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Violência contra a mulher é realidade que não cede

13/03/2015 20h35 - última modificação 13/03/2015 20h45

Leis e várias ações repressoras ao homem agressor estão sendo superadas pela realidade. A violência contra a mulher brasileira resiste à Lei Maria da Penha editada em 2006 ou a ferramentas mais modernas como o aplicativo da Central de Atendimento à Mulher, que recebe chamadas pelo 180 em período integral. “É inacreditável em pleno ano 2015 estarmos aqui discutindo esse tema”, disse em tom de insatisfação a professora e pós-doutoranda da Universidade Metodista Naira Pinheiro dos Santos na abertura da mesa redonda “Olhares sobre a Violência contra a Mulher”, dia 12 deste mês no auditório do campus Planalto.   

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Naira Pinheiro

A explicação para os efeitos ainda tímidos das iniciativas de combate à violência contra mulheres ela encontra na cultura arraigada da sociedade patriarcal: o homem provedor, autoridade do lar e violento como sinal de masculinidade, enquanto à mulher caberiam o espaço do lar, a maternidade e a obediência. “É preciso destruir esses espaços delimitados. O contexto histórico e cultural é suscetível a transformações e temos que transformar, como ocorre, aliás, com o próprio modelo de família hoje em mudança”, citou Naira Pinheiro (foto acima), convocando a sociedade a deixar de achar natural as agressões às mulheres.

A tolerância social a essa violência é encontrada em todos os quadrantes. A professora citou a propaganda de uma cerveja no último Carnaval que trazia uma jovem com o slogan “Esqueci o NÃO em casa”, o que induzia a pensar que homens poderiam assediá-la impunemente. Também mencionou a passividade da plateia que assistiu recentemente à entrevista do ator Alexandre Frota relatando o estupro que cometeu em uma mãe de santo e o despacho de um juiz de Sete Lagoas (MG) dizendo que “a desgraça humana começou com uma mulher”, aludindo à passagem bíblica de Eva e responsabilizando as mulheres pelo controle moral e sexual de seu corpo. “Somos culpadas pelos ataques morais e físicos que sofremos e a maioria acha isso natural, não reconhece essa violência como um crime”, reforçou Naira Pinheiro.

Sentimento de posse

Lançado pelo governo federal em 2013, o aplicativo 180 da Central de Atendimento à Mulher recebeu no ano passado nada menos que 1.500 chamadas diárias de mulheres ameaçadas ou agredidas. Dados do 8º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que houve 50.320 estupros em 2013 no Brasil, um a cada 6 horas. Pelo menos 4.580 brasileiras foram mortas por agressão nesse ano. Cônjuges, ex-cônjuges e parceiros respondem por 90% dos ataques.

“O homem não aceita a separação pois sente-se dono da mulher”, afirmou a assistente social Cláudia Poleti (abaixo), que coordena as duas Casas Abrigo existentes no Grande ABC para mulheres e filhos em situação de risco. A iniciativa é do Consórcio Intermunicipal da região e prevê acolhimento por seis meses com suporte psicológico, jurídico, de saúde e educacional.     

O sentimento masculino de posse está destacado na estatística da Casa Abrigo, onde metade das mulheres chegam agredidas por ex-parceiros e outra metade por companheiros atuais, sendo comum abusos sexuais inclusive de filhas. “A violência doméstica se espraia por toda a família”, testemunha ela, acrescentando: “A maioria vem de famílias com histórico de violência: o homem foi um menino que teve um pai agressor e a mulher foi a menina que viu a mãe ser agredida sem reagir”.

Violência psicológica

A quase totalidade das vítimas que chegam à Casa Abrigo, cujo endereço é mantido em sigilo, tem a saúde mental comprometida. Carregam problemas neurológicos ou psiquiátricos, têm sinais de uso abusivo de álcool ou drogas e estão em depressão.

“A maioria dos BOs nas delegacias registra agressão física, mas antes disso essas mulheres sofreram pesada violência psicológica”, relata Cláudia Poleti, lembrando que a Lei Maria da Penha contempla também como violência contra a mulher o assédio moral por meio de xingamentos e humilhações, o ato sexual não desejado, a calúnia e difamação e a agressão patrimonial, por meio da supressão de documentos pessoais.

A mesa redonda “Olhares sobre a Violência contra a Mulher” foi promovida pelo curso de Psicologia e pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Metodista em parceria com a Comesp (Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo), por intermédio da Juíza de Direito da comarca de Santo André, Dra. Teresa Cristina Cabral. A atividade foi conduzida pela coordenadora da pós, professora Maria Geralda Heleno, e pela professora da graduação e da pós em Psicologia Luci Praun.

O evento integrou a programação da “Semana Nacional de Combate à Violência contra a Mulher”, que ocorreu entre dias 9 e 13 de março.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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