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Holocausto deve ser alerta para atos atuais de terror, afirmam especialistas

20/03/2015 21h20 - última modificação 23/03/2015 18h40


Cerca de seis milhões de judeus exterminados, dois a três milhões de soviéticos prisioneiros de guerra assassinados ou mortos por enfermidades e inanição, centenas de milhares de ciganos e homossexuais abatidos ao lado de deficientes físicos e mentais, comunistas e testemunhas de Jeová.

Por que empilhar tantos corpos?

É necessário quantificar a tragédia para torná-la sempre presente aos olhos da humanidade, responde Karel Reynolds, diretora do Museu do Holocausto WFCS, dos Estados Unidos, que falou sobre esse que é considerado o maior crime do século 20 em palestra na Universidade Metodista de São Paulo dia 19 último.
Praticado pelo nazismo na 2ª Guerra Mundial, o holocausto foi tema do Colóquio Kairós promovido pelo curso de Filosofia em parceria com a Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania (ABLIRC). Também participou Connie Davies, professora com especialização em direitos civis e coordenadora do Museu do Holocausto WFCS.     Karel Reynolds e Connie Davies

A mensagem de ambas convergiu para a tese de que holocaustos se repetem nos dias atuais idênticos à sua origem, ou seja, na forma de perseguição, preconceitos, medidas discriminatórias e extermínios de pessoas e povos. O canário inclusive estaria pior, porque atos de ódio e de terror ressurgem a bordo da tecnologia. “Os dois irmãos que praticaram o atentado na maratona de Boston em 2013 aprenderam a fazer bomba pela internet”, advertiu Karel Reynolds, especialista em Educação e Programas Escolares sobre Holocausto e professora, pesquisadora e palestrante internacional sobre o assunto. O tema de sua palestra foi “Para Que Lembremos”.

Karel tocou na capacidade histórica de o homem fazer o bem e o mal, conforme a motivação. A caça de Adolf Hitler aos judeus e outros “inimigos” dos alemães pode ser vista hoje, em outras proporções, nos atos extremistas do Estado Islâmico, na perseguição até a morte aos albinos na Tanzânia sobre os quais criou-se o mito de que seu sangue e corpos valem muito, ou então na proibição com severas penas às mulheres de dirigirem veículos no Oriente Médio. A professora citou ainda os estupros em massa que ocorrem na Índia e são proibidos de divulgação.
“São episódios que mostram o que o ódio pode fazer”, alertou a diretora do Museu do Holocausto, ao reforçar que não se deve dar trégua na queda de braço com o esquecimento do genocídio ocorrido na 2ª Guerra Mundial.

Máquina mortífera

Entre as lembranças desse período Karel Reynolds destacou o que chamou de máquina especializada em matar criada por Hitler, representada por uma estrutura orgânica com refinada logística e profissionais de gabarito. Apontou relatos de enfermeiras que injetavam porções letais em crianças deficientes, médicos que promoveram esterilizações em massa e experimentos em pessoas vivas, nutricionistas que calculavam cardápios de baixa caloria para provocar a morte por fome, engenheiros e químicos que se esmeraram na construção de câmeras de gás.

“O holocausto revelou a capacidade do horror humano. Agrava o quadro o fato de os adeptos de Hitler não acharem que estavam praticando o mal. Diziam que cumpriam leis”, afirmou Karel Reynolds, citando que não era crime assassinar “inimigos” do regime, segundo relataram funcionários do alto comando nazista no Tribunal Militar Internacional de Nuremberg.

Ódio contra democracias     

Na visão das diretoras do Museu do Holocausto, que está sediado na Carolina do Norte, o acontecimento foi um divisor da história da humanidade porque também mudou a agenda das nações para a questão dos direitos humanos. Connie Davies ressaltou que é um privilégio a Universidade Metodista promover esse tipo de debate de forma plural, aberta e pacífica. “A maioria dos povos vive sob ditaduras, com liberdades reprimidas, e está crescendo o ódio contra princípios democráticos”, disse em sua palestra sobre “A Responsabilidade Estatal na Preservação dos Direitos Fundamentais dos Cidadãos”.

Connie Davies lembrou que foi surpreendente a virada da Alemanha de país democrático para uma nação sob o tacão absolutista de Adolf Hitler. Até 1932 os alemães eram regidos por uma Constituição moderna à época, que lhes garantia direitos de cidadãos e reconhecia a autonomia dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Quando Hitler chegou ao poder como chanceler, em 1933, a Alemanha deixou de ser democracia em seis meses, relatou. “Em apenas um mês, Hitler colocou o Legislativo no chão, substituindo-o pelo Ato de Empoderamento do chefe da Nação e supressão de todos os direitos. Crianças judias não podiam ter cachorros nem brinquedos, mulheres foram despojadas de suas joias e todos foram circunscritos em guetos identificados com a estrela de Davi. Não podiam andar na mesma calçada que alemães”, descreveu.

A liberdade requer vigilância e os povos devem ser instruídos sobre seus direitos, advertiu Connie, que tem experiência em suporte a escritórios do Congresso dos Estados Unidos, tendo atuado, por nomeação do governador de Carolina do Norte, em vários casos envolvendo desrespeito aos direitos fundamentais. Ela alertou que democracias são ameaçadas no mundo inteiro e nações que se silenciam diante disso acabam, na verdade, permitindo que abusos continuem sendo praticados.

O Colóquio Kairós também contou com apresentação do coral de ex-alunos do Colégio Cristão Rhema e do presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania, Samuel Gomes de Lima, que destacou a pluralidade das religiões e a aceitação de quem não tem fé como exemplo de tolerância e respeito aos povos. Uma exposição de telas sobre a submissão dos judeus e imagens que remetem ao holocausto completou o evento do curso de Filosofia.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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