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Informações digitais não são comunicação, diz professor sobre discursos de intolerância

Mesa-redonda discute atitudes de ódio sob o olhar da religião, psicologia e comunicação

23/10/2019 20h40 - última modificação 01/11/2019 15h10

Professor Dimas Kunsch durante a palestra

Mais do que intolerância e narrativas de ódio, vive-se um perigoso momento de “incomunicação” pelas plataformas digitais. Ao contrário do senso comum de que a tecnologia melhorou o diálogo humano, a avalanche de dados que circulam pela internet não pode ser definida como comunicação.

“Temos que salvar a comunicação, que não é sinônimo de informação nem de tecnologia”, afirma professor Dirmas Kunsch, do Mestrado-Doutorado em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, ao dizer que redes sociais, aplicativos e outras vias digitais são apenas ferramentas de contato. São as pessoas que estabelecem o tipo de mensagem que trocam. “Só seres humanos têm capacidade ou incapacidade de gerar guerras por essas ferramentas. Como se comunicar sem respeitar o diferente?”, perguntou, ao falar na mesa-redonda do Congresso Científico Metodista na noite de 22 de outubro último sobre Intolerância no mundo contemporâneo.

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Professor Vitor Chaves de Souza durante a fala na palestra
Perdoar

Sob o olhar da religião, professor Vitor Chaves de Souza, dos cursos de Filosofia e Ciências da Religião, mostrou que a humanidade sempre viveu em um círculo ambíguo de extremismos e violência, mas também de reconciliação e compreensão. Nos dois extremos, exemplificou com o poema grego Ilíada, de Homero, em que o rei entregou a filha em sacrifício, bem como o fim do apartheid na África do Sul, que promoveu a aproximação entre brancos e negros.

Professor Vitor preferiu enfatizar, no entanto, a virtude da tolerância e um de seus propagadores, o filósofo francês Paul Ricoeur, na visão de quem a intolerância teria sua raiz na justiça, que por aplicar algum tipo de punição é vista sob uma lógica de vingança. “Ricoeur busca nova perspectiva desse contexto defendendo um reconhecimento positivo do outro, uma atitude conciliadora. Diz que é preciso sair do círculo vicioso e entrar no círculo virtuoso da ética, benevolência, tolerância”, apontou. Segundo ele, perdoar não é um fator religioso, mas antropológico, de busca pela paz.

Denunciar parceiro

Já professora Rosa Frugoli da Silva, da Pós-graduação em Psicologia da Saúde, mostrou estudos sobre intolerância e violência contra a mulher provocando se cabe perdão ou se é melhor denunciar o agressor. Em 90% dos casos, o agressor é o parceiro afetivo, provedor da casa e pai dos filhos da vítima. “Pela lei, a mulher deve denunciar, pois começa com violência psicológica, xingamentos, e termina em feminicídio. Por outro lado, se perdoar, ela tem esperança de resgatar seu relacionamento”, apontou a docente, afirmando que a mulher ainda se envolve em histórias de romance e, permanecendo com o agressor, logo se envolverá em conflito novamente.

Pesquisa do Grupo de Gênero da PósPsico mostra que a violência contra a mulher não é questão de classe econômica. As entrevistadas são universitárias da área de saúde, brancas e 88% com renda até 3 salários mínimos. Embora 30% tenham dito que sofreram violência física doméstica, 83% passaram por violência psicológica por meio de deboches e desprezo, 70% foram impedidas de sair por usarem roupas consideradas “inadequadas” e 66% sofreram algum dano pela condição de mulher.

“São números altos e num grupo privilegiado, de mulheres esclarecidas. Ou seja, a mulher contemporânea, de elite, também vive situação de subalternidade”, lamentou a pesquisadora. 

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