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Doutorando da Metodista pesquisa o discurso de ódio dos trolls e como perturbam a ordem na web

Bruno Antunes avaliou ataques em mais de 1 milhão de twittes

29/05/2019 20h40 - última modificação 29/05/2019 23h33

Bruno Antunes avaliou ataques em mais de 1 milhão de twittes

Brigou com familiares ou está rompido com um grande amigo por causa das eleições presidenciais de 2018? Não fique frustrado. Milhões de brasileiros estão na mesma situação e, à parte a preferência partidária, a grande maioria teve por trás um surpreendente empurrão trolling.

É como estão sendo identificados participantes de um subgrupo surgido na web, os trolls, que têm como único objetivo perturbar o ambiente on-line com posts ofensivos e criar um círculo vicioso de ataques mútuos e infindáveis. Eles habitam a chamada deepweb, formada por redes que ficam nas profundezas da internet, ou seja, não são indexadas às redes normais e, portanto, os servidores são de difícil localização. Esse fenômeno é tema de estudos do doutorando da Universidade Metodista de São Paulo Bruno Antunes, que falou na tarde de 29 de maio em workshop da Cátedra Unesco de Comunicação da Umesp.

“É pena que a deepweb seja usada e divulgada com mais frequência pelo lado do mal, porque serve também para coisas boas, como para hackers derrubarem sites de pedofilia ou para grupos de direitos humanos em países que promovem censura como a China”, apontou Bruno, cuja pesquisa tem como tema O trolling no mainstream das redes e seu impacto na polarização política nas mídias sociais.

Associados às campanhas vencedoras de Donald Trump nos EUA e Jair Bolsonaro no Brasil, os trolls não polarizam apenas cenários políticos. São pródigos em postagens ofensivas, racistas, machistas, homofóbicas, compartilhamento de pornografia infantil e até formação de fanáticos e suicidas como os jovens responsáveis pelo ataque este ano a uma escola de Suzano (SP). Eles se organizam em total anonimato em fóruns chamados chans, de onde criam e reproduzem memes destruidores de reputação ou impulsionadores de ódio e fake news.

“Têm a clara intenção de causar danos aos seus alvos ou propagar suas crenças. Geralmente se espalham de boca-a-boca, porque se subirem na superfície (internet normal) a polícia chega até eles por meio dos IPs (identificação de computador)”, cita Bruno Antunes, dando exemplos de líderes de chans presos, o mais recente deles Marcelo Valle Silveira Mello, em maio de 2018, conhecido por perseguir mulheres na internet e disseminar conteúdo misógino, homofóbico e racista.

Supremacia branca

“Não há um perfil definido, mas geralmente os trolls são de classe média, brancos que pregam sua supremacia e homens, pois a maioria odeia mulheres. São sempre contra o que é normal, casual, e culpam o politicamente correto porque eles próprios são frutos de insucessos pessoais e inabilidade social”, apontou o doutorando da Metodista, que pesquisou mais de um milhão de twittes e montou 72 gráficos até agora.

Segundo ele, esse submundo da web cresceu porque seus ataques se multiplicam pela própria cobertura que a imprensa lhes dá, além de influenciarem as mídias sociais por mecanismos permitidos pelas próprias plataformas, como por exemplo a disseminação de posts por meio de bots (robôs). “Os mesmos padrões dos chans foram observados em 2014 no Tumblr e Twitter”, citou em sua pesquisa.

Além de robôs, outras ofensivas dos trolls se dão por meio de doxxing (divulgação de dados pessoais de seus alvos), raids (ataques em massa a perfis) e o sádico Lulz (imagem que satiriza os sofrimentos alheios). Algumas formas de identificar um troll são a data de criação próxima do fato, vocabulário sofrível e posts com mais de um milhão de impulsionamentos.

“É importante debater a deepweb para formar uma consciência sobre seu lado sombrio, mas também para mostrar que serve para o bem, como para criar grupos de denúncias”, acredita Bruno Antunes, formado em Jornalismo e Letras, pós-graduado em Comunicação Social e mestre pela Metodista. Seu mestrado sobre wikileaks rendeu o livro A Liberação dos Dados na Rede – O Caso WikiLeaks, sobre a plataforma de postagens de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos e empresas.

 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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