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Abrapcorp debate influência negativa de informações falsas sobre a sociedade

Abertura do evento foi mediada por professor da Metodista, que lançou livro sobre o tema

09/05/2019 18h55 - última modificação 15/05/2019 18h36

Profs. Luiz e Alexis: só 14% disseminam fake news, que fizeram retornar o sarampo nos EUA

O sarampo foi considerado erradicado nos Estados Unidos em 1999, mas, passadas duas décadas, registra cerca de 460 casos somente neste ano. A incidência é atribuída ao movimento antivacina que cresce em todo o planeta e já está listado entre as 10 maiores ameaças à saúde pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

“Muito dessa desinformação entre os norte-americanos vem pelo Facebook e há sinais claros de que a origem é a Rússia”, afirma a professora da Universidade de Columbia e PhD em Ciência da Informação Alexis Wichowski, que conduziu a aula magna do 13º Congresso Científico da Abrapcorp (Associação Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas), mediada pelo coordenador do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo, professor Luiz Alberto Farias.

A proporção crescente de fake news e o impacto sobre a sociedade foram tema deste ano do evento, sobre Comunicação, Opinião Pública, Organizações. Para mostrar como boatos e distribuição deliberada de desinformação não escolhem públicos, a docente de Columbia apontou que a população norte-americana é, em tese, letrada e esclarecida: 30% têm ensino superior e 90% concluíram 2º grau. “Não é falta de educação, mas de compreensão da realidade”, disse.

Ataques raivosos de 14%

O mais grave, segundo estudos, é que notícias falsas ou ataques raivosos partem de apenas 14% da população, que estão permanentemente online e agridem rapidamente quem não pensa como eles. “Esses radicais gritam o tempo todo e formam a opinião pública, que acaba influenciando os governos”, apontou Alexis Wichowski, dizendo que os 86% restantes das pessoas são “uma maioria exausta que não fala, preferindo ficar fora dos discursos radicais à esquerda e à direita”.

Outra consequência grave da aceitação de fontes de informações questionáveis em redes sociais é a normalização das mentiras e do ódio. Utilizando pesquisa do Washington Post sobre o presidente dos EUA, a professora mostrou que Donald Trump chegou a twitar e retwitar mais de 50 vezes em apenas 24 horas, 12 das quais seriam mentiras. No caso dos russos que estariam alimentando o movimento antivacina, o objetivo não seria o de matar pessoas, mas semear confusão.

“A internet não foi construída para discursos, porque os algoritmos só localizam assuntos mais comentados, retroalimentando essa raiva o tempo todo”, lamentou Alexis, cuja palestra versou sobre “What Unites Us: How the Angry Few Hijack Public Opinion & How Institutions Can Intervene to Save Democracy” (O que nos une: como os poucos furiosos desviam a opinião pública e como as instituições podem intervir para salvar a democracia).

Segunda ela, alguns antídotos para combater a situação passam por proteger o jornalismo profissional e as informações apuradas, além de proteger o próprio governo, com melhoria dos serviços públicos e dos servidores. Ela também defende a propagação de mais notícias positivas e de ações democráticas. Exemplificou com o uso em massa das redes sociais recentemente para alertar sobre um ciclone na Índia, o que ajudou a salvar milhares de vidas. Foram 2,6 milhões de posts avisando sobre o fenômeno.

“Precisamos aprender e ensinar a opinião pública a não cair em armadilhas como hoje”, reforçou professor Luiz Farias, que presidiu a Abrapcorp entre 2014-2016 e lançou pela Editora Metodista Opiniões Voláteis: Opinião Pública e Construção de Sentido. Leia mais sobre o livro e a noite de autógrafos em 7 de maio último na Fundação Cásper Líbero.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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