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Falha na comunicação ainda faz vítimas de HIV, aponta apresentador soropositivo

Rafael Bolacha foi convidado da agência experimental Urbana, de alunos de Publicidade e Propaganda

24/05/2016 19h25 - última modificação 24/05/2016 19h28

Rafael descobriu-se soropositivo em 2009 (Foto Victoria Sales/Agicom)

Mesmo sendo referência nos anos 1990 com campanhas de combate à Aids e fabricação de antirretrovirais, o Brasil está longe de virar essa página. Estatísticas oficiais mostram que cerca de 40 mil novos casos são notificados todos os anos, sinal de que há algo errado na área.

“Os jovens estão sem referência e informações de como se prevenir ou encarar a doença para levar uma vida normal”, aponta o ator, produtor e youtuber Rafael Sanches Lopes, o Rafael Bolacha, que se descobriu soropositivo em 2009. Ele vê falhas sobretudo na comunicação do governo, com campanhas a seu ver desatualizadas. “Informação existe, mas o conteúdo não mudou e não toca esses jovens”, pontua.

Rafael Bolacha se diz ele próprio vítima de desinformação. Soube que carregava o vírus HIV após quase um mês de diarreias diárias e só repetiu o exame que havia dado positivo ao ler um cartaz quando saia do posto de saúde. “Confirmado o resultado, decidi parar de dançar, voltar para a faculdade e me cuidar. Li tudo ao meu alcance para ter o máximo de informações para mim e para passar para a família na época”, relatou.

Rafael Bolacha falou aos alunos de Publicidade e Propaganda da Universidade Metodista de São Paulo na noite de 20 de maio último, convidado pela agência experimental Urbana, de alunos do 7º período de Publicidade e Propaganda. O tema HIV-Aids faz parte do projeto de PP deste semestre para incentivar a população a fazer o teste rápido para detecção do vírus, por conta da passagem de 30 anos da descoberta da Aids. E assim conheceram Rafael Bolacha, como explicou a aluna Suelen Alves.

Preconceito

Três décadas depois, segundo testemunho de Rafael, também prevalece o preconceito, sobretudo de profissionais de saúde. “Somos recebidos nas clínicas com ‘ah, você é veado!’”, contou ele, que não desenvolveu Aids (só carrega o vírus) e que se impôs uma cruzada para levar informações à população. Por exemplo, que é possível fazer profilaxia pós-relação (PEP) até 72 horas em hospitais públicos e tomar antirretrovirais por 28 dias.

“Ninguém faz sexo 100% seguro e está provado que a contaminação não está concentrada nos gays”, afirma Rafael, que lançou em 2012 o livro “Uma Vida Positiva” na tentativa de humanizar o contexto do HIV no Brasil e que é utilizado inclusive em aulas na Universidade da Columbia, nos Estados Unidos.

Além de blog, programa webrádio, palestras e espetáculos de dança, Rafael fala sobre o tema em seu canal Chá das 5 no youtube. Aborda os estágios de aceitação e disposição para o tratamento ou de revolta e negação da doença, fala de prevenção e conscientização, da importância do exame de HIV e do relacionamento com família e amigos. “Não devemos ter culpa nem vergonha. Apenas ter responsabilidade sobre o que somos”, diz. Ele também explica sobre a medicação. São hoje 15 antirretrovirais, que devem ser tomados em grupos. Ele mesmo já mudou a medicação pela 4ª vez em sete anos.

Segundo o Ministério da Saúde, são cerca de 700 mil casos registrados de Aids no Brasil (condição em que a doença já se manifestou), segundo dados de 2012. Quanto à forma de transmissão entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos registros decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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