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Cinco Oficinas de Leitura têm inscrições abertas

Iniciativa do Póscom é destinada a alunos de jornalismo e vale como crédito de atividade complementar

18/02/2016 21h10 - última modificação 19/02/2016 18h21

Já estão abertas as inscrições para as Oficinas de Leitura que o Programa de Pós-graduação em Comunicação (Póscom) promove para alunos do curso de Jornalismo. O objetivo é possibilitar espaços de leitura e discussão de obras clássicas das narrativas contemporâneas. O destaque é para trabalhos que se situam na fronteira com o jornalismo de grandes reportagens, literatura de não-ficção e em torno de temas relevantes na atualidade.

“Trata-se de uma atividade que pretende enriquecer a formação intelectual do aluno com ampliação do conhecimento literário”, incentiva professor José Salvador Faro. As inscrições são livres e podem ser feitas pelo email do próprio professor-coordenador. A atividade se estende da primeira semana de março à última semana de maio e vale como crédito de atividade complementar.

De Truman Capote a Daniela Arbex, os alunos contam com oficinas em horários alternativos às aulas e podem fazer uma ou mais oficinas. Os trabalhos são conduzidos por mestrandos e doutorandos do Póscom e procuram sanar uma lacuna na formação dos estudantes - um contato maior com textos que se caracterizam pela força descritiva, matéria-prima de todos os que querem aperfeiçoar a capacidade de expressão linguística. Não há bom repórter que possa se despreocupar com isso.

OFICINAS DE LEITURA

Obra: A Sangue Frio, de Truman Capote     

Responsável: J. S. Faro (poscom@jsfaro.net)

A história: O assassinato de uma família inteira ocorrido em 1959 numa cidade do meio oeste dos Estados Unidos é o tema do livro- reportagem que Capote transformou numa das principais obras da literatura contemporânea. Responsável por uma forte influência na fixação das características do new journalism, a obra inaugura também a novela de “não-ficção”, narrativa que transforma a apuração jornalística em processo que convive com os códigos da literatura, abrindo amplo espaço para a criatividade linguística do repórter.

Metodologia: A oficina será desenvolvida com base em relatos das experiências da leitura da obra feita de forma sistemática entre uma sessão e outra de atividades. Espera-se que os oficineiros recolham trechos de forte expressão estética e jornalística e submetam-nos à apreciação e à discussão coletiva. As sessões também terão um coro narrador formado por dois oficineiros que desenvolvam oralmente o desenrolar da obra a partir das seguintes questões: O que aconteceu até aqui? Qual o núcleo dramático da narrativa de Capote com o qual ele conduz a reportagem? Quais os momentos de maior brilho na construção textual do autor?

Capote consegue manter o estado de suspensão do leitor ao longo do trecho que já foi lido? Há algum apelo oculto na obra que diz respeito à natureza do ser humano e que o repórter mostra ter conseguido captar? É possível traçar paralelos entre a escrita de Capote e a de outros jornalistas que se caracterizaram pelo estilo novela de não-ficção?

Horário: 2ª-feiras, das 11h às 12h

 

Obra: Pergunte Ao Pó, de John Fante     

Responsável: Mestrando Renan Marchesini (renan.cavenaghi@hotmail.com)

A história: Nos anos pré-guerra, o escritor Arturo Bandini passa fome em diversos sentidos - fome física, produção intelectual, fome de seus vícios e, a pior de todas, a fome amorosa. Arturo está certo de que para conseguir escrever uma boa história deve viver um grande amor - forte, intenso, que machuque, que brigue, que faça amor desgraçadamente, que ame e odeie na mesma proporção. Assim, ele conhece a garçonete latina Camilla Lopez. Fante escreveu pouco mais de 10 obras, dentre as quais são de fundamental importância para se entender a literatura marginal, a beat generation: Kerouack - Autor de Pé Na Estrada; Ginsberg - O Uivo; e Charles Bukowski - que inclusive é o autor do prefácio de Pergunte Ao Pó; e também o new journalism (Thompson, Capote, Wolfe, etc). A influência se deve à forma como Fante escreve: cada linha é permeada de paixão, dor, fúria e intensidade.

Metodologia: Explicação e contextualização histórica da obra e biografia do autor. Combinar os capítulos que serão lidos para as próximas aulas. Após leitura prévia dos capítulos selecionados, os mesmos serão debatidos em sala, podendo ser trabalhados de duas formas: tanto com as temáticas que Fante trabalha, quanto de forma mais aberta apenas destacando na escrita, ou os momentos que chamaram a atenção. Além disso, os encontros poderão ser permeados com trechos do filme, descobrindo juntos a paixão e vida que a obra nos inspira e remete.

Horário: 3ª-feiras, das 18h às 19h; 5ª-feiras, das 11h às 12h.

