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“Não é possível fazer uma relação direta entre a depressão e o acidente com o copiloto”, afirma professor

07/04/2015 19h38

Mestre em Neurociências e Comportamento, professor da Universidade Metodista de São Paulo diz que a tendência é tentar explicar um comportamento mais agressivo sob o aspecto da doença mental

O acidente com a aeronave da companhia Germanwings continua gerando discussões em torno dos motivos que teriam levado o copiloto, Andreas Lubitz, a provocar a colisão com as montanhas nos Alpes franceses no dia 24 de março.

Mestre em Neurociências e Comportamento, o professor Antônio de Pádua Serafim, do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, afirma que a tendência é tentar buscar explicações para um comportamento mais agressivo em doenças mentais. “No caso do copiloto, não temos elementos suficientes para estabelecer um nexo de causalidade entre a condição psicológica e a conduta dele”.

Segundo Serafim, “não sabemos a história dele completamente, mas está se associando o fato dele ter depressão como a causa primária do acidente. Geralmente, pessoas deprimidas graves cometem suicídio. Não é comum indivíduos com depressão cometerem homicídio dessa forma”.

O professor esclarece que a depressão é um transtorno do humor que afeta a qualidade de vida do indivíduo, caracterizando-se por uma tristeza profunda, insuportável, pensamentos negativos, desmotivação, sentimento de incapacidade, alterações do ciclo do sono, do apetite, dos cuidados pessoais. “Ao se configurar com esse quadro, a depressão leva, muitas vezes, a pessoa a ter a ideia de que não vai suportar essa condição, sendo a morte a solução”.

De acordo com o docente, é comum que o indivíduo busque o isolamento, evitando o contato social. Além disso, a qualidade do pensamento, da tomada de decisão também são afetados. “A pessoa fica abalada intensamente a ponto de não ter uma condição muito clara de pensar racionalmente sobre seu próprio estado”.

Tipos de depressão e tratamento

Antônio Serafim menciona que há dois tipos de depressão: a endógena e a exógena. A primeira é gerada por modificações orgânicas, neuroquímicas. Ela provoca alterações de metabolismo no organismo, no processamento de neurotransmissores, como a dopamina e a seratonina, podendo ter um fator hereditário ou genético. Seu tratamento é à base de medicação para normalizar o funcionamento desses neurotransmissores.

A exógena ou reativa ocorre a partir de circunstâncias da vida, como a perda de um ente querido, uma decepção muito grande, o rompimento de um relacionamento. O tratamento é tanto medicamentoso como psicológico. “Uma pessoa tratada adequadamente, recebendo a medicação necessária e se submetendo a um programa de psicoterapia, consegue resgatar grande parte deste quadro e retomar a sua vida. Mas precisará o tempo todo de um acompanhamento mais intensivo”.

O professor completa: “A depressão é um quadro passível de tratamento, tanto médico quanto psicológico, que gera melhoras”. 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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