Ferramentas Pessoais

Você está aqui: Página Inicial / Matemática / Notícias / Desinteresse das escolas pela Olimpíada da Matemática impede estímulo ao aluno

Desinteresse das escolas pela Olimpíada da Matemática impede estímulo ao aluno

Medalhista queixa-se da pouca atenção das escolas; professor ensina truques para despertar alunos no III Encontro realizado na Metodista

04/08/2015 20h20

Carlos, Renata e prof. Débora

Dois jovens medalhistas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas emocionaram a plateia de mestres no 3º Encontro de Professores de Matemática promovido em 1º de agosto na Universidade Metodista de São Paulo. Renata Miranda, 16 anos e Medalha de Ouro em 2013, e Carlos Danilo Maciel, 21 anos e Bronze em 2007, falaram do desafio que os moveu à dedicação aos estudos e a superar as limitações encontradas na educação pública. Carlos, inclusive, está de malas prontas rumo à Austrália pelo programa Ciências Sem Fronteiras e queixou-se da pouca atenção de sua ex-escola para a Olimpíada, a ponto de ter ignorado sua premiação. Vários professores deram testemunho sobre o desinteresse dos diretores.

“Muitas vezes o convite fica parado na direção ou coordenação porque a escola não acredita que seus alunos têm capacidade. Os jovens, por sua vez, não se interessam porque não têm informações. Cabe, então, aos professores serem os grandes animadores desse processo”, convidou professora Débora Bezerra, coordenadora do curso de Licenciatura em Matemática da Metodista e da regional Grande São Paulo da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP).

Tanto o medalhista Carlos Maciel quanto professora Débora reforçaram que as escolas devem incentivar os alunos a fazer o que gostam. Carlos alertou que na maioria das vezes professores preocupam-se com jovens problemáticos e indisciplinados em sala de aula, deixando de lado potencialidades despercebidas. Ele diz que sempre gostou de estudar, mas desconhecia o dom pelos números e cálculos e descobriu isso sozinho. Professora Débora acrescentou que as escolas não devem esperar que a OBMEP revele pequenos talentos. “A Olimpíada não tem só gênios. Muitos medalhistas nem estavam entre os alunos exemplares”, citou.

Qualidade melhora          

A OBMEP foi tema da mesa-redonda que abriu o III Encontro de Professores de Matemática. Além de incentivar o gosto de crianças e jovens pela disciplina, o evento tem melhorado os índices de qualidade das escolas participantes em 2% ao ano nestes 10 anos de existência, citou professora Débora. Ela também atribui à Olimpíada a melhoria no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), Na etapa 2012, entre 65 países comparados, o Brasil ficou em 58º lugar em matemática, 55º em leitura e 59º em ciências. Matemática foi a única disciplina em que os brasileiros apresentaram avanço, ainda que pequeno, saindo de 386 pontos em 2009 para 391 pontos --a média no mundo é de 494 pontos. Apenas em 2015, a OBMEP distribuirá 500 medalhas de ouro, 1.500 de prata, 4.500 de bronze e 46.500 menções honrosas. A divulgação dos premiadas será em 27 de novembro.

Mas o OBMEP não é só prova. O certame oferece bolsas para Programas de Iniciação Científica (PIC Jr. e PIC Mestrado), o PECI (Preparação Especial para Competições Internacionais), o POTI (Polos Olímpicos de Treinamento Integrado), Clubes de Matemática, Portal da Matemática e o OBMEP na Escola, a maioria para treinar e ensinar a admirar a disciplina.

O medalhista Carlos Maciel, que hoje cursa Engenharia Mecânica, foi instrutor do PIC Jr. durante quatro anos. A também medalhista Renata Santos Miranda seguiu caminho semelhante de ajuda aos que têm dificuldades em aprender e criou um grupo de estudos para incentivá-los.

Truques e mágicas          

Tornar a matemática estimulante também foi um desafio abraçado pelo professor Pedro Luiz Malagutti, da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos-SP). Por meio de jogos, mágicas e truques, ele mostrou no encontro dos professores várias técnicas para ensinar números, cálculos e fórmulas de forma atraente e divertida. Professor Malagutti é autor de inúmeros livros nessa área e discorreu sobre “Divulgação Científica em Matemática: Mágicas e Outros Mistérios” a um público atento de adultos e sobretudo crianças.

“O Brasil é o país que mais produz matemática entre os emergentes. Temos inclusive uma medalha Fields (que destaca estudos mais proeminentes) e muita gente capacitada para pesquisa, mas não para ensinar. Nossas escolas nunca foram tão ruins como agora e é vergonhoso o fosso entre centros de pesquisa de ponta e o dia-a-dia do brasileiro comum”, lamentou. Várias oficinas foram montadas na Metodista ao longo do dia sobre como utilizar jogos, figuras e papel como alternativas para o ensino.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
Conheça Outras.

Comunicar erros


Leia mais notícias sobre: , , , ,

DEBORA BEZERRA - COORDENADORA
Débora Bezerra
Veja o minicurrículo

 

 

Receba informações de oferecimento sobre esse curso:

X