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Brasil está preparado para passar pela crise sem arranhão

Fonte:Pedro Souza Do Diário do Grande ABC

06/12/2011 17h31 - última modificação 17/09/2012 20h42

“A crise internacional deve perdurar mais três, quatro ou cinco anos”, estima o chefe do departamento de Economia da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, Alkimar Moura. No entanto, ele prevê que os impactos para o consumidor brasileiro serão leves, com possível elevação do desemprego e crescimento moderado da renda nesse período futuro. “Mas nada drástico”, afirma.
Segundo o especialista, a crise internacional continuará apoiada em três fatores. Se a Europa se recuperará da crise econômica pública, como ficará a economia dos Estados Unidos e se a China continuará com a atividade econômica em expansão acelerada. “Mas os impactos para os brasileiros só acontecerão (em escala acentuada), se a China desacelerar”, destaca.
Hoje, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. E por isso uma desaceleração econômica no país oriental afetaria as empresas nacionais que dependem dele, e o resultado seria redução nas receitas e possível aumento da taxa de desemprego, que está em 6% conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O assessor sênior da presidência do Banco Central e membro não votante do Comitê de Política Econômica Alexandre Pundek Rocha concorda com as estimativas de Moura. E afirma estar otimista quanto ao futuro da economia brasileira e como o País atuará em meio à intempérie internacional.
Entre os pontos citados por Rocha como barreiras contra a crise estão o grande potencial, em relação a vários países desenvolvidos, de áreas não aradas, cerca de 500 milhões de hectares, e a grande parte da população economicamente ativa, “o que torna o País muito produtivo”, opina.
O assessor sênior do BC complementa que a reserva cambial de US$ 350 bilhões e os US$ 70 bilhões de crédito que o Brasil tem emprestados para outros países reforçam a defesa contra crise. E se o abalo vier pelo sistema financeiro, ele afirmou que o colchão formado pelo BC, de depósitos compulsórios, é confortável para o Sistema Financeiro Nacional. “Alguns economistas criticam. Mas com esse valor (cerca de R$ 450 bilhões dos bancos comerciais) conseguimos segurar uma possível crise nos bancos”, afirma.
Os economistas apresentaram suas opiniões sobre o futuro do País diante da crise internacional no 4º Encontro dos Cursos de Ciências Econômicas do Grande ABC, realizado durante a semana passada no Teatro Municipal de Santo André. O evento foi organizado pela Fundação Santo André, Universidade Metodista de São Paulo, Universidade Municipal de São Caetano, Conselho Regional de Economia de São Paulo e a Delegacia do Grande ABC do Corecon-SP.


Maré vermelha passa dos bancos aos governos

A crise financeira de 2008 começou por causa da falta de controle dos Bancos Centrais internacionais sobre seus sistemas financeiros, afirma o chefe do departamento de economia da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, Alkimar Moura. E para ele, a crise internacional atual compõe um só fenômeno com a maré vermelha de três anos atrás.
O especialista explica que é comum que o sistema capitalista tenha crises a cada 70 a 80 anos. “Vivemos um momento ímpar na história. Se a situação piorar, podemos ficar bem próximos da crise de 1929”, destaca Moura, sobre um dos piores períodos da economia global, conhecido como Grande Depressão.

Como em 1929, a crise de 2008 começou com um vigoroso aquecimento no crédito. Moura explicou que esse tipo de fenômeno econômico sempre é acompanhado com aumento nos empréstimos, que valoriza os ativos, que em pouco tempo sofrem quedas gigantes nos preços, prejudicando os bancos. E se uma instituição não aguentar e quebrar, ocorre o contágio no sistema financeiro, tendo em vista que uma empresa depende da outra.
A última crise teve processo parecido. O sistema hipotecário dos Estados Unidos permitiu a expansão do crédito imobiliário para a baixa renda, e em longo prazo. O contratante aceitou a proposta de um intermediário, que ganhou comissão para vender empréstimos de um banco, e a instituição financeira emprestou ao consumidor norte-americano. Então os bancos venderam suas carteiras de crédito para bancos de investimento, que contrataram securitização para esses valores mobiliários. Após isso as agências de rating avaliaram como baixo risco os títulos dos créditos imobiliários, que foram oferecidos aos investidores do mundo inteiro.

O problema é que os contratantes dos créditos, no início da cadeia, não aguentaram pagar os financiamentos, as casas foram hipotecadas, perderam valor, e os valores mobiliários, lastreados no crédito imobiliário, também desvalorizaram causando prejuízo e resultado na quebra de vários bancos pelo mundo. Um deles foi o Lehman Brothers, que era o quinto maior banco de investimento dos Estados Unidos, e sua falência contagiou o sistema financeiro mundial.
Os governos acabaram injetando dinheiro nos bancos para segurar novas quebras. E para isso emitiram dívidas públicas. No fim das contas, as dívidas das instituições passaram ao poder público, por isso os Estados Unidos, e vários países da Europa como a Grécia e Portugal, estão com dificuldades. “É a mesma crise de 2008, mas agora são os governos que estão em risco”, afirma o chefe do departamento de Economia da FGV.


Classe C continua com o maior crescimento


O assessor sênior da presidência do Banco Central e integrante não votante do Comitê de Política Econômica Alexandre Pundek Rocha destaca a previsão do crescimento do grupo de famílias que mais se destaca no consumo interno brasileiro, a classe C.
Conforme previsão do BC que o especialista apresentou aos estudantes da região no evento, 2011 encerrará com cerca de 102 milhões de habitantes pertencentes à classe C.

E o número terá incremento expressivo de 11 milhões de consumidores até 2014, bem maior do que as demais classes de consumo, demonstrou Rocha. Assim, o Brasil terá 113 milhões de pessoas pertencentes à classe C ao fim daquele ano. A classe C saltaria de 53% da população brasileira para 56%.
Aplicando a previsão de incremento da classe de consumo na população do Grande ABC, o crescimento seria de 130 mil pessoas. Hoje, conforme a Pesquisa socioeconômica do Instituto de Pesquisas da Universidade de São Caetano, metade das famílias da região pertence à chamada nova classe média, o que soma certa de 1,27 milhão de habitantes. Portanto, seguindo a tendência apresentada por Rocha, esse grupo, em 2014, atingiria 1,40 milhão de pessoas.

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A estimativa é animadora, pois o aumento da classe C é compensado pela suposta ascensão da classe E, que passaria de 26 milhões de pessoas no fim deste ano, no País, para 16 milhões de habitantes

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