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Viva Nelson Mandela, um símbolo de resistência e esperança

06/12/2013 10h40 - última modificação 06/12/2013 10h42

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Mateus 5:6

Morreu, aos 95 anos de idade, Nelson Mandela, líder da luta anti-apartheid na África do Sul e, no mundo todo, um  símbolo de resistência contra o racismo.  Após um longo período de enfermidade e meses de internação devido a uma infecção pulmonar, Mandela morreu em casa, na noite dessa quinta-feira, 5 de dezembro de 2013.  Mais uma vez, Mandela está livre. Resistência, perseverança e integridade, qualidades que ele vivenciou intensamente, permanecem vivas como seu legado – à disposição de quem tiver coragem para as assumir.

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho de 1918, na pequena aldeia de Mvezo, no Rio Mbashe, distrito na região de Transkei, África do Sul. De etnia Xhosa, ele também é chamado por seu nome de clã, Madiba. Sua mãe era metodista, e Nelson seguiu os seus passos, freqüentando uma escola missionária metodista.

Em 1934, Mandela ingressou na Universidade de Fort Hare, para estudar Direito. Contudo, ao final do primeiro ano, envolveu-se com o movimento estudantil e participou de um boicote contra as políticas universitárias, sendo expulso da universidade. Dali foi para Johanesburgo, onde terminou sua graduação na Universidade da África do Sul (UNISA), em um curso por correspondência. Continuou seus estudos de direito na Universidade de Witwatersrand.

Como jovem estudante do direito, Mandela militou na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942 e dois anos depois fundou, com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, Mandela tornou-se mais ativo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade – documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid.

Comprometido de início apenas com atos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180.

Em 1961, ele se tornou comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Nação", ou MK), fundado por ele e outros militantes. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo e viajou para o Marrocos e Etiópia para treinamento paramilitar.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas antiapartheid em vários países.

Em 1986, o Bispo metodista Lawi Imathiu, do Kênia, tornou-se o primeiro africano a estar à frente do Concílio Mundial Metodista. Em Nairobi, o Concílio Mundial Metodista clamou pelo fim do apartheid e pelos grilhões que escravizavam o povo na África do Sul.

Autorizado pelo Concílio Mundial, Lawi Imathiu liderou a delegação na visita ao Presidente Botha na África do Sul. De um africano para outro, Imathiu abertamente clamou ao Presidente Botha para que libertasse Nelson Mandela da prisão e removesse as algemas do povo. E clamou ao Presidente Botha: "Deixa meu povo ir".

O impacto de todo o Movimento Mundial Metodista, liderado pelo corajoso Imathiu esteve entre as vozes que contribuíram para a mudança e reconciliação da África.  Em 11 de fevereiro de 1990, finalmente Mandela foi libertado, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk. Tinha, então, 72 anos de idade.

No dia 27 de abril de 1994, aconteceram as primeiras eleições gerais multirraciais. O CNA obteve 58% dos votos, elegendo Mandela, o primeiro presidente negro da Republica Sul-Africana.

Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz em 1993.

Raízes metodistas


Mandela e sua esposa Graça Machel têm raízes metodistas profundas. Mandela foi educado em uma escola Metodista  na África do Sul.  Graça Machel é da  Metodista Unida e lecionou em uma escola Metodista em Moçambique.

Ainda como Presidente da África do Sul, Mandela visitou a congregação  Metodista em Langa, em 14 de fevereiro de 1999, e reconheceu a importância da Igreja Metodista, a qual chamava de “minha Igreja” e declarou:

“Rev Nkomonde
Membros da Congregação
Amigos,
Como presidente, eu tive o privilégio de assistir a várias conferências de grupos religiosos, incluindo no ano passado a conferência da Igreja Metodista. Aquela é sempre uma experiência inspiradora e incentivadora. Mas é mais assim quando se pode compartilhar de um momento como este com uma congregação. É uma honra especial e eu agradeço-o do fundo de meu coração por uma vez mais ser convidado a estar com você.
Estar aqui, na comunidade, onde os homens e as mulheres vivem sua fé em suas vidas diárias, nós podemos compreender o que uma religião poderosa dá força em nossa sociedade. Sustenta os valores espirituais e morais que nos unem em toda nossa diversidade (...).
Durante todas gerações da opressão e discriminação, a religião deu ao povo incontável determinação e o compromisso para resistir a desumanidade. Muitos extraíram da religião a coragem para sobreviver à dor (...).
Nós recordamos como os organismos religiosos foram responsáveis para a instrução dos milhões de africanos do sul quando o governo nos negou. Nós recordamos como durante nossos anos na prisão a nossa igreja e outras comunidades religiosas nos atenderam, trazendo o cuidado e o incentivo espirituais através dos capelães que nos visitaram; e importando-se com nossas famílias quando nós não poderíamos fazer assim (...)”.

Prêmio metodista

No ano de 2000, Nelson Mandela foi homenageado pelo Concílio Mundial Metodista com o Prêmio Mundial Metodista da Paz. E, com a simpatia que lhe era tão característica, declarou: “Já recebi muitos prêmios, inclusive o Nobel da Paz, mas este é muito especial para mim, é o prêmio concedido pela minha Igreja Metodista”.

Fonte: UOL, Sede Nacional da Igreja Metodista e Odilon Massolar Chaves


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