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Volta às aulas e caminhões de mudança cheios de livros. Em 1938 e agora.

05/02/2013 12h55 - última modificação 05/02/2013 12h57

As aulas começaram no dia 4 de fevereiro, mas em janeiro já havia muita atividade na Faculdade de Teologia. A equipe do professor Otoniel Ribeiro, diretor administrativo, realizou uma manutenção geral dos espaços de aula e moradia. Os funcionários da FaTeo fizeram uma limpeza minuciosa das salas de aula; avaliaram os computadores dos laboratórios; acompanharam, junto da equipe da Universidade Metodista, a instalação da rede Wi-Fi  nos edifícios Ômega, Gama e Alfa; pintaram apartamentos... Mas cansativo mesmo foi procurar imóveis nas imediações da Faculdade de Teologia, já que os apartamentos do Edifício João Wesley não são suficientes para receber os/as calouros/as casados/as e alguns alunos e alunas que se casaram no final de ano.  “Assinamos 20 contratos de novas locações, além das locações dos veteranos”, relata o professor Otoniel.

Uma das tradições que a FaTeo tem conservado em toda a sua história é a manutenção de moradias para estudantes de todo o Brasil enviados pela Igreja Metodista para a formação teológica. O envio oficial por parte de igrejas das diferentes regiões da Igreja Metodista dá a esses/as estudantes o direito a uma bolsa de estudos integral e a uma bolsa-moradia, dependendo das vagas nos espaços existentes para solteiros/as e casados/as. Assim, em todo o começo de ano, é comum a gente ver os caminhões de mudanças chegando. Trazem novas famílias, eletrodomésticos, livros em profusão e muita expectativa na bagagem...

Assim também era há 75 anos, quando a Faculdade de Teologia da Igreja Metodista foi oficializada no 3º Concílio Geral da Igreja Metodista, a partir da fusão de duas instituições de ensino mantidas pela Igreja: a Faculdade d´O Granbery, de Juiz de Fora, e a Faculdade de Teologia do Sul, de Porto Alegre. Inicialmente, a “Faculdade de Teologia da Igreja Metodista” funcionou em Juiz de Fora e depois, entre 1940 e 1942, instalou-se no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Até que a Igreja conseguiu adquirir um imenso terreno no então “Bairro dos Meninos” – hoje, Rudge Ramos, onde se encontra até os dias de hoje.

O ano de 2013 marca, portanto, os 75 anos de oficialização da chamada “Faculdade de Teologia da Igreja Metodista”, criada pelo 3º Concílio Geral. Data importante, mas que não impede a FaTeo de celebrar, também, 123 anos de história em educação teológica.  Afinal, foi no ano de 1890 que a primeira semente foi plantada: 1890 foi o ano de criação do primeiro seminário teológico mantido pela Igreja Metodista no Brasil, o “Seminário d´O Granbery”, embrião da Faculdade Granbery que, por sua vez, seria incorporada à Faculdade de Teologia criada pelo Concílio Geral. O relato a seguir fala um pouco desse período de expectativas que vivia a FaTeo, juntamente com seus alunos, naquela época de mudanças,  tal como os/as novos/as estudantes que chegam para o ano letivo de 2013.

Depoimento de Juracy Sias Monteiro, ex-aluno d’O Granbery, pastor metodista falecido no ano de 2010, aos 94 anos de idade, tendo dedicado 72 anos ao ministério pastoral metodista. Texto extraído do livro “Minha vida, meu ministério”, 1998, p. 22:

Estava nas férias de fins e princípio do ano, dezembro de 1937 e janeiro de 1938. Esperava o início do ano chamado de Termo Eletivo, com início em 15 de janeiro. Era o meu primeiro ano de Faculdade de Teologia. (...) O Concílio Geral de junho de 1938, reunido no Granbery, em Juiz de Fora, criou a Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil, cuja sede seria São Paulo.

O primeiro reitor da nova Faculdade foi o Rev. Sante Uberto Barbieri, que não chegou a tomar posse, por divergência com o Conselho Diretor. O vice-diretor, Rev. Mr. Buyers, tomou posse e ficamos no Granbery até o começo de dezembro de 1939.

Eu sempre trabalhei para pagar os estudos, principalmente no ginásio, lascando lenha, (...) em jardim, horta, encerando casa e outras “diversões”. Estamos de mudança para São Paulo, em 4 de dezembro de 1939. Mr. Buyers e dona Virgínia Buyers, sua esposa, eram meus conhecidos e amigos já há alguns anos e sabiam muito bem da minha disposição para o trabalho. Fui por eles convidado para fazer a mudança para São Paulo. Como me conheciam, de sobejo não titubeei e aceitei o convite.

Na manhã de 4 de dezembro, o Sr. Custódio Lage, caminhoneiro residente em Três Rios, metodista, estava com o seu caminhão encostado à porta do saudoso Seminário do Granbery para fazer a primeira viagem de mudança da saudosa Faculdade. Ao meio dia partimos. A estrada Rio-São Paulo ainda era encascalhada. Fomos dormir em Aparecida. No dia seguinte, mais ou menos ao meio dia, estávamos em Vila Mariana, São Paulo, Rua do Cubatão, 948, descarregando a primeira viagem.

Enquanto o caminhoneiro voltava a Juiz de Fora para segunda viagem, fiquei fazendo as primeiras arrumações. Recebi algumas caixas de livros da Faculdade de Teologia de Porto Alegre, que se fechou com a do Granbery, pelo Concílio Geral, para criar a da Igreja Metodista.

O prédio da nova Faculdade era de três andares. No primeiro, ou térreo, como melhor é chamado, instalou-se a biblioteca com as salas de aula. No segundo andar estavam a residência do reitor e o refeitório comum para os alunos. Era espaçoso e confortável. No terceiro andar, com quartos e beliches, ficavam os dormitórios dos alunos e mais banheiros. Nos fundos havia uma sacada aprazível.

Mr. Buyers chega com a família. Preparamos a garagem toda de prateleiras para colocar uma boa parte de livros que estava sem lugar. Mr. Buyers comprou boa quantidade de tábuas e ele e eu fomos os carpinteiros que, com serrote, martelo e pregos, demos conta da tarefa. Tudo pronto. Em 15 de janeiro inicia-se o letivo. O ambiente era festivo e bem agradável.

Foto: Faculdade Granbery, 1922

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