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Hoax, o velho boato boca-a-boca ganha roupagem digital, adverte mestranda da Metodista

Hoax, ou boato digital, foi estudado pela professora e mestranda Alessandra Simões

15/08/2017 17h24

Prof. Alessandra Simões: quem curte e compartilha boatos também comete crime (Foto Arquivo Pessoal)

Com o surgimento das redes sociais, cada vez mais pessoas passaram a se encontrar ou a se conectar em tempo real. Se quebrou fronteiras geográficas e promoveu maior aproximação entre usuários, a vida online fomentou, por outro lado, um novo e preocupante fenômeno, o hoax, ou boato digital.

“Alguns podem não passar de inocentes brincadeiras, com intuito de entreter e divertir, porém outros podem ser enquadrados como crimes”, adverte Alessandra Lourenço Simões, especialista em Segurança da Informação e professora nos cursos de Gestão de TI e Sistemas de Informação da Universidade Metodista de São Paulo, onde também é mestranda em Comunicação Social. Em uma das disciplinas do Mestrado -- Cultura, Imaginário e Comunicação –, ela desenvolveu estudos sobre o processo comunicacional nas redes sociais e produziu artigo apresentado no IX Simpósio Nacional da ABCiber (Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura), realizado na PUC-São Paulo.

A mentira ou boato digital está na mesma superfície negativa das fake news (notícias falsas), também motivo de vários alertas de estudiosos. As fake news são hospedadas em sites voltados a inventar conteúdos espalhafatosos e sensacionalistas, que reescrevem e até invalidam notícias verdadeiras. Esses sites estão interessados em cliques (audiência) para espalhar notícias falsas da mesma forma que o boato e a mentira ganharam propagação pelas redes sociais, Facebook à frente.

A cada repetição, os boatos ganham maior poder de convencimento e, por se referirem a situações de interesse de grupos, são passados adiante, como o velho boca-a-boca presencial – só que potencializados ao infinito porque as redes sociais funcionam em tempo real. O problema é que em cada passagem algo é acrescentado e, assim, quem o passa sente-se incluso. “Poucos se dão ao trabalho de verificar os fatos antes de passar adiante, tornando-se cúmplices da difusão de mentiras”, lamenta a docente da Metodista.

Segundo Alessandra Simões, o compartilhamento de informações e imagens sem prévia conferência sobre a veracidade do conteúdo pode ser entendido sob duas óticas. Primeiro, as pessoas acreditam que, por estar na internet, é verdadeiro, principalmente porque algum conhecido do seu círculo social no mundo digital compartilhou a mensagem e, por conhecê-lo, tomam como verdade tudo que é publicado por ele. Isso vale também se a origem é de uma mídia de veiculação nas redes ou até por uma celebridade. Segundo, a falta de tempo e a correria do dia a dia impedem a busca por outras fontes e a verificação da autenticidade dos fatos. “A internet é rápida, instantânea e imediata, como a vida das pessoas nos dias atuais”, pontua a professora.

Não repasse

Além de pesquisas em sites, algumas indicações de hoax podem estar em postagens que usam expressões para chamar a atenção (objetivo do boato) como "urgente”, “repasse”, “leia esta mensagem”, "espalhe para sua lista de contatos" ou "compartilhe para o máximo de pessoas possível". Alessandra Simões aponta que outra maneira como hoaxs costumam aparecer é por meio de sorteio ou oferta de prêmios, como um IPhone, por exemplo. “Vale aquele velho ditado: quando a esmola é demais, o santo desconfia", aconselha.

A professora e mestranda da Metodista alerta também para o erro de se pensar que na internet tudo pode e nada será penalizado. Ela ressalta que algumas finalidades do hoax são consideradas crimes, como a calúnia, difamação e injuria, com previsão no Código Penal (artigos 138, 139 e 140 respectivamente) e pena de detenção de seis meses a dois anos, mesmo que praticados através da we. É considerado culpado também quem curte e compartilha.

Leia a íntegra do artigo Hoax – O Avanço Tecnológico e a Propagação de Boatos.

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