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Instituições confessionais não devem entrar em guerra de preços, defende reitor do Mackenzie

28/01/2015 20h40 - última modificação 29/01/2015 20h37

Fotos Eduardo Damini

Mesmo num cenário adverso de mercantilização do ensino superior, as instituições confessionais não devem abrir mão do compromisso de bem educar e formar cidadãos críticos, éticos e solidários. "Temos que mostrar ao governo que somos diferentes. Temos compromisso com a valorização da cosmovisão cristã no ensino, na pesquisa e extensão, e não com a guerra de preços que transformou a educação em um mercado”, resumiu o reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, dr. Benedito Guimarães Aguiar Neto, na abertura do Atualiza 2015 - Programa Metodista de Educação e Desenvolvimento Docente, na noite de 26 de janeiro (foto).

Esta também foi a linha de pensamento de outro palestrante do evento, Nicanor Lopes, vice-reitor da Faculdade de Teologia da Metodista. Ele entende que a confessionalidade agrega valor a um sistema educacional e reforçou que a educação, para os metodistas, é ação concomitante à igreja. “O metodismo não vê na educação um negócio, mas sim uma oportunidade de promover o crescimento humano, de fomentar a consciência crítica e a formação cidadã, além de ensinar a ter ações emancipatórias, para que esse ser fuja de tutelas”, listou professor Nicanor.

Com o tema “Visão e Ação de Instituições Confessionais em um Cenário Competitivo”, o reitor do Mackenzie disse que não dispunha de fórmula mágica que fuja de ações como otimização de recursos financeiros e redimensionamento de cursos à realidade dos alunos. Mas encorajou as IES confessionais a não abrir mão da experiência social de atender a comunidade com bolsas de estudos, por exemplo, sem perder de vista a sustentabilidade acadêmica e financeira.

“Precisamos ver o conjunto da escola, e não os cursos individualmente. As modalidades mais fortes têm que suprir os custos de cursos pouco demandados”, sugeriu Benedito Aguiar Neto, que participa, entre outros, do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta e preside a Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas.

Concentração     

O reitor do Mackenzie admite que o cenário é adverso com a explosão das redes particulares, mas sobretudo com a concentração do setor por conta de fusões e aquisições. Citou que hoje 14 conglomerados detêm 35% do sistema educacional superior e que em poucos anos metade estará nas mãos de 12 grupos. “Não somos mais tratados como setor, mas como mercado. A movimentação é de R$ 30 bilhões em mensalidades por ano e isso fomenta práticas e disputas que não se coadunam com os valores da rede confessional”, lamentou.

Pelo Censo da Educação de 2013, havia no Brasil 2.389 instituições de ensino superior, 7,3 milhões de alunos e 32.049 cursos de graduação, 84% na rede privada. Somente 2,5% pertencem ao grupo confessional, que desde 2013 foram reconhecidas pelo MEC (Ministério da Educação) como instituições comunitárias.

Além de formarem um grupo pequeno, porém seleto, as IES comunitárias se deparam com um ensino superior superdimensionado, no entender do reitor do Mackenzie: só 40% dos alunos concluem o ensino médio. “Ou seja, há oferta de vagas sobrando no ensino superior e os que ingressam nele chegam com deficiências muito grandes”, descreveu.

Dr. Benedito Aguiar Neto aconselhou como saída um tripé que contemple manter a qualidade de ensino com competitividade, ter visão holística do mundo mas também foco nas realidades locais, e preservar a tradição sem deixar de acompanhar a contemporaneidade sobre o papel educacional das escolas.

O vice-reitor da Faculdade de Teologia da Metodista, Nicanor Lopes, reforçou que a instituição não abre mão das origens no século 18 sustentadas em: evangelho, educação e dimensão de solidariedade. “Somos um movimento religioso, mas que tem como centro a educação”, repetiu, em evento que teve como intermediador o reitor Marcio de Moraes.

Atualiza

Desde 1999, a Universidade Metodista de São Paulo desenvolve estratégias para ampliar a capacitação docente. Ao perceber a necessidade e reconhecer a importância da constante formação e atualização profissional dos colaboradores, foi instituído em 2007 o Comitê de Educação e Desenvolvimento Institucional, formado por representantes das Pró-Reitorias de Gestão de Pessoas, Graduação e Pesquisa e Extensão.

A formação e constante atualização do quadro de colaboradores é preocupação também do MEC que, por meio do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), acompanha constantemente as políticas de pessoal, de carreiras do corpo docente e corpo técnico-administrativo, seu aperfeiçoamento, desenvolvimento profissional e condições de trabalho.

Nesta perspectiva, foi lançado em 2008 o Programa Metodista de Educação e Desenvolvimento – Atualiza –, que tem como objetivo oferecer educação continuada do pessoal docente, técnico-administrativo e dos gestores. A agenda contempla cursos, oficinas, palestras, atividades culturais, materiais de apoio, tutoriais e notícias. Neste 2015, a Semana de Capacitação Docente do 1º semestre se estende de 26 a 31 de janeiro com 67 atividades programadas.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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