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Professora Miria Benincasa comenta aumento do número de cesáreas

Organização Mundial da Saúde considera a situação “epidêmica”; Brasil é o recordista, chegando a realizar mais da metade dos partos de maneira cirúrgica

22/04/2015 20h55 - última modificação 26/05/2015 14h09

O aumento no número de partos cirúrgicos em todo o mundo fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerasse a situação como uma “epidemia”, de acordo com o documento divulgado em abril. 

Segundo a entidade, o ideal é que a taxa de nascimentos por meio de cesáreas fique entre 10% e 15%. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos 32,8% dos partos foram feitos dessa maneira; na Europa, entre 20% e 22%, e no Brasil, a estimativa é de que tenha sido 55% em 2014, tornando o País o recordista neste tipo de cirurgia. Na rede particular, chega-se a 84%.

Como forma de reverter este quadro, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou no início do ano uma resolução estabelecendo normas para o incentivo ao parto normal. Pelas novas regras, o acesso à informação pelas consumidoras de planos de saúde será ampliado, permitindo que solicitem às operadoras os percentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico.

Para a professora Miria Benincasa Gomes, do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Saúde (PosPsico) e coordenadora do grupo de pesquisa que estuda a violência obstétrica e a humanização da assistência ao parto e ao nascimento, “há uma forte tentativa e investimento em reduzir os índices de cesarianas, principalmente as eletivas. Mesmo porque os prejuízos são cada vez mais claros para a sociedade. O mais interessante é que esse movimento vem da sociedade e da universidade. São profissionais em saúde que, além de praticarem a obstetrícia, são pesquisadores fortemente fundamentados em Medicina Baseada em Evidência. Com grupos da sociedade, eles vêm ‘levantando essa bandeira’, se mobilizando e exigindo um posicionamento do Estado”.

A docente comenta que o parto fisiológico foi a única opção durante um longo período da história e vem sendo praticado como preconiza a OMS em vários países desenvolvidos, como Suécia, Holanda e Inglaterra. Ela ressalta que “o médico obstetra não é o único profissional habilitado para assistir a um parto, nem o hospital o único lugar em que ele pode se realizar. Existem as enfermeiras obstetras e as obstetrizes, que são profissionais capacitadas para esse trabalho. Elas existem desde o século XVII em alguns países onde a assistência obstétrica é mais humanizada”. Miria Benincasa cita que “existem também Casas de Parto devidamente organizadas para esse momento. Diferente do que acontecia no passado, a tecnologia, o hospital e o médico poderão ser acionados quando for necessário, para salvar vidas de mulheres e de bebês. O problema no Brasil é a cultura de que a cesárea é a opção mais segura para gestantes de baixo risco, contrariando todas as evidencias científicas”.

Nova temática

A questão da violência obstétrica e da humanização da assistência ao parto e ao nascimento é uma temática nova dentro do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Saúde da Metodista. Sob a coordenação da professora Miria Benincasa, o assunto vem sendo estudado em um grupo de pesquisa desde o ano passado.

Semanalmente são discutidos assuntos, como o documento divulgado pela OMS. Composto também por professores e alunos do curso de Graduação de Psicologia, além de promover estudos, o grupo está trabalhando na coleta de dados para a pesquisa “Investigando: cesárea eletiva, parto humanizado e violência obstétrica: o impacto psicológico na vida da mulher”, cuja conclusão deve ocorrer em dois anos. 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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