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Já parou para pensar no que as suas ideias podem render?

08/05/2013

08/05/2013 16h54

Auditório Sigma lotado durante palestra do Estúdio Colletivo no Multicom. Foto: Giovana Feltran

A economia criativa vem ganhando cada vez mais espaço como forma de gerar dinheiro e atender as oportunidades de mercado

Para alguns, economia criativa é algo novo. Pode até não ser um assunto familiar. Mas o fato é que não é tão novo assim. O conceito surgiu nos anos 90, na Austrália. Partindo da ideia de indústrias criativas, a expressão foi inspirada no projeto Creative Nation, que queria mostrar a importância da criatividade para a economia do país e o papel das tecnologias como parceiras da política cultural.

Na mesma década, o governo britânico entrou na história. A partir de uma análise das tendências de mercado e das vantagens competitivas do Reino Unido, eles estruturaram um plano de desenvolvimento estratégico para 13 setores, que foram identificados com potencial de geração de renda e empregos: Expressões Culturais, Arquitetura, Artes Cênicas, Artesanato, Cinema & Vídeo, Design, Mercado de Artes e Antiguidades, Mercado Editorial, Moda, Música, Software, Publicidade, Rádio e TV e Videogames.

No entanto, no Brasil, o tema começou a ganhar força há bem pouco tempo. Em junho do ano passado, o Ministério da Cultura criou a Secretaria da Economia Criativa, que tem em sua missão apoiar e fomentar os profissionais e os micro e pequenos empreendimentos criativos brasileiros.

Satisfação pessoal
Recentemente o assunto foi tema de uma das palestras do Multicom, evento organizado pelo curso de Produção Multimídia. No segundo dia, os sócios do Estúdio Colletivo, de São Paulo, contaram que, quando começaram, em 2003, já atuavam com a economia criativa e nem sequer sabiam disso. “Depois que a gente começou é que percebemos que, sem querer e por necessidade, fazíamos economia criativa”, lembrou Vanessa Queiroz durante a palestra.

Cansados de serem infelizes em seus empregos, aproveitaram que se davam bem ao fazer os trabalhos da faculdade e montaram o estúdio logo após se formarem para fazer o que gostavam mesmo: ilustração. Hoje, o Colletivo tem em seu portfólio clientes como Itaú, Nike e Conspiração Filmes.

“A economia criativa está muito galgada no prazer pessoal. Os jovens não querem mais só dinheiro. Eles perceberam que não é ter as coisas que dá prazer. O que vale mais a pena é o caminho, não é o resultado final”, observa Sérgio Genciauskas, coordenador do novo curso de Jogos Digitais.

Mas o que a economia criativa tem de diferente?
“Os setores criativos levam uma vantagem sobre os modelos antigos, porque não precisam de máquinas, construções, veículos para crescer. A evolução dessa economia depende muito mais das pessoas”, afirma o docente. Segundo ele, “o combustível da economia criativa está baseado em boas ideias. Enquanto tiver boas ideias, ela existe. Basta as pessoas acreditarem nisso”.

Outro aspecto apontado pelo professor diz respeito à aceitação do trabalho, algo enfrentado pelo Colletivo no início porque a maioria das agências não trabalhava muito com ilustração ou design, de acordo Vanessa. Entretanto,
essa dificuldade ainda existe.

Para Leonardo Brant, empreendedor criativo e presidente do Cemec, ins tituição que atua na fronteira entre arte, inovação, cultura e negócios, com foco nos setores cultural e criativo, “é uma barreira que tem a ver com a nossa cultura, com a relação entre Estado e sociedade, principalmente na produção cultural, e que não tem mais sustentação”.

Para ele, “o Brasil é um país capitalista, com uma extrema capacidade criativa, que precisa aprender a transformar isso em negócio para o bem da própria arte, da própria criatividade e se adequar de certa forma às potencialidades que o País oferta em termos de crescimento econômico, nova classe C, novas possibilidades de produção, de fusão, de rede. Acho que
é uma questão de tempo”.

O lado criativo se unindo ao social
O professor Marco Aurélio Bernardes, da Faculdade de Administração e Economia, aponta um outro caminho da economia criativa, que “nasce do potencial das pessoas em desenvolver conceitos, produtos e serviços pela articulação de parcerias e com poucos recursos financeiros”.

A Charlotte – Arte em Costura é exemplo disso. A empresa é formada por cinco mulheres que fabricam produtos sustentáveis, como ecobags, chaveiros e carteiras, a partir da reutilização de banners e embalagens longa
vida. O empreendimento recebeu o apoio da Associação Padre Leo Comissari,
de São Bernardo do Campo (SP), e conta com uma designer, que desenvolve alguns produtos. “Mas a maioria é criação nossa. Quando uma de nós vê alguma coisa nova, já comenta e leva para o corte, para ver como fica”, explica Nani Martins.

Sérgio Genciauskas lembra que o design passou por essa fase também de agregar valor. “Em Cunha, por exemplo, com peças de cerâmica. Lá foi criativo no sentido de escolher uma linha de design, saber trabalhar com ela e saber divulgar aquele tipo de material também.”

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