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Meio jornalístico discrimina mulheres negras, apontam repórteres

Debatedoras apontaram ainda o racismo institucional pela falta de oportunidade para crescer na carreira

21/09/2018 18h35 - última modificação 21/09/2018 20h54

Patrícia e Mariana também debateram a falta de oportunidades para crescer na carreira

Mulher, negra, social mídia e repórter do portal Catraca Livre, bissexual, sem nenhum problema com o corpo fora de padrões top model, Patrícia Gonçalves pergunta e responde ela mesma: “Vamos ser ativistas o tempo todo? Não! É preciso escolher as batalhas a enfrentar em um ambiente machista como o da comunicação. Precisamos mostrar que somos profissionais competentes e que não falamos apenas de negros e nossas lutas”.

Mulher, negra, cabelos cacheados e rebeldes, repórter da TV Globo, Mariana Aldano testemunha: “Meu pai nunca falou sobre como era ser negro no Brasil. Disse apenas que eu deveria ser 10 vezes melhor do que os brancos. Tive então que me tornar muito competitiva. No primeiro estágio, já falava quatro línguas”.

Evitando dourar a realidade, as duas jornalistas estilhaçam o discurso politicamente correto de que não há racismo no Brasil. Falando no Encontro de Jornalismo 2018 da Universidade Metodista de São Paulo na noite de 20 de setembro último, Patrícia Gonçalves mostrou que apenas 3,7% dos apresentadores na TV brasileira são negros num País em que 55% da população é afrodescendente, segundo estatísticas do IBGE.

Mariana Aldano, que morou durante oito anos em países da Ásia e Europa, se disse chocada com o que definiu de “bizarro e pesado preconceito dentro da minha própria casa”, referindo-se ao Brasil. Comentou sobre episódio em que um cinegrafista de TV concorrente perguntou-lhe se ela era motolink – motofilmador com câmera traseira simultânea --, duvidando de que fosse repórter da TV aberta líder no País e que estivesse à frente da equipe de cinegrafista e auxiliar.

Racismo institucional

Mariana e Patrícia expuseram várias passagens de pequenas e grandes atitudes discriminatórias nos meios de comunicação, mas não se vitimizaram, mesmo quando debateram que, além do racismo social, mulheres negras enfrentam racismo institucional: “O que as empresas fazem além de preencher cotas, se não deixam a gente ascender e fazer carreira lá dentro?”, perguntou Patrícia, apontando um único nome de mulher negra que conhece como CEO.

Mariana afirmou que a conscientização e militância aumentaram, mas emendou: “Recebo mensagens de gente incomodada com meu cabelo. Como assim? Essa gente não prestou atenção na reportagem?”.

As duas fizeram um juízo coincidente sobre por que há uma absoluta maioria de 72% de jornalistas brancos no Brasil: começaria pela quantidade também reduzida de professores negros nas universidades, passaria pelas grades curriculares que pouco abordam questões interseccionais, culminando com alunos negros que não se atraem para cursar comunicação por conta do racismo institucional. Algumas saídas, segundo a repórter da Catraca Livre, estão em questionar as mídias e colegas na luta antirracista, criar projetos extracurriculares acadêmicos e ser multimídia, para estar sempre dentro das discussões.

O Encontro de Jornalismo de 2018 debateu em 18 e 20 de setembro pautas como Cobertura Jornalística nas Eleições 2018, Jornalismo de Games e Jornalismo de Dados. Em paralelo, foi realizada exposição de fotografia com o tema “Urbano Humano”, de 13 a 21 de setembro, no hall do 2º andar do edifício Delta do campus Rudge Ramos. Foram selecionadas as melhores fotos tiradas pelos alunos do curso de Jornalismo da Metodista.

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Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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