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Para a Fenomenologia, globalização é tão antiga quanto o mundo

Exposição de Rui Josgrilberg aborda o mundo como horizonte comum a todos e onde nenhuma cultura é inalcançável

13/08/2015 22h55 - última modificação 09/09/2015 17h54

É possível transportar para a Ucrânia o mundo do jagunço Riobaldo, suas lutas e o amor reprimido por Diadorim relatados no clássico da literatura brasileira “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa?

A resposta é sim a partir da tradução da língua e de adaptações verbais àquele ex-território russo, mas principalmente se levar em conta o princípio da Fenomenologia de que o mundo é um horizonte comum a todos, sobre o qual se desdobram outras culturas e vidas que se entrelaçam. É por isso que na China, mesmo não existindo a palavra “ser”, ela é compreendida, assim como as culturas asteca e maia puderam ser decifradas e resgatadas apesar da destruição dos manuscritos desses povos pelos colonizadores espanhóis.

“É equivocado achar que há culturas inalcançáveis por outras culturas, porque todo ser humano tem como ponto de partida o mundo – esse horizonte que estabelece diálogo e conexão entre as várias formas de vida”, descreve o fundador da Sociedade Brasileira de Fenomenologia e professor de pós-graduação em Educação e Ciências da Religião da Universidade Metodista, Rui de Souza Josgrilberg. Ele foi palestrante na 18ª Semana de Filosofia na noite de 11 de agosto e falou sobre “Fenomenologia e Cultura: a Filosofia em Zigzag no Mundo Vivido”.

Professor Rui resgatou a linha de Edmund Husserl (1859-1938), grande desenvolvedor da Fenomenologia, que consiste no estudo dos fenômenos e como se manifestam, seja através do tempo ou do espaço. Resumidamente, estuda a essência das coisas e como são percebidas no mundo por meio de seus significados e sentido. Surgiu no século XX propondo uma volta das pesquisas filosóficas ao homem abrangendo seus aspectos racionais e irracionais.

Horizonte universal

A partir do pensamento de Husserl de que o mundo é a plataforma fixa (horizonte) que descortina para os seres várias possibilidades ao longo da história, a própria globalização pode ser definida como tão antiga quanto o mundo. “A globalização pode ter começado com as novas ideias da Renascença ou agora, com a era das tecnologias e das trocas sem fronteiras, mas sua essência é tão antiga quanto o ser humano porque traz a ideia de que todos temos um horizonte universal tão amplo quanto o mundo”, citou professor Rui Josgrilberg.

Segundo explicou, a Fenomenologia ajuda a compreender como os diferentes mundos se entrelaçam, inclusive o das ciências. “A ciência é prepotente porque se esquece do próprio solo onde nasce. Para Husserl, toda ciência nasce do cotidiano do mundo e ali se desenvolve. Mas a ciência vê o cotidiano como um mundo da não-verdade, com opiniões equivocadas que cabe a ela (ciência) corrigir com fundamentações. Ora, não é a ciência que fundamenta o mundo, mas sim o inverso. Ciência que não se volta para o cotidiano, que não tenha sentido humano, é ciência para o nada”, provocou o fundador da Sociedade Brasileira de Fenomenologia.

Assista à palestra ministrada pelo professor Rui Josgrilberg:

A 18ª Semana de Filosofia é promovida pelo curso de Filosofia da Universidade Metodista e este ano ocorre de 10 a 14 de agosto com o tema “Pensando fora do eixo: outras perspectivas filosóficas”.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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