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Projeto Rondon Operação Capim Dourado: a primeira semana em Tocantins

24/07/2012

24/07/2012 14h14

Operação Capim Dourado, em Tocantins. Foto: Camila Cabello

24/07/201224/07/2012

Daniela Gonçalves

Depois da queda do diploma, muita gente me questiona se ainda vale a pena cursar jornalismo. Digo que vale a pena vivenciar uma universidade e experimentar coisas que fora dela não há possibilidade. O que a universidade traz não é apenas um certificado dentro de um canudo. Há tanta oportunidade dentro desse universo que tenho certeza de que a maioria dos estudantes não tem noção.

Extensão universitária é a grande chance de saber o que rola fora do mundo que escolhemos para passar quatro, cinco anos de nossas vidas. Principalmente para universitários do Sudeste, que precisam olhar mais vezes aqui pra cima e saber que a nossa realidade não reflete a do resto do país.

Estou na reta final, esse será meu último semestre e os três anos e meio dentro desse universo da faculdade me fizeram não só realizar sonhos, mas me permitiram sonhar o que eu então não conhecia. Lá no começo, aprendendo a estruturar um texto, me posicionando pela primeira vez em frente a uma câmera, não imaginava que alguns semestres depois eu estaria dando oficinas de audiovisual para jovens em Marianópolis do Tocantins. Quando escolhi trabalhar com jornalismo cultural, sabia da transformação que a arte faz na vida das pessoas, mas é incrível entender o poder de agregação que uma simples sessão de cinema ou um sarau no meio da praça tem.

Pode parecer demagogia, mas aqui tenho aquela sensação de estar de fato contribuindo para a sociedade, aquele papo que muito estudante de jornalismo tem no começo do curso, aqui parece que se concretiza. Sabe aquela história de que você se relaciona melhor com os outros quando conhece bem a si mesmo? - temos duas estudantes de psicologia no grupo, então esse tipo de papo é constante por aqui - Pois então, eu acho que todo jornalista que sonha em viajar e conhecer o mundo, cobrir grandes guerras, ir ao Vaticano e fazer uma matéria em frente à casa do Papa, deveria primeiro conhecer o Brasil, para se relacionar melhor com o mundo.

Hoje pegamos a estrada em direção ao Rio do Coco para chegar ao local onde uma parte da população local passa suas férias.  A estrada, sem asfalto, é estreita e galhos e árvores entravam no ônibus pelas janelas, sacudindo aos montes, fazendo do percurso um verdadeiro “Rali no busão”.

No entanto, isso não incomoda, já que ao olhar de um lado para o outro, a mata se entendia até onde meu olhar alcançava e o pensamento de “como esse país é grande” era inevitável. Incomodava mais pensar na agonia de São Paulo com tanta gente por metro quadrado, e aqui esse tanto de espaço sem ninguém para ocupar. Este é só um dos questionamentos que rondam a cabeça de quem tem esse choque de realidades. A vontade é de sair filmando e fotografando tudo, fazer um documentário sobre cada pessoa, cada lugar.

Mas não é assim que funciona, ninguém gosta de ter um gravador ou uma câmera enorme na cara e atrás dela um completo desconhecido. Conhecer, aliás, é a palavra chave. Saber que quem está aqui não são “eles”, mas “nós”, de uma mesma nação, com medos e vontades parecidas, mas com oportunidades diferentes. E uma leve diferença na intensidade do sol também.

Aliás tem feito frio por aí? Aqui pegamos 42 graus em Palmas e à noite faz em média 28 graus. Parece estranho escolher passar as férias em Tocantins (quem que vai pra Tocantins, afinal?). Entrei na Metodista uma estudante e saio uma profissional, tendo cada vez mais vontade de conhecer o Brasil e sonhando que o Projeto Rondon seja tão concorrido quanto o JUCA. Não custa nada sonhar? Custa muita reprovação alheia, muito questionamento e reflexão sobre o conceito de o que é bom. Mas, independente disto, vendo o sucesso do nosso projeto, a gente aprende a caminhar com esperança.  Isso é Rondon.

Daniela Gonçalves é estudante do oitavo semestre de Comunicação Social – Jornalismo.
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