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Capital de risco está sedento por startups, dizem investidores

Evento da Metô XP e incubadora Mondó traz especialistas para falar de Corporate Venturing

01/10/2018 20h50 - última modificação 02/10/2018 16h31

Thiago e Benício falaram sobre Corporate Venturing em evento da Metô XP-Incubadora Mondó

Se investidores anjos acrescentam músculos aos primeiros passos das startups, aportando pequenas somas e fomentando diversos empreendimentos ao mesmo tempo, quem vai mesmo ativar as turbinas do negócio atende pelo nome de venture capital (capital de risco). E aqui a conversa é de gente grande, disposta a colocar R$ 5 milhões, 10 milhões, até 30 milhões se farejar que o nicho é promissor e a empresa está estruturada.

“Mas ele quer retorno equivalente, ou seja, de 5, 10, até 30 vezes o que investiu. Por isso, antes de pedir dinheiro, a startup deve fazer as contas de quantos múltiplos vai entregar para quem está investindo nela”, afirma Thiago Matsumoto, segundo quem cabe ao empreendedor provar o quanto seu negócio é sedutor. “Investimento de risco não é para pagar dívida, folha de salários ou imposto. É para alavancar o negócio”, completou.

A boa notícia é que há investidores em busca de bons negócios iniciantes de tecnologia em qualquer idioma e o Brasil tem a vantagem de concentrar 55,7% dos aportes feitos na América Latina. Melhor ainda: faltam startups para o fluxo de investidores disponíveis:

“Na contramão da crise, vê-se no Brasil aumento dos aportes em startups, principalmente porque investimentos tradicionais em títulos financeiros não estão monetizando diante da baixa dos juros. Só que o universo ainda é pequeno. Ou seja, não falta capital de risco, mas empreendimentos”, reforçou Benício José, sócio de Thiago na Dodeca Investimentos. Os dois falaram na Universidade Metodista de São Paulo na noite de 27 de setembro passado sobre Corporate Venturing, em evento da Metô XP com a incubadora Mondó, da Umesp.

Agro e internet das coisas

Os setores mais promissores onde atualmente o Brasil tem potencial para avançar são as agtechs (do agronegócio), fintechs (ramo financeiro) e Iot (startups que produzem hardware para internet das coisas). “As agtechs formam um nicho campeão, pois o Brasil é considerado um Vale do Silício nesse segmento, pelo número e pela qualidade das startups”, animou Benício José. A título de comparação, Portugal soma 40 mil startups para 12 milhões de habitantes. No Brasil de 209 milhões de pessoas são 10 mil empresas do ramo, mas não mais que 4 mil realmente viáveis, de qualidade. O 2. Censo Agtech Startups Brasil recém-divulgado mostra que empreendimentos voltados ao agronegócio mais que dobraram entre 2016 e 2018, saindo de 76 para 184 atualmente. Juntos, criaram mais de 1,5 mil empregos de alta qualificação no País.

Benício José expôs que a métrica de sucesso de startups brasileiras tem sido semelhante à americana: de cada 10 negócios, sete têm grande dificuldade de se inserir no mercado, cinco quebram e o restante consegue se estabelecer e reinvestir, ou seja, de 20% a 30% têm retornos interessantes. São esses que atraem o capital de risco.

No mercado de tecnologia há mais de 20 anos e CEO da empresa Ravel Tecnologia, Benício José desenvolve há cinco anos atividades como mentor e investidor em startups. Ele explicou que investidor anjo é geralmente um empreendedor que deu certo e juntou boa soma de capital, ou um profissional liberal também com recursos que quer diversificar o porfólio. “É difícil encontrar um investidor que só foca startup. Um fundo de investimento, por exemplo, normalmente é composto por empresários que já entendem esse mercado, trouxeram experiência de fora. No Brasil, agora estamos tendo as primeiras sequências de empresários que tiveram muito sucesso, venderam seus negócios e estão investindo. O caso mais clássico é o Buscapé. Todos os fundadores reinvestiram seus lucros. Estamos no começo desse ciclo”, disse.

Os palestrantes explicaram que, além de empreendedores, os fundos de investimentos estão com os radares ligados em busca de oportunidades. Os fundos têm composição diferenciada, por exemplo, de family office e de bancos. O maior fundo brasileiro de startups atuante no Brasil, o Bossa Nova, foi comprado pelo BMG, lembrou Benício, cujo fundo Dodeca Investimentos tem um banco parceiro.

A incubadora de empresas Mondó foi aberta em 2017 pela Universidade Metodista com apoio do Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul (ITESCS) e do CIESP(Centro das Indústrias de São Paulo) regional São Bernardo. Seu objetivo é apoiar a formação, a conexão e a consolidação de projetos e empreendimentos que apresentem serviços ou produtos inovadores. Veja imagens do evento de Corporate Venturing: 

Corporate Venturing, palestra do Metô XP de 27 de setembro de 2018

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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