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Eleições & Cidadania

25/01/2013

25/01/2013 17h27

Claudio de Oliveira Ribeiro, professor de Teologia na Universidade Metodista de São Paulo, fala sobre o envolvimento entre política e  religião.

Qual é a importância do voto para o cidadão?

O voto é sempre um canal importante para o exercício da cidadania. É fato que o processo democráticor e quer outras formas de participação além dos processos eleitorais, como o reforço dos movimentos sociais, a defesa dos direitos humanos, o acompanhamento crítico e controle democrático do judiciário e da mídia. Entretanto, o voto é sempre um canal de corresponsabilidade, expressão popular e de exercício educativo para a cidadania.

Qual é a sua opinião sobre os candidatos que utilizam a religião para ganhar votos?

A relação entre religião e política é historicamente complexa. No Brasil, os políticos sempre usaram a religião católica para ganhar voto sou legitimação popular. A partir da década de 1980, os grupos evangélicos também passaram a destacar a dimensão religiosa nos processos eleitorais. Grupos não cristãos, embora minoritários, também adotam esta prática. A religião deve ser utilizada adequadamente para se ganhar votos. Ou seja, deve-se discutir o papel da religião em um estado laico. Ela deve ser um reforço da democracia e não um substituto dos fóruns de decisão política.

Como as igrejas veem o processo eleitoral?

A maioria das igrejas deseja ter uma influência no processo eleitoral e dentro delas há grupos que defendem a democracia e, portanto, defendem que as igrejas não podem substituir os partidos políticos e o debate democrático. Mas também há grupos que consideram que os processos eleitorais são oportunidades de se fortalecer as próprias igrejas. Por isso, as igrejas, tanto a católica como as evangélicas, convivem internamente com práticas contraditórias. De um lado, e por vezes ao mesmo tempo, estimulam e criam espaços de debate em torno das questões políticas e, de outro, escolhem caminhos para defender os próprios interesses.

Como você acha que a população poderia se envolver melhor com as eleições?

Minha opinião é que o voto não deveria ser obrigatório e que os espaços na televisão e no rádio para propaganda eleitoral fossem somente na forma de debates entre os candidatos. Talvez isso reduzisse o número de pessoas envolvidas com as eleições, mas daria maior qualidade aos processos.

Qual relação o senhor faria entre eleições e religião?

É difícil falar de religião em geral, mas posso indicar algo sobre a minha, que é a cristã. Ela requer que a fé seja vivida sempre em permanente preocupação social, tendo em vista um mundo marcado pela justiça social e pela valorização das pessoas pobres, a exemplo do que fez Jesus. Nesse sentido, as eleições são oportunidades importantes para que possam ser expressas as preocupações sociais e como podemos encontrar caminhos mais adequados para a superação das desigualdades e para a prática da justiça.

 

Gustavo Carneiro

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