Ferramentas Pessoais

Você está aqui: Página Inicial / Gestão Pública / Notícias / Especialista em segurança atribui violência no Brasil à falta de educação e ao desrespeito às leis

Especialista em segurança atribui violência no Brasil à falta de educação e ao desrespeito às leis

Delitos decorrem da ausência de creches e de famílias desestruturadas até da corrupção política e falhas no controle do Estado

20/02/2017 17h19

Glauco Carvalho (ao centro) falou em aula magna dos cursos de Gestão Pública e Segurança Pública

Crianças e jovens incumbidos de ser o futuro do Brasil estão sendo moldados por vícios éticos dos adultos, sejam políticos envolvidos em corrupções infindáveis e famílias que não impõem limites comportamentais, seja a falta de escolas de qualidade já partir da primeira infância. A esse caldeirão borbulhante juntam-se um sistema policial deficiente e o “jeitinho brasileiro” de desprezar regras de convivência e leis.

“O indivíduo é socializado num ambiente de desrespeito à norma e à lei. Desde pequeno o brasileiro cresce sem valores e disciplina e o resultado é o que vemos hoje com tantos escândalos de contravenção, propinas e superfaturamento no setor público e na vida privada. A lei não é parâmetro de comportamento porque sempre se dá um jeitinho. Nos Estados Unidos, boa parte dos prédios sequer tem síndico, porque todos praticam regras de convivência pacífica”, cita Glauco Silva de Carvalho, doutor em Ciência Política pela USP (Universidade de São Paulo) e palestrante da aula magna dos cursos de Gestão Pública e Segurança Pública EAD da Universidade Metodista na noite de 17 de fevereiro.

Ex-servidor da Polícia Militar em várias instâncias no governo do Estado e atualmente lotado na Secretaria Municipal de Educação da Capital, Glauco Carvalho vê estreita aproximação entre falta de educação e crime. Vários mapas da violência em São Paulo coincidem com regiões onde há maior incidência de crianças fora de creches ou em escolas públicas superlotadas. Estão geralmente nos extremos das periferias, superhabitadas e com alta vulnerabilidade social, onde a renda per capita é de ¼ ou ½ salário mínimo. “Por isso o acesso à educação de qualidade é tão importante”, apontou, ao falar sobre o tema "Segurança Pública: Desafios para o Gestor Público".

Tema pouco estudado

Segundo o especialista, dá-se muita importância no Brasil à sociologia da violência e não à criminologia, ou seja, estuda-se o fenômeno da violência e não tanto o crime. Há carência de pesquisas e trabalhos sobre como gerir as polícias, como evitar a incidência de infrações, polícia científica e instrumentos para ações do gestor público, entre outros. “Há muita dificuldade no Brasil de tratar de políticas públicas e prevenção à violência. Espero que vocês alunos da Metodista façam avançar o debate e a pesquisa sobre o tema”, convidou.

Glauco de Carvalho discorreu sobre diversas teorias a respeito do comportamento criminoso e de modelos de políticas públicas voltados à segurança. O núcleo familiar está presente em pelo menos quatro teorias: da desorganização social, da associação criminal, do controle social e do autocontrole.

No primeiro caso, muitos delitos teriam origem em famílias desestruturadas sem condições de passar valores éticos aos membros, fato agravado pelo ambiente solidamente urbano do Brasil de hoje. “O crescimento de novos bairros cria camadas de moradores que não se conhecem e se escondem no anonimato, ao contrário de bairros consolidados onde todos os vizinhos convivem entre si”, citou.

Ambiente indutor

A teoria da associação criminal prevê que o comportamento da família é modelo para crianças e jovens, que viveriam em ambiente favorável ao crime se pai e mãe forem traficantes, por exemplo, ou se convivem com pessoas que já passaram pelo sistema prisional. Já na teoria do controle social é função da família, Estado, sociedade e igreja impor limites e controle para dissuadir a violência – e todas essas instâncias estariam falhando. Na teoria do autocontrole o estabelecimento de regras deve ocorrer na criança dos três anos à pré-adolescência, período em que aprende a viver em sociedade.

Entre as políticas públicas destacam-se a teoria das elites – pela qual governantes desprezam movimentos sociais e só se interessam pelos que detém poder econômico e político – e a teoria do racionalismo, em que são avaliadas vantagens e desvantagens de determinadas ações. Por exemplo, o gestor deve pesar qual o benefício de investir R$ 30 milhões em vacinas preventivas ou em tratamento hospitalar com epidemias.

O dirigente público também destacou a teoria do modelo incremental, pela qual é mais cômodo politicamente manter programas deficitários ou de ação reduzida, do que interrompê-los. “Só agora conseguimos romper com o Leve Leite, porque a resistência foi grande. Está provado que após seis anos de idade o leite não tem valor nutricional para a criança”, argumentou.

Recepcionaram e interagiram com o palestrante Glauco de Carvalho os professores Nilson Tadashi, Vinicius Schurgelies, Wagner Mora e Ronaldo Aracri.

Comunicar erros


Leia mais notícias sobre: , , , , , , , ,

VINICIUS SCHURGELIES - COORDENADOR
vinicius
Minicurrículo

 


Receba informações de oferecimento deste curso

Receba informações de oferecimento sobre esse curso:

ACESSO RESTRITO

Ambiente Virtual de Aprendizagem

Botao para o siga
ead_restrito.gif
Portal Aluno
Portal Caps
INFORMAÇÕES DO CURSO

Modalidade: a distância
Grau:
Tecnólogo

Duração: 2 anos

Polo de Apoio Presencial: Confira aqui

Mensalidade: Confira aqui

Reconhecimento:Portaria N° 42 de 14/02/2013

Avaliação do curso por polo