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Atividades começam com forte atuação interdisciplinar

02/07/2014

02/07/2014 19h55 - última modificação 19/04/2017 20h14

Na manhã do dia 24 de junho, os 47 voluntários envolvidos na edição 2014 do Projeto Canudos estavam em seus postos para início dos atendimentos para toda população da região de Canudos Velho. As intervenções de saúde, educação, sustentabilidade e comunicação começaram a todo vapor iniciando as atividades com a duração de duas semanas a partir desta data.

Ao longo do dia, a população recebeu atendimentos clínicos e laboratoriais que contemplaram áreas multidisciplinares da saúde como enfermagem, fisioterapia, biomedicina, terapia ocupacional, psicologia, nutrição, odontologia e medicina.

O morador Eugênio Nascimento da Silva foi o primeiro atendido na edição de 2014. Devido ao feriado no município, a demanda de atendimento foi bem reduzida se comparada aos dias normais de operação. Cerca de 35 pessoas foram atendidas em especialidades onde são esperadas até cerca de 80 pessoas por dia.

As atividades funcionam como estágios para os estudantes universitários. Para todos os atendimentos e atividades serão realizadas produções acadêmicas.

Atividades de educação foram direcionadas às crianças enquanto outras áreas também atuaram intensamente já neste primeiro dia, como foi o caso da equipe de meio ambiente e a equipe de comunicação.

O grupo da sustentabilidade formado pela estudante de medicina veterinária Priscila Alexandrino e engenharia ambiental Thaís Rocha de Queiroz, orientaram os moradores sobre plantação de hortaliças e vegetais. Toda discussão foi voltada para as possibilidades e dificuldades de cultivo alimentos no tipo de solo do sertão. Segundo Thaís, a equipe trouxe uma composteira, mecanismo de produção de adubo a partir de resíduos orgânicos, que será doada para comunidade. “O processo gera inúmeras vantagens como a melhora da fertilidade do solo”, afirmou. Já a estudante Priscila explica ainda que além da adubagem, a técnica de compostagem possibilita um destino correto para matéria orgânica que muitas vezes é incinerada com o lixo: “estamos ensinando como manter a composteira e instruir a criação de outras”. Outras atividades e alternativas sustentáveis estão previstas ao longo do Projeto.

A área da Comunicação, que está atuando no Projeto pelo segundo ano consecutivo, se encarregou de divulgar as atividades e atendimentos previstos ao longo do dia. A equipe também deu o pontapé inicial na produção de um documentário sobre as Mulheres de Canudos. Trata-se de uma produção que será realizada pelos alunos com direção da professora e coordenadora da Comunicação Camila Cabello.

Durante o dia foram gravadas as duas primeiras entrevistas para o filme com personagens contrastantes, mas com participação essencial na formação do vilarejo.

A primeira entrevistada foi Dona Miúda, uma das fundadoras da comunidade. Veio pra cá em 1971 para trabalhar na pesca e no açude Cocorobó. Dona Miúda relatou que a família se abrigou numa barraca na beira do açude. Até que perceberam que podiam vender o peixe deles e dos outros pescadores, assim iniciava o legado de uma família de empreendedores que hoje detém o comércio local. O marido tem um restaurante em Bendegó e chegou a ser vereador do Município de Canudos. Não pode mais se eleger por causa da lei proíbe o analfabetismo entre os candidatos aos cargos de poder no Brasil. Porém, durante os mandatos do marido que Canudos Velho conseguiu as poucas benfeitorias e infraestrutura local como o asfalto e a bomba do açude que abastece as casas. Já a filha, mantém um bar que se expandiu para beira do açude.

A outra personagem, Tia Elísia chegou na região em 73 com o marido, também atraídos pela pesca. A moradora começou a fazer cursos de alfabetização e a ensinar na escola, até o momento que julgou que seu conhecimento não era o suficiente para se manter na escola. Figura entre as mulheres mais acolhedoras do local. Foi ela que começou o contato com o Luís Salvatore do Instituto Brasil Solidário (IBS) e parceiro do professor Victor Bigoli no Projeto Canudos.

Segundo Camila, o objetivo do documentário é traçar um panorama das mulheres canudenses, sob ótica do trabalho. “Queremos investigar os desdobramentos dessa relação das mulheres com a sobrevivência local e mostrar o papel delas na organização familiar, na atuação junto à comunidade, além de mostrar como elas vivem e conduzem a comunidade”, explicou Camila.

As gravações serão feitas ao longo da edição enquanto as diversas atividades continuam de forma paralela.

Os serviços serão prestados das 8h às 11h e das 14h às 17h, em toda região de Canudos Velho, também conhecida como comunidade de Alto Alegre.

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