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Fake news refletem uma sociedade instável e sem senso crítico, diz especialista em comunicação

Coordenador do PósCOM alerta para a carga de informações compartilhadas sem averiguações

25/04/2018 20h40 - última modificação 26/04/2018 19h52

Prof. Luiz Alberto falou que sociedade digital perde capacidade de refletir

De um youtuber com 10 mil seguidores a um post no whatsapp com uma única curtida, todos os usuários de redes sociais e internet são influenciadores. A grande questão é que tipo de imagem ou informação criamos ou compartilhamos.

“Fake news não são necessariamente um problema. O inconveniente é o que fazemos com falsas notícias, repassando como verdade absoluta sem conferir a origem e a autenticidade”, recriminou o professor Luiz Alberto de Farias, coordenador da Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, ao advertir para a instabilidade da atual sociedade digital, que está perdendo a capacidade de refletir e avaliar conjunturas diante da voltagem violenta que estão assumindo as redes sociais.

Luiz Alberto de Farias falou na aula magna do curso de Relações Públicas na noite de 24 de abril e expôs um cenário preocupante diante da carga de informações despejadas a todo instante por meio de aplicativos de celulares e sites, dizendo que todos esses meios nada valem se não aproximarem pessoas. Daí seu alerta para fake news que se tornaram tentaculares pelo mundo e que, ao contrário de aproximar, estão demolindo pessoas, reputações, criando pânicos ou dando voz a extremismos e intolerância. Pessoas estão tendendo a considerar confiável só quem pensa como elas e a refutar quem tem opinião diferente.

Em palestra sobre ““Fake News e a Indústria da Opinião”, o coordenador da PósCOM, que também é jornalista e relações públicas, enumerou vários motivos pelos quais as pessoas endossam sem critérios informações e imagens. Apontou como exemplo o que chama de “obesidade informativa”, em que o excesso de informações leva à ansiedade e à necessidade de falar e compartilhar dados. Isso resulta na “incontinência enunciativa”, que pode se transformar em notícia falsa porque nem sempre o que é compartilhado é averiguado, resultando no que o professor denomina “blind endossement”, ou endosso às cegas.

Egolatria

Em evento que reuniu também turmas de Jornalismo, Comunicação Organizacional e Sistema da Informação, ele também advertiu que as redes sociais estimulam a egolatria, pois mexem com o ego das pessoas por projetá-las com fotos retocadas e repassando informações pseudo-verdadeiras. E chamou à responsabilidade do profissional de comunicação para a função de ser o grande conector numa sociedade que tem cada vez mais dificuldade em dialogar. Mesmo informações vindas de plataformas e mídias confiáveis, como grandes grupos televisivos e os maiores impressos em tiragem, devem ser vistas com senso crítico, aconselhou.

Luiz Alberto de Farias, que é doutor em Comunicação e Cultura, lamentou que o pensamento hoje esteja fragmentado e que o tecnicismo tomou lugar do humanismo, o que reduziu a visão sobre a pessoa humana. ”Pior do que as fale news é não parar e refletir sobre esses linchamentos públicos na web por multidões digitais”, afirmou, dizendo que, justamente porque as plataformas mantêm as pessoas a distância, todos se sentem incólumes.

Sobre a colocação da coordenadora do curso de RP da Metodista, professora Arlete Prieto, de que as fake news de hoje são a rádio-peão de ontem, o coordenador da PósCOM acha que o destino será semelhante: “Há equívocos, ignorância e boatos, mas começarão a ser desenvolvidos critérios mais sólidos para filtrar informações duvidosas”, acredita.

Veja imagens do evento:

Aula Magna - Relações Públicas -Palestra - Fake News e a Indústria da Opinião

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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