Ferramentas Pessoais

Você está aqui: Página Inicial / Notícias / 2012 / Novembro / “Cidadania não se aprende no livro”

“Cidadania não se aprende no livro”

19/11/2012

20/11/2012 17h50 - última modificação 20/11/2012 17h55

Para Débora Vilalba, “a gente fala muito em direitos, mas as pessoas se esquecem dos deveres”. Foto: Lara Molinari

[ NO DIA DA UNIVERSIDADE ABERTA, A APRESENTADORA DO PROGRAMA A LIGA, DÉBORA VILALBA, PARTICIPOU DE UM BATE-PAPO COM JOVENS ESTUDANTES SOBRE CIDADANIA E FORMAÇÃO PROFISSIONAL

A jornalista e apresentadora do programa A Liga, Débora Vilalba, esteve na Metodista no Dia da Universidade Aberta, em outubro, para um bate-papo com jovens estudantes e vestibulandos sobre formação profissional e cidadania. Ela falou sobre a escolha da carreira, compartilhou um pouco da sua experiência no programa e do contato com a realidade de um Brasil que não conhecia. O Jornal da Metodista quis estender um pouco mais a conversa e você confere os principais trechos aqui:

Mudança de rumo

“Eu trabalhava com jornalismo esportivo há muito tempo. Já tinha passado por vários canais e, no começoda minha carreira, eu trabalhava com esporte radical. Uma característica muito presente é que sou uma pessoa que ‘me jogo muito nas coisas’, eu ‘pago para ver’. Quando A Liga surgiu, no projeto eles tinham essa lacuna para ser preenchida por uma mulher que tinha mais ou menos esse perfil. E toda essa coisa de destemida que eu tinha por esporte, acabei indo para esse lado social, de ir aos lugares sem medo, de encontrar algumas situações difíceis.”

A Liga

“A minha vida mudou depois d’A Liga. Eu trabalhava com jornalismo esportivo, então eu vivia num mundo mais cor-de-rosa, muito mais saudável, onde as pessoas são mais felizes e o mundo parece ser mais igual. Fazendo A Liga, eu vi que a gente vive num país pobre, miserável, que as pessoas que têm condição não ajudam as que não têm condição. Não estou falando de filantropia, não. Estou falando de cidadania.”

“O primeiro passo n’A Liga foi deixar os meus medos de lado e não ter medo de assumir  ‘sim, eu penso dessa forma’, ‘eu ajo dessa forma’. E eu tentei ser eu mesma ao máximo. Sem linha editorial, sem nada, como ser humano. ‘Como o ser humano Débora Vilalba agiria numa situação como essa?’.”

“Nem todo mundo precisa passar por situações tão traumáticas quanto eu passo, mas eu acho que as pessoas tinham que olhar um pouco mais ao redor, parar de olhar para si próprio, olhar em volta. A gente não precisa de tanto para viver.”

Fazendo a diferença

“Faço a minha parte. Parece meio piegas falar assim, mas é um trabalho de formiguinha. Eu também não tenho poder. Tenho poder da mídia com A Liga, mas sem ela eu sou mais uma cidadã. Não sou rica. Então, não posso gastar dinheiro e ajudar o mundo. Mas eu posso olhar para a favela da Água Espraiada, que é ao lado da minha casa, que pegou fogo.”

Direitos e deveres

“A gente fala muito em direitos, mas as pessoas se esquecem dos deveres, que são tão importantes quanto os direitos.”

“Os nossos deveres estão escondidos. A gente briga muito por direito. Os direitos já estão conquistados por direito. Agora,  os deveres de ci dadãos ficaram muito de lado. Acho que a essência está no resgate dessas obrigações. As pessoas têm que ter noção de que para viver em grupo tem algumas regras, se não, tudo vira uma grande loucura e não se chega alugar nenhum.”

Visão cidadã na formação e na atuação profissional

“A partir do momento que você tem um ser humano que tem uma consciência de cidadania, você tem um profissional que tem essa consciência.”

“Eu acho que a cidadania está atrelada à formação do caráter da pessoa. Mas isso daí vem de casa. Isso é uma coisa que não adianta querer aprender na faculdade (...). Acho que é muito mais aquela coisa da infância, da criação, da adolescência. Na idade universitária, só reforça. É aonde ele vai estabelecer ‘eu sou isso’ ou ‘eu sou aquilo’. Eles podem mudar depois de adultos, de encontros com outras realidades, mas a formação mesmo é durante a vida. Se ele não tiver bons exemplos, não digo só em casa, mas ao redor, ele não vai conseguir aprender isso. Cidadania não se aprende no livro.”

 

Mesmo que você não tenha participado do Dia da Universidade Aberta, saiba que ainda é possível conhecer a Metodista e ter mais informações sobre os cursos oferecidos. Basta enviar um e-mail para: vestibular@metodista.br para agendar a sua visita.

 

 

Gabriela Rodrigues

gabriela.rodrigues@metodista.br

Comunicar erros


Portlet de conteudo estático
Portlet de conteudo estático
Portlet de conteudo estático
Portlet de conteudo estático