britânico “Financial Times” dedicou um editorial para a situação do Brasil. Classificou a economia como uma “bagunça” e as finanças públicas em desordem. O texto diz: “se o Brasil fosse um paciente em um hospital, os médicos de emergência o diagnosticariam em estado terminal”.

Um dos segmentos nacionais que mais apresentou os sinais da crise é o mercado automotivo, que está vivendo um momento crítico após sete anos seguidos de altas taxas de lucro. Com a queda nas vendas de 20,7% registrada no primeiro semestre de 2015, em comparação ao volume no mesmo período de 2014 (segundo dados da Fenabrave, a Federação dos Concessionários), e com o acirramento da concorrência, fabricantes agora têm de se desdobrar para não perder espaço no mercado.

Segundo um dos diretores da empresa Ipsos Brasil Pesquisa de Mercado, Fernando Deotti, um dos principais motivos para essa estagnação das automobilísticas é o índice de confiança do consumidor: “Hoje, o grande problema é a insegurança do consumidor para fazer um investimento. Atualmente, podemos considerar que o carro é um grande investimento, já que o cliente está mais receoso e só compra um automóvel se souber que ele tem qualidade para durar mais de cinco anos”.

O cenário não é o mesmo para todas as marcas, enquanto umas preveem um ano desastroso em emplacamentos, outras estudaram o perfil do novo consumidor e inovaram seus produtos. Estas últimas estão aproveitando o momento para ultrapassar as metas de venda do ano e alterar situações que pareciam não ter solução.

As empresas que não conseguiram acompanhar o ritmo e foram afetadas pela queda brusca de vendas, precisaram traçar estratégias para diminuir a produção, já que não havia demanda. Assim, colocaram trabalhadores em férias coletivas ou suspenderam os contratos de maneira temporária, o chamado layoff. Mais de 35 mil trabalhadores da indústria automobilística estão afastados de suas funções em sete montadoras de automóveis, caminhões e ônibus.

“O futuro das automobilísticas é uma grande incógnita. Mesmo as empresas que apresentaram altos índices de venda e que não sofreram com a crise no Brasil adiaram a inauguração de novas fábricas, mesmo estas já estando prontas. Isso indica uma total insegurança do mercado das indústrias”, afirma o executivo.

Muitas marcas de alto padrão, como a Land Rover, estão investimento em fábricas no Brasil para exportar seus produtos. Uns dos principais motivos para esse fenômeno são o baixo custo de produção no Brasil e a alta do dólar. Nesse momento, o que podemos concluir é que o mercado automobilístico deve focar em seu mercado externo para dar vazão à produção.

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