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Pichação é coisa séria

14/06/2013

14/06/2013 18h03

Muitas vezes tratado como criminoso, o pichador sofre muito preconceito. Estudos mostram que pichação é muito mais que tinta no muro

O tema tratado no VIII Encontro de Movimentos Populares e Cidadania: Trabalho, Literatura e Cidadania (veja a matéria na página anterior) não é novidade. Porém são inúmeras as visões sobre o assunto. Aqui você irá poder conferir o trabalho de um aluno que também pesquisou e trouxe suas visões sobre o assunto.

Pichação x Pixação
No decorrer da matéria você pode notar que certas vezes a palavra
estará escrita com “ch” e em outras com “x”. Luiz explica o porquê: “Delimitei meus estudos ao Movimento Pixo da cidade de São Paulo, sendo assim o título do trabalho também mudou de Pichação para Pixação”.

Pixação: a arte em cima do muro
Luiz Henrique Nascimento é aluno de Filosofia EAD do polo Campinas.
Em seu trabalho de conclusão de curso, decidiu produzir um artigo científico de filosofia da arte com o tema “pichação”. O aluno revela que na
adolescência, quando morava no Rio de Janeiro, estudou com muitos pichadores e foi nessa época que aprendeu quase tudo sobre o movimento.

“Me mudei para São Paulo há muitos anos e recentemente vi dois movimentos que me chamaram a atenção: o grafitti e o pixo. O graffiti entrou na moda, apresentava uma São Paulo cosmopolita, inspirada e artística. Já o Movimento Pixo era como a Zona Norte do Rio, marginal. Como sempre apreciei as letras e as tags da pichação, decidi saber sobre a pichação de São Paulo, que é totalmente diferente do Rio.”

Luiz conta que fez um estudo filosófico consistente, sem misticismos e deduções, “um estudo de quem conhece a pichação e convive com as pessoas que o condenam”. O tema polêmico fez com que ele quisesse saber cada vez mais sobre o movimento.

“Muitos criticam sem saber nada do movimento, nem as motivações. A pichação é feita por excluídos e demais pessoas que se despertam, que não querem mais aceitar o que já é pronto e estabelecido.”

Após estudos de caso, ele se sentiu na obrigação de contribuir com o movimento conforme fosse possível. Com teorias filosóficas e artigos de professores, Luiz procurou embasar seu conceito de arte contemporânea.
“Acredito que é uma forma de arte que não deve satisfações, uma arte
sem valor para o capitalismo, que vira as costas para a sociedade, não pede aprovação e tem como único objetivo despertar experiências estéticas únicas e verdadeiras”.

O autor da pesquisa não focou só na arte, ele também analisou as contradições da sociedade e das leis. “Chamar a arte de vandalismo é fácil. A lei que enquadra a pichação como crime ambiental traz uma incoerência, já que não há nada cientificamente provado de que a pichação cause algum da no à saúde humana ou ao meio ambiente. Fora isso, marcas de roupa que poluem rios com elementos altamente tóxicos utilizam a linguagem visual da pichação e são valorizadas ao invés de condenadas por crime ambiental. E no momento que a pichação está estampada nestas camisetas e não nos muros, ela se torna aceitável.”

Quando questionado sobre a importância de ter realizado o estudo, Luiz diz que para ele, pichação é cultura popular. “Essa arte marginal dos grandes centros ninguém chama de arte popular. Acho importante desmistificar isso e mostrar que crime ou não, é uma expressão popular, feita por pessoas sem grandes recursos, tentando escrever uma história.”

Na mesma linha de pensamento, o aluno conclui que “gostando ou não, a pichação é arte. Goste ou não, ela também é crime. Uma coisa não exclui a
outra. Normalmente somos dualistas, preto no branco, como se algo não pudesse ser bom e ruim ao mesmo tempo. Vi que o preconceito não ajuda em nada no combate à pichação. Pelo contrário, é preciso se aproximar dela. Assim como um espectador de arte contemporânea lê o prospecto e faz uma imersão no trabalho do artista para entendêlo, é preciso fazer uma imersão no mundo da pichação para entendê-la. E quem sabe assim, um dia, podemos encontrar uma solução”, completa.

O trabalho do aluno também foi apresentado no último Congresso
Científico da Metodista e pode ser encontrado na íntegra: bit.ly/11ZpdxI

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