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Caco Barcellos critica mídia brasileira

24/03/09

24/03/2009 21h37 - última modificação 31/03/2009 18h18

No início do Painel I do Seminário Internacional de Mídia e Violência, sediado pela Universidade Metodista de São Paulo, o renomado jornalista brasileiro, Caco Barcellos foi ovacionado pelo público quando subiu ao palco. Em sua apresentação, Caco tentou fazer uma breve retrospectiva das coberturas midiáticas realizadas no Brasil, nos últimos 30 anos. Para ele, o jornalismo teve um papel fundamental na redemocratização do País, porém desde a conquista, os jornalistas perderam o “rumo” e ainda hoje, estão em busca de encontrar os seus limites.  

“Falhamos na cobertura de crimes mais graves (homicídios). Não contextualizamos, não levamos a refletir. Matamos 50 mil pessoas por ano, isso é muito mais do que em zonas de guerra como o Iraque ou Afeganistão”, explica.  

O repórter brasileiro criticou a falta de eficiência da mídia em cobrir a violência no País. Para ele, a forma com que os veículos de comunicação realizam suas coberturas contribuem para a falta de informação da população nacional sobre a realidade. “A mídia brasileira é eficiente na cobertura de crimes contra o patrimônio, como a corrupção. Mas com relação aos crimes de morte, no que se refere ao valor da vida, tem se mostrado uma mídia incapaz”, revelou.  

De acordo com o jornalista, os profissionais não buscam conteúdos noticiosos que mostrem os dois lados da história e exageram ao expor um fato. “A cobertura da imprensa é capenga e foge do contexto da história. As pessoas não sabem quem realmente mata no país, agente não divulga a verdade porque não subimos nos morros, não entramos nos barracos. Hoje no país, 20% dos homicídios são causados por policiais, 75% pelos cidadãos comuns e o restante, 5% é causado pelos “bandidos”, enfatizou.  

O painel da tarde tem como tema principal “Experiências Comunitárias: Informação e Cidadania”, com abertura às 14h. O mediador do debate é o professor da Faculdade de Comunicação Fábio Josgrilberg e os convidados são Maurício Segura, do blog canadense Montreal-Nord; Vanessa Reis e Claudio Nunes, da associação cultural Kinoforum; e Cicília Peruzzo, professora da Faculdade de Comunicação da Metodista.

Acompanhe os principais momentos do Seminário Internacional via Flickr (www.flickr.com/midiaeviolencia), Twitter  (http://twitter.com/metodista), pelo Portal Metodista e pelo Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).

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