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Humanizados, super-heróis misturam fantasia e vida real, aponta professor de Ciências da Religião

Pesquisador mostra como a Marvel trouxe dramas de minorias para personagens de aventura

29/10/2018 18h55 - última modificação 29/10/2018 19h37

Prof.Antonio Carlos mostra como a Marvel trouxe dramas de minorias para personagens de aventura

Ao contrário do que muitos pensam, história em quadrinhos não é paixão só dos pequenos, sejam em gibis ou nas telonas. Pantera Negra que o diga: é a melhor bilheteria de Hollywood neste ano e a 2ª melhor da história. O que é relativamente novo nas HQ e nos super-heróis é a “humanidade” com a qual vêm entalhados, trazendo dramas, angústias, alegrias e realizações como ocorre com qualquer um de nós. Mais do que isso, estão retratando – e com realidade indiscutível – minorias e a sociedade plural atual.

“O que o Stan Lee (o grande inventor da Marvel) tenta nos passar é que a Marvel nada mais é do que olharmos pela janela. Ele tenta realmente repassar os dramas humanos por meio das HQ. Há um primeiro objetivo, realmente, do entretenimento, mas com a receptividade do leitor, os criadores começaram a usar a narrativa mítica para expor a realidade. Negros, latinidade, homossexualidade e até mesmo a religião muçulmana passaram para a linha de frente das HQ retratados”, afirma professor Antônio Carlos Soares dos Santos, da Escola de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, que falou no Metô XP de 26 de outubro último sobre “Poder e Responsabilidade: Universo Marvel, Diversidades e Minorias”.

Professor Antônio Carlos se diz “marvete” assumido desde criança, por isso decidiu pesquisar o tema. Mostrou que a diversidade no universo Marvel não é nova, vem desde os anos 1930 e cresceu quando se tornou efetivamente Marvel Comics, nos anos 1960. A Era da comunicação digital potencializou as informações a respeito, daí a marca ter assumido o enfrentamento aberto da questão.

Veja imagens do evento: 

“Essa postura trouxe inclusive prejuízos para a Marvel. O novo Homem Aranha negro e latino teve muitas rejeições e comentários postados em redes sociais. Mas me parece que os novos cabeças da Marvel têm realmente um comprometimento com a sociedade, mesmo que por trás haja o objetivo do lucro” afirmou o pesquisador da Metodista.

Jihad

Outro super-herói que saltou para a realidade humana é Kamala Khan, primeiro personagem muçulmano da Marvel a liderar sua própria revista em quadrinhos e a mais recente heroína a adotar o título de miss Marvel. Ela é do sexo feminino, negra e adolescente de 16 anos, enfeixando uma classe pouco valorizada e que quebra padrões estéticos e culturais do Paquistão. “Ela foi acusada de promover uma jihad, ou guerra santa contra inimigos do Islã”, citou professor Antônio Carlos Soares dos Santos.

Antes de colocar Miss America Chavez, sua primeira personagem latino-americana lésbica, como protagonista da própria série América, em 2017, a Marvel ousou em várias ocasiões. Em 2012, seu primeiro personagem abertamente gay, Estrela Polar, finalmente casou-se com o antigo namorado Kyle Jinadu nas páginas do número 51 de "Astonishing X-Men". O campeão atual Pantera Negra mostra o drama das traições, de uma separação familiar e como super-heróis também têm fragilidades.

“Narrativas de heróis são uma releitura das narrativas míticas desde que o mundo é mundo e histórias começaram a ser contadas. Os personagens mais recentes, na verdade, representam grupos que até então estavam relegados a coadjuvantes estereotipados”, define professor Antônio Carlos, acrescentando que outro diferencial é que heróis da Marvel não matam; defendem a vida por meio de causas, por mais que pareçam fantasias. Veja imagens:

Metô XP, palestra sobre “Poder e Responsabilidade Universo Marvel, Diversidades e Minorias”

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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