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Confira a homenagem ao professor Maraschin

03/07/09

03/07/2009 21h54

Faleceu na última segunda-feira, 29 de julho, o professor, poeta e teólogo Jaci Correia Maraschin, vítima de câncer recém-descoberto. A tristeza dos funcionários e docentes da Metodista por sua perda não torna menor a sua obra e nem o sentimento despertado naqueles que tiveram a privilegiada oportunidade de dividir planos, projetos e estudos com o pesquisador.

De uma inquietude intelectual rara nos dias de hoje, o professor Maraschin não se furtava o direito de semear essa inquietação em seus alunos, como forma de contribuir na formação de pessoas capazes de repensar e criar uma sociedade mais justa. Segundo editorial escrito pelo professor José Marques de Melo, em junho de 2006, em virtude da aposentaria do colega, dedicou-lhe as seguintes palavras. “Sua marca tem sido o magistério confessional, inspirador do liberalismo no campo das ideias, do pluralismo no terreno científico e do ecumenismo no âmbito religioso.”

O professor participou do grupo que planejou a criação da Universidade Metodista de São Paulo, entre tantas outras ações. Por isso, mesmo em meio à dor causada por sua partida, fazemos essa homenagem, deixando as palavras por conta de algumas pessoas que conviveram de perto com o professor.

“Quero referir-me ao Maraschin na condição que eu o descobri, ou seja, como jovem que era, no final dos anos 70, cantando suas poesias nos Congressos de Jovens, nos acampamentos regionais. Imaginando, como alguém que nasceu e cresceu numa pequena igreja do interior paulista: como seria essa pessoa?

Vim descobrir, muitos anos depois e com muita alegria, que não se tratava de uma simples pessoa mas de alguém que conseguia, com extrema simplicidade, dizer e fazer as coisas que nos pareciam as mais difíceis e complicadas.

Trabalhar, posteriormente, com o Maraschin foi uma excelente experiência, embora o convívio não tenha sido tão próximo como o de tantas pessoas que tiveram esse privilégio.

Uma de suas poesias que sempre seguiremos cantando, agora com muito mais emoção: ‘junto aos rios de Babilônia, nos sentamos a chorar...’”

Prof. Marcio de Moraes, reitor da Universidade Metodista de São Paulo

 

“Conheci o professor Maraschin como aluno da Faculdade de Teologia, em1966. Ele retornava da Europa onde tinha feito doutorado na Universidade de Estrasburgo. Na época, trabalhava com o professor Aharon Sapzesian na Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos. Ele nos ajudou muito na construção de um espírito acadêmico, sua contribuição pode ser traduzida em três palavras: Honestidade intelectual, criatividade e diálogo. O Maraschin era uma pessoa muito criativa e espontânea. Tinha um gênio muito amistoso e ao mesmo tempo muito educado”.

Prof. Rui Josgrilberg, diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo.  

 

“Professor Maraschin foi alguém que não se conformava com regras rígidas que regem a racionalidade do mundo acadêmico, e nem se encaixava em esquemas morais ou sociais que procuram controlar a vida das pessoas. Com a sensibilidade de poeta e musicista, ele relativizou e se contrapôs à razão “dura”; com o gosto pela vida, ele rompeu com esquemas moralistas; e “falou” de Deus na e pela sua arte.”

Jung Mo Sung, coordenador da Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo

 

 

“Juventude não tem idade,

 Alegria um estado de espírito,

  Companheirismo é doação,

   Inspirando vida no coração.

 

    Como o por do sol não é fim de dia

     Ou o descanso a inanição,

      Revolve-se a alma do homem,

       Ruidosa, inquieta e criativa,

        Embalando na pretensa calmaria

         A existência em todo o seu fragor.

 

          Manhãs de alento e criatividade,

           A sua alma sugere uma canção,

            Ratificando a graça do existir,

             A fragrância da boa amizade.

              Sufragando os dons da natureza,

               Coloca-se diante de sua singeleza,

                Hodierna e de eterno calor.

                 Inefáveis momentos de grandeza

                  Nas suas poéticas palavras de amor”

Homenagem feita pelo prof. Davi Barros, ex-reitor da Universidade Metodista de São Paulo, em 2006, por ocasião da aposentadoria do prof. Maraschin.

 

“Jaci,

Você se foi.
Ficou conosco a beleza e o som de sua música.

Tanta poesia, tantas palavras lindas no momento certo. Tanto convite a refletir e a partilhar.

Ficaram seus ensinamentos.

Todo o movimento ecumênico seguirá desfrutando a leveza do que nos deixou.
Agora é a sua vez de ser acolhido. Que Deus o receba e lhe dê a merecida recompensa:

A PAZ!

Nosso carinho para a IEAB, para sua família e para a equipe que construiu muitos caminhos junto com você nesses anos todos,”

Eliana Rolemberg, em nome da equipe da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).

 

“Aprendemos com você, caríssimo e saudoso Maraschin, que ‘a beleza vem de repente. Vem no tempo do Espírito Santo. Vai chegando aos poucos para que o esplendor profundo de sua iluminação não nos ofusque. [...] Essa beleza vem vindo e só nos resta deixar que ela apareça entre nós na ‘beleza da santidade’.

Maraschin, originariamente, gaúcho de Bajé, tornou-se reconhecidamente cidadão do mundo. Respeitado como pesquisador erudito e como sacerdote de rara vocação, pastoreou rebanhos de todos os continentes, com sua teologia ético-estética, e seus poemas-canções litúrgico-encarnados.

Hoje, tornou-se, definitivamente, cidadão pleno do reino da beleza eterna!

Querido Maraschin, como você mesmo dizia, a beleza é cheia de manhas, “dá-se porque talvez não exista sem a dádiva. Mas recolhe-se na indecisão de se perder. Como a música. Vai se dando ao nosso ouvido e na medida em que mais se dá mais se esvai em recordação e esquecimento. Ela anda depressa e nós queremos alcançá-la com nosso corpo…” Assim mesmo, você foi para nós uma dádiva… como uma música, que quanto mais se dá, mais se esvai em recordação…

Quanto a nós… continuaremos a usufruir do seu talento por meio da sua obra… seus textos, seus poemas, sua música, encontrarão voz nas nossas vozes… corpo em nossos corpos…

Trataremos de pôr em prática o que você tão belamente nos ensinou, num dia morno de primavera, ao redor da mesa, enquanto partilhávamos uma “injusta refeição”: “A liturgia tem que ser menos palavras e mais corpo!”

Ao concluir esta singela homenagem, peço licença ao querido Sérgio Marcus, para reproduzir-lhe as bem-ditas palavras:
“O dia de hoje é de tristeza, porque nosso amigo Maraschin saiu de cena depressa demais. Ao mesmo tempo é de júbilo. Ele correu uma grande carreira e deve estar fazendo música lá nos páramos!!! Vamos pegando o bastão da corrida e seguir no revezamento!”

Até breve, de repente a gente se encontra… na beleza da santidade!”

Luiz Carlos Ramos, professor da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo.

 

“Recebemos, com tristeza, a notícia do falecimento hoje, do rev. Jaci Maraschin.

Muito, muito triste, perder um amigo de mais de 20 anos.

Em nossa última troca de emails estávamos planejando um Simpósio sobre Música Litúrgica no Brasil para 2010, reunindo representantes de várias tendências.

Silêncio e dor, é o sentimento hoje.

Gratidão por tudo o que nos ensinou e saudades, serão os sentimento de sempre.

Com fé na ressurreição,”

 Rev. Carlos Eduardo Calvani, coordenador do Centro de Estudos Anglicanos (CEA)

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