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Depois da segregação espacial, cidades brasileiras enfrentam desafio do apartheid social

Estudioso de temas urbanos e ambientais fala em aula magna do curso de Gestão Pública

16/02/2016 19h50 - última modificação 23/02/2016 18h49

Ex-aluno falou em aula magna a convite da prof. Sibelly Resch (Foto Malu Marcoccia)

Passada a onda de expulsão da população de baixa renda para longe das áreas centrais devido à valorização da terra, o que deu origem a uma delimitação geográfica muito clara centro-periferia, a segregação urbana alterou-se. Aproveita-se agora dos espaços que lhe dão ganhos de escala e qualidade de vida. Desde os anos 1980, com o surgimento dos condomínios verticais e horizontais altamente fortificados, a segregação ganhou ênfase social, não mais espacial.

“A elite deixou os centros e passou a ocupar bairros mais distantes e até cidades próximas da Região Metropolitana em condomínios planejados e confortáveis, mas apartados da convivência com bolsões de pobreza próximos geograficamente”, descreve Leandro Blanque Becceneri, do Grupo de Estudos Sociais, Urbanos e Ambientais (GESUA) e ex-aluno de Gestão Pública da Universidade Metodista de São Paulo.

No fundo, criou-se uma restrição dos contatos sociais aliada ao preconceito. A chamada elite tirou seus investimentos do centro histórico de São Paulo e deslocou-se para a região da Paulista, depois Faria Lima e Berrini, e depois ainda para condomínios de alto luxo em cidades próximas como Barueri, Arujá e Santana de Parnaíba.

“É a privatização do espaço público: a alta renda vai a shoppings, usa sua rede de escolas e médicos particulares, e volta para suas propriedades isoladas em condomínios”, cita Leandro Becceneri, que falou sobre "A constituição das Cidades e a Segregação Urbana" durante a aula magna da graduação na noite de 12 de fevereiro a convite da coordenadora Sibelly Resch.

Embora a separação espacial e econômica esteja presente no Brasil desde a chegada da família real em 1808, quando começou a surgir a vida urbana, ele historiou que o fenômeno agravou-se na década dos anos 1960 a partir da expansão industrial nas cidades, o que causou forte êxodo rural. O Brasil passou a ter população majoritariamente urbana e caso único no mundo. Saiu de uma população urbana equivalente a 26,3% do total em 1940 para 81% nos anos 2000.

Desafio aos gestores

“É um tremendo desafio aos gestores públicos, porque enquanto nos Estados Unidos a segregação é racial, no Brasil é causada por desigualdade social bastante visível na miséria, violência, baixa escolaridade, exclusão econômica. Temos aglomeração de determinadas classes em locais bem específicos. Antes havia um movimento concêntrico, da elite ocupando o centro e os pobres, a periferia. Isso já não vale mais, porque vemos prédios luxuosos no Morumbi no meio da favela Paraisópolis”, exemplificou, ao descrever a ausência de interação entre grupos próximos fisicamente.

Também graduado e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo, Leandro Becceneri atribui a ocupação urbana heterogênea -- sobretudo nas metrópoles brasileiras -- à pressão de três grupos principais: proprietários dos meios de produção, proprietários fundiários e promotores imobiliários. Estes pressionam e influenciam um quarto elemento, o Estado, que por sua vez entra em conflito com o quinto participante desse cenário, os grupos sociais.

Segundo ele, extratos de maior renda agravaram a ocupação e fragmentação do espaço urbano porque têm poder para influenciar leis de zoneamento e planos diretores, muitas vezes com acesso a informações privilegiadas sobre onde haverá benfeitorias públicas. “Com isso, valorizam a terra conforme seus interesses, construindo e ditando o preço dos imóveis onde passa o metrô, estão as melhores escolas e redes de serviços”, afirmou.

A missão do gestor público moderno é reduzir essa segregação levando as mesmas benfeitorias de educação, transporte e saúde para onde estão os bolsões de pobreza, não necessariamente na periferia. A ocupação do centro histórico de São Paulo com moradias a preço acessível é exemplo de como a baixa renda pode usufruir de um bom espaço urbano, citou. O evento do CST em Gestão Pública fez parte do calendário de comemoração dos 10 anos da EAD Metodista.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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