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O dia em que um aluno deu aula aos professores

11/02/2016 13h09

Professores Márcio, Júlio e o convidado Kennedy Alencar durante a Assembleia Docente. Foto: Israel Bumajny

O ano letivo mal começou, mas a Universidade Metodista de São Paulo já recebeu na manhã de quinta-feira, 4 de fevereiro, a primeira aula do ano. Mas essa foi uma aula diferente: não foi numa sala, mas no Salão Nobre; quem ministrou não foi um professor, mas um aluno e quem assistiu não foram alunos de graduação, mas os próprios professores. É que nesta data foi realizada a Assembleia Docente do 1º semestre de 2016 e, para abordar o tema “Cenário Político e Econômico Brasileiro”, foi convidado o jornalista Kennedy Alencar, formado em jornalismo pela Metodista.

Como o professor Marcio de Moraes pontuou em sua fala, a Metodista não tem ex-alunos, tem alunos, mesmo que já formados. E Kennedy parece ser da mesma opinião. Tendo estudado entre os anos de 1986 e 1989, o jornalista comentou que foi muito feliz na Metodista, e fica emocionado ao se lembrar daquela época.

Antes da palestra, a Assembleia contou com a Palavra da Pastoral, conduzida pela pastora Gladys, que falou sobre pessoas que nos servem de modelos em algum momento da vida e que depois nos decepcionam. Mas alguém nunca nos decepcionará e serve de modelo: Jesus. Na sequência, a intervenção do NAC (Núcleo de Arte e Cultura) trouxe o professor Eduardo Borga, que usa a arte em suas aulas e também em empresas, por meio da música. O professor apresentou algumas canções e mostrou como os compositores planejaram suas estruturas.

Em sua fala o reitor, professor Marcio de Moraes lembrou a perda recente do professor José de Sá e de familiares de funcionários. O professor também apresentou os resultados em termos de matrículas e quantidade de alunos, destacando o bom resultado dos cursos de Pós-Graduação Lato Sensu, que apresentaram alta de 2015 para 2016. O professor também destacou algumas boas notícias que a Metodista teve durante o ano, como o resultado do ENADE, a vinda de 100 alunos para o curso de Educação Física transferidos da FEFISA e os intercâmbios da professora Betânia Monteiro Cielo, que ministrará aulas de Português na Claflin University, dos Estados Unidos e da professora Juliana Harris, que atuará na Universidade Madero, no México. A ideia é que, futuramente, docentes dessas instituições venham dar aula na Metodista.

O ano de 2016 será marcado pelo pleno funcionamento do novo modelo de estrutura organizacional da Metodista, que agora trabalha com o conceito de Escolas. “Acredito que vamos conseguir passar por esse momento de dificuldades”, afirmou o professor, apontando algumas boas perspectivas, como 45 novos polos de apoio presencial que deverão abrir em breve, dependendo apenas da visita do MEC em quatro deles. O reitor finalizou agradecendo a compreensão e entrega do corpo docente. “Agradeço a cada um e a cada uma”, afirmou.

Kennedy Alencar

O professor Júlio Veríssimo apresentou o jornalista Kennedy Alencar, que estudou jornalismo na Metodista entre os anos de 1986 e 1989. Kennedy Alencar fez uma análise da atual situação política e econômica brasileira. O jornalista é pessimista com o ano que se inicia. Ele acredita que a saída do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy foi um erro, mas que Nelson Barbosa é, “de longe”, melhor que Guido Mantega, e que a presidente Dilma já deu provas de que não sabe gerir a economia. “E Barbosa não terá autonomia”, prevê Kennedy Alencar.

Apesar do pessimismo, Kennedy vê decisões acertadas em movimentos recentes de Dilma, como a reunião do chamado Conselhão, a ida ao Congresso (onde foi vaiada por membros da oposição, o que “apequena a oposição, que também é parte do problema, na visão de Kennedy”) e o discurso a respeito do vírus Zika.

Os efeitos do desemprego deverão ser sentidos neste ano, assim como a inflação. “11% de inflação não pode ser tida como política de esquerda”, afirmou o jornalista, que lembrou que a alta inflação afeta mais profundamente aqueles que recebem menos. Mas Kennedy não ignora as melhorias dos últimos anos. “O PT no governo reduziu a desigualdade no Brasil. Tem um conjunto da obra muito relevante que a Lava-Jato não vai apagar”, acredita.

Se os últimos anos apresentaram melhorias, também contaram com erros de Dilma, segundo Kennedy, que lista a política de congelamento do preço da gasolina, decisões erradas na área de energia, a tentativa de enquadrar o PMDB, a desoneração fiscal excessiva, que gerou a perda do apoio do empresariado e a alta da inflação e dos juros. “Dilma deveria ter autocrítica. Ela tem dificuldade de admitir que errou”, afirmou Kennedy, para quem Dilma foi reeleita apesar dos erros, mas os votos foram para o projeto político que ela representa, não para sua pessoa especificamente. “A boa notícia é de que a economia se ajusta na marra”, acredita, exemplificando com a alta do dólar que, se prejudica por um lado, por outro pode oferecer ganhos para as empresas exportadoras, favorecendo a economia.

Kennedy Alencar acha que a questão do impeachment não está enterrada, e que é um erro de Dilma acreditar que apenas sua honestidade será garantia de estabilidade. Por outro lado, o jornalista também critica a atitude da oposição: “O PSDB dá combustível à intolerância, o que não combina com a história do PSDB”. Ele também atenta para o risco de um “salvador da pátria” que surja prometendo acabar sozinho com a crise. Após responder perguntas dos professores, Kennedy garantiu que está à disposição para voltar outras vezes, sendo cumprimentado pelos professores Julio Veríssimo e Marcio de Moraes, que fez o encerramento do evento.

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