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Jornalista atribui a crise na Venezuela à desinformação e à mídia polarizada

Fake news e editoriais partidarizados impedem achar uma solução para as vítimas

19/03/2019 19h50 - última modificação 19/03/2019 20h06

Barrios: fake news e editoriais partidarizados impedem achar uma solução para as vítimas

Mais do que a polarização direita-esquerda, a desinformação é a maior inimiga de uma solução para a crise sistêmica que assola a Venezuela. “A quantidade de fake news e a irresponsabilidade das mídias ao mostrarem apenas a parte que lhes interessa limitam a análise dos fatos”, afirma o jornalista venezuelano Cesar Barrios Lacayo, professor universitário, fundador da Associação Nacional de Imigrantes Venezuelanos no Brasil (Aniv) e que desde 2018 tenta obter refúgio no Brasil.

Em palestra na Universidade Metodista de São Paulo na noite de 18 de março, o jornalista atribuiu à imprensa o que chamou de “terror midiático” ora contra o ditador Nicolas Maduro ora contra o opositor autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, o que estaria contaminando a busca de uma terceira via para enfrentamento do atual cenário.

“A politização da crise nas linhas editoriais também polarizadas da imprensa contamina a compreensão da causa da instabilidade, desvincula-se das verdadeiras vítimas e retarda uma solução”, falou o docente da Universidade Bolivariana da Venezuela, que em alguns momentos questionou se a crise econômica e política realmente existe e de que lado está a verdade, se com Maduro ou Guaidó.

“Juan Guaidó nem aparecia nas eleições de 2018, quando Maduro teve 6,5 milhões de votos, e Falcon e Nuvipa um milhão cada um entre os 9,3 milhões de eleitores que participaram”, mostrou Cesar Barrios em gráfico.

Comércio da crise

Segundo sua interpretação, a “sociedade de cúmplices” que caracteriza a Venezuela transformou a crise humanitária em “um comércio” porque interessaria à elite empresarial, ao governo e aliados o estado de calamidade para dispensar licitações, por exemplo. A origem do atual quadro de instabilidade e migração em massa, a seu ver, está na corrupção e nos desvios praticados em dois órgãos governamentais, Cadivi e Cencoex, que administram as divisas (moeda) e o comércio exterior.

“A manipulação do câmbio por importações 20 ou 30 vezes mais do que o realmente pago pela mercadoria fez com que os empresários parassem de produzir e passassem a especular com divisas. Isso com a cumplicidade da elite e representantes do governo. Hoje, 70% dos alimentos são importados na Venezuela”, apontou Cesar Barrios, acrescentando que a imprensa esconde esse quadro.

A crise sistêmica da Venezuela data pelo menos desde 2014, quando começaram a cair os preços do petróleo, do qual a economia local é totalmente dependente. O cenário é atribuído não apenas à corrupção generalizada como à má administração dos recursos e atividades produtivas existentes, pois a riqueza derivada do petróleo não foi reinvestida. Fome generalizada, acesso limitado a medicamentos e assistência médica, além da escalada da violência e abusos contra os direitos humanos, seriam responsáveis pela saída de 3 milhões de venezuelanos até agora, 100 mil dos quais estariam no Brasil.

Cesar Barrios esteve na Metodista a convite da Cátedra Unesco de Comunicação da Umesp e da Pós-graduação em Comunicação por meio do grupo de pesquisa Jornalismo Humanitário e Media Interventions.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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