 

Obra: A vida que ninguém vê, de Eliane Brum     

Responsáveis: Doutoranda Tancy Mavignier e Mestranda Adriana Rabelo Rodrigues (adrianarodrig@gmail.com e tancy.mavignier@gmail.com ou tancy.costa@yahoo.com)

A história: O livro é dividido em 23 reportagens publicadas no jornal Zero Hora. Eliane, como boa observadora, coloca luz naquelas pessoas que parecem personagens coadjuvantes da cena urbana, seja um funcionário de aeroporto que nunca voou, uma senhora analfabeta ou um menino cadeirante. Usando a linguagem envolvente do jornalismo literário, a autora revela a beleza e a importância de personagens muitas vezes ignorados pela maioria, mas vigorosos em suas batalhas.

Metodologia: A metodologia será fundamentada na leitura, debate, reflexão, produção de texto e foto. Todos os textos serão disponibilizados com antecedência para os estudantes. Durante as leituras, os alunos serão motivados a refletir e expor suas opiniões sobre os textos, bem como estimulados a exercitar o hábito de ouvir e observar as diferentes informações que uma fonte pode passar, além da expressão verbal. Da mesma forma serão instigados a criar o hábito da leitura de textos jornalísticos literários. Para isso, serão colocados em contato com publicações atuais que trabalham com este gênero jornalístico.

Também haverá palestra com a jornalista Kelma Jucá. A avaliação acontecerá a partir da produção de breves perfis sobre os personagens que os alunos escreverem junto a foto. Os participantes da atividade deverão produzir um retrato do personagem e um texto de 400 a 600 caracteres, utilizando os elementos textuais do jornalismo literário. Após o encerramento da oficina, os alunos farão uma exposição dos trabalhos na Metodista, em forma varal.

Horário: 3ª-feira, das 11h às 12h.

 

Obra: Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex     

Responsável: Mestrando José Geraldo Magalhães Júnior (josemagalhaesjr@gmail.com)

A história: A obra traz os relatos históricos vivenciados por milhares de pacientes durante décadas. Eles foram internados, sem diagnóstico de doença mental, no maior hospício na cidade de Barbacena/MG. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais e prostitutas. Foram violentados, torturados e mortos sem que ninguém se importasse com seu destino. Jornalistas famosos das décadas de 1960 e 1970 fizeram reportagens denunciando os maus-tratos. O que se praticou no hospício de Barbacena foi um genocídio, com 60 mil mortes. A obra traz os detalhes de um holocausto praticado pelo Estado com a conivência de médicos, funcionários e da população.

Metodologia: Explicação da obra e contextualização histórica de seu conteúdo, biografia da autora e sua presença no cenário da grande mídia. Distribuição dos capítulos e durante a oficina discussões que irão envolver a narrativa de Arbex e suas características

Horário: 4ª e 5ª-feiras, das 18h às 19h.


Obras: Antropologia do Corpo e Modernidade e A dominação masculina, de David Le Breton e Pierre Bourdieu     

Responsável: Raija Camargo (raija.cs@gmail.com)

A temática: A oficina se dedicará ao estudo e à abordagem crítica sobre o corpo e a supervalorização dos padrões estéticos pela mídia contemporânea. As obras nos permitirão refletir sobre moda, consumo, corpo e estética no tempo presente sob o olhar das dinâmicas culturais e discutir o papel das mídias e dos comunicadores na formação de opinião e identidade de indivíduo por este viés.

Relacionando o ‘corpo’, objeto de pesquisa da presente oficina, com a definição de violência simbólica apontada por Pierre Bourdieu em A Dominação Masculina, a corporeidade da mulher é representada e reproduzida pelas mídias através de um olhar androcentrado.

David Le Breton é professor de Sociologia e Antropologia da Universidade de Strasbourg na França. O pesquisador se debruça a entender as questões que abrangem os estudos sobre corpo e corporeidade, fazendo sempre um paralelo com a contemporaneidade. Breton faz uma crítica fundamentada em seus estudos antropológicos em relação ao trato do sujeito contemporâneo com seu corpo, abordando temas como consumo, subjetividade, comunidade e pós-modernidade, situando conceitos de corporeidade como manifestação cultural.

Complementar à obra de Breton, A Dominação Masculina, de Pierre Bourdieu, dialoga em muitos pontos com os conceitos de corporeidade e cultura presentes na obra de Breton. A Dominação Masculina trata as questões de gênero e situa o corpo feminino como objeto de opressão. Subordinação feminina e construção do imaginário são outros pontos altos do livro, que traz também o conceito de violência simbólica.

“Sempre vi na dominação masculina, e no modo como é imposta e vivenciada, o exemplo por excelência desta submissão paradoxal, resultante daquilo que eu chamo de violência simbólica, violência suave, insensível, invisível, a suas próprias vítimas, que se exerce essencialmente pelas vias puramente simbólicas da comunicação e do conhecimento” (trecho do preâmbulo). A ideia é colocar os dois autores em diálogo

Metodologia: A metodologia se valerá da leitura partilhada. Os oficineiros irão escolher capítulos que serão debatidos

Horário: 2ª-feiras, das 11 às 12h; 3ª-feiras, das 18 às 19h.

 

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