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Ao embutir opiniões e instruções humanas, algoritmos não são neutros, mostra jornalista

Ex-aluno da Metodista, Daniel Trielli alertou profissionais de comunicação sobre funcionamento do computador

02/12/2019 18h15 - última modificação 02/12/2019 18h13

Ex-aluno da Metodista, Daniel Trielli alertou profissionais de comunicação sobre funcionamento do computador

Vistos como 100% verdade, já que representam combinações de dados processados por inteligência artificial, algoritmos são, na verdade, opiniões embutidas em códigos. Isto é, não são fruto apenas de matemática pura, mas carregam instruções e valores dos humanos que os programam.

“Algoritmos não são neutros e podem até fazer cálculos errados porque na maioria são previsões, ou seja, não são 100% exatos”, destacou o jornalista Daniel Trielli, pesquisador doutorando no Computational Journalism Lab da Universidade Northwestern (Chicago, EUA), que está no Brasil realizando série de palestras sobre Como investigar sistemas de decisão automática, resultado de seus estudos.

Formado em 2005 pela Universidade Metodista de São Paulo, Daniel falou na tarde de 27 de novembro último aos alunos de Jornalismo que atuam na Redação Multimídia, alertando-os para que tenham olhar crítico sobre o uso de dados computacionais. Se por um lado a automação facilita o trabalho de profissionais de comunicação com estatísticas e agilidade nas análises de pautas, por outro podem prejudicar a interpretação dos acontecimentos que viram notícias.

Resultados usáveis

“Será que os dados estão sendo bem interpretados ao não fazerem medição exata de uma tarefa ou tendo seus resultados direcionados?”, perguntou, ao citar exemplo do uso de inteligência artificial na China para identificar pessoas com leitura facial, mas que embute estratégia para detectar muçulmanos.

Daniel Trilelli orientou os futuros formandos da Metodista a usarem o jornalismo computacional como instrumento de qualificação dos trabalhos, porém sem que os cálculos concluídos de uma planilha de Excel substituam o raciocínio humano. “Nos Estados Unidos algoritmos são usados como ferramentas de reportagem, não para pensar pelo jornalista”, apontou.

Ele testou os estudantes com a escolha de um “pet ideal”, fazendo o passo a passo da criação de um algoritmo: entrada de dados, instruções com critérios sobre o assunto e enfim resultados com dados processados. Os resultados variaram conforme a alimentação feita por cada grupo participante. “Algoritmos, portanto, devem ser investigados e explicados. No caso do jornalismo, devem ser pauta”, afirmou. No Computational Journalism Lab de Chicado, Daniel Trielli pesquisa o impacto de algoritmos na distribuição de notícias e como jornalistas podem investigar algoritmos que impactam na vida cotidiana, sejam códigos criados pela iniciativa privada ou pelo governo.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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