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Documentário de alunos da Metodista dá voz a mulheres transgênero que buscam oportunidades em São Paulo

Entrevistadas falam sobre falta de acesso à educação, emprego e cidadania

14/02/2017 11h50 - última modificação 06/03/2017 15h30

Renata Peron, presidente do Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais (CAIS). Imagem: Reprodução

Violentadas, marginalizadas e negligenciadas - pessoas transgênero no Brasil enfrentam falta de oportunidades diariamente. Negadas desde a infância à sua verdadeira identidade, têm dificuldade de acesso à educação, saúde pública, emprego e moradia. O documentário “À luz do dia”, produzido como trabalho de conclusão de curso de alunos de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, dá voz a algumas mulheres que lutam por cidadania na maior cidade do país.

A pessoa transgênero é aquela que tem uma expressão e/ou identidade de gênero diferente da atribuída ao gênero designado em seu nascimento. Por conta da falta de informação e preconceito, muitas vezes essas pessoas são excluídas de seus grupos familiares e de amigos e têm direitos básicos negados nas esferas pública e privada.

É o caso da dona de casa Priscila Valentina, uma das entrevistadas no documentário, que conta que sua mãe não aceita sua identidade: “se minha mãe aceitasse o nome que eu quero ser chamada, nenhum da minha família iria jogar pedra, nem de fora. Porque se a mãe aceita, então a família não ia querer brigar com a mãe por conta de um nome do filho ou da filha. A sociedade não ia querer mexer porque ia ver que a trans tinha um braço forte ali”.

Por que falar sobre mulheres trans?

A jornalista Thaiane Andrade Cavalcante, de 22 anos, conta que o interesse em fazer o documentário surgiu a partir do momento em que o grupo acompanhou algumas palestras sobre transexuais e travestis e os obstáculos que encontram no mercado de trabalho formal. “As ativistas e autoridades presentes citavam como urgente o debate sobre a criação de mais oportunidades para Trans. Então, para desenvolvermos o tema com devida propriedade, buscamos referências bibliográficas sobre a construção do gênero enquanto construção social e origem do preconceito”.

Por meio do documentário, a intenção é informar o público a respeito das dificuldades que uma pessoa trans encontra para ser reconhecida como cidadã. “Buscamos compartilhar histórias de mulheres transexuais e travestis que diariamente lutaram para sobreviver em meio à escassez de oportunidades no mercado de trabalho formal. Desta forma, a ideia é promover a desconstrução do preconceito e quebrar paradigmas que defendiam que travestis e transexuais não sabem trabalhar e não são confiáveis”, declara Thaiane.

Essa realidade força muitas mulheres trans a encontrarem maneiras de subsistência como a prostituição. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), estima que cerca de 90% das transexuais e travestis do Brasil se prostituem atualmente. As entrevistadas pelos jornalistas revelam os assédios que sofreram e quantas vezes foram negadas emprego ou educação por conta de sua condição.

“O nome do documentário “À Luz do Dia” se opõe à opinião de que lugar de travesti e transexual é no obscurantismo das ruas escuras das grandes cidades. Ele faz referência à bandeira levantada pela comunidade LGBT de que a transfobia deve estar no centro das discussões sociais, portanto, às claras”, diz.

Políticas públicas e educação

“Para que existisse respeito, deviam existir políticas públicas e isso tem que vir, principalmente, da educação. De se discutir gênero na educação. Mas, infelizmente, estamos passando por um retrocesso político e de políticas públicas”, argumenta a professora Laysa Machado em sua entrevista ao documentário.

A violência e o medo têm impacto direto na vida das pessoas trans, desde o abandono por parte de suas famílias até à violência física. Segundo dados do Transgender Europe, o Brasil é o país que mais mata travestis no mundo. Entre janeiro de 2008 e março de 2014, foram registrados 604 assassinatos de pessoas trans no País.

O documentário ouviu também representantes de empresas e de projetos sociais que auxiliam pessoas trans. O Projeto Reinserção Social Transcidadania, da Prefeitura de São Paulo, é um desses programas que buscam, por meio da educação, oferecer oportunidades de reinserção para trans em situação de vulnerabilidade social. O Transcidadania oferece bolsas, ensino fundamental e médio e cursos profissionalizantes.

Para Thaiane, a divulgação e os projetos sociais são formas de combater o preconceito: “através de iniciativas deste tipo, as pessoas podem tomar conhecimento sobre um problema social muito presente atualmente. Muitas vezes, o maior problema é a falta de conhecimento”.

Confira abaixo o documentário completo produzido por Carina Cristofoli, Elaine Coutrin, Fernando Borsarini e Thaiane Andrade:

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