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Vida, Missão e Discipulado: veja como foi a programação da Semana de Estudos Teológicos 2012

26/10/2012 13h30 - última modificação 26/10/2012 14h02

Discipulado é uma palavra muito presente na Igreja Metodista nos dias de hoje. Aprofundar a compreensão dessa palavra à luz do Plano de Vida e Missão da Igreja Metodista (PVMI), que completa 30 anos em 2012 foi o objetivo da Semana de Estudos Teológicos que se realizou na FaTeo de 22 a 24 de outubro.

O painel de abertura do evento – “Expansão Missionária e a perspectiva do Plano para Vida e Missão”  -- foi compartilhado pelo Reverendo Dr. Clovis Pinto de Castro, reitor  da Universidade Metodista de Piracicaba e Revda. Joana D'Arc Meireles, Secretária Executiva para Vida e Missão da Igreja Metodista, que enfatizaram a importância histórica do documento. A pastora Joana destacou que o PVMI não é uma tradução ou adaptação da experiência vivida em outro contexto: “tem história e identidade brasileiras”.

O Rev. Clovis afirmou a importância de não se perder a memória do passado “para não sermos massacrados pelo presente”. Ele criticou a atual ênfase dada a uma “espiritualidade egoísta”, que busca o prazer imediato e descartável. Reafirmou a importância de se ressignificar a dimensão pública da Igreja e lamentou que a Igreja tenha  perdido a paixão pelo projeto missionário que “ tinha dimensão pública e opção preferencial pelos pobres”: “O PVMI é acreditar que Deus pode transformar o mundo”.

Na manhã de terça-feira, o Reverendo Nicanor Lopes, vice-reitor da FaTeo e coordenador do curso de Teologia fez uma análise do contexto e conjuntura da realização do Plano de Vida e Missão,  qualificando os anos 80 como “um dos momentos mais fortes de comprometimento da Igreja com a sociedade”.   E observou que, embora hoje a Igreja esteja muito influenciada por um tipo de “missiologia gerencial” que, pragmática, visa essencialmente ao crescimento numérico,  o Plano de Vida e Missão continua como documento vigente da Igreja Metodista.

As reflexões que se seguiram foram conduzidas pelo Rev. Dr. Ely Eser Barreto Cesar, que foi editor do PVMI.  Ele iniciou sua palestra de maneira contundente: “a Igreja Metodista hoje está no limite da idolatria”, afirmou.  A seguir, traçou um panorama dos fatos que antecederam a elaboração do plano, começando pelos duros tempos do golpe militar de 1964. Lembrou o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, que levou uma multidão a um ato ecumênico na Catedral da Sé; lembrou do movimento pelas eleições diretas e da anistia aos presos políticos, que chegaria apenas no ano de 1979; deu destaque à Teologia da Libertação, nascida das lutas e dos sonhos da América Latina nesse período.  Foi a partir do despertamento para essa realidade social que nasceu o Plano de Vida e Missão da Igreja Metodista, imbuído de um ideal de santidade que une piedade e misericórdia. Segundo o Reverendo Ely Eser, a missão da Igreja é participar da construção do Reino de Deus, tarefa que deve emergir da identificação das necessidades materiais das pessoas e sociedades e que só pode ser realizada de forma cooperativa com outras organizações que promovam a vida, sejam elas religiosas ou laicas.

 

O tema da cooperação na construção do Reino foi retomado na noite de terça pelo Rev. Eber Borges da Costa, Coordenador Nacional de Educação Cristã da Igreja Metodista. Ele lembrou que a Igreja é cooperadora da missio Dei, a “missão de Deus”  e que, portanto, essa missão não se restringe a fazer adeptos para uma denominação específica nem a construir templos vistosos que possam se destacar na paisagem.

 

Falando sobre os “Desafios contemporâneos para a Vida e a Missão da Igreja” a Profa. Dra. Magali do Nascimento Cunha, coordenadora do Programa de Relações Institucionais da FaTeo, convidou as pessoas presentes a olhar para nossa realidade sociocultural, que traz algumas melhorias, nas áreas de economia e educação, mas ainda traz muitas deficiências.  Para a Igreja surgem também os desafios do consumismo, individualismo, dos relacionamentos descartáveis, de novos modelos de família. No campo religioso, convive-se com significativo crescimento numérico evangélico, um trânsito religioso cada vez mais intenso e formação de novas igrejas. Cresce a presença dos evangélicos na mídia e na política, mas com poucos frutos, pois o olhar da Igreja é ensimesmado.

A manhã da quarta-feira foi dedicada a avaliar os modelos de discipulados adotados pela Igreja Metodista. O Rev. Jonadab Almeida, coordenador do processo de editoração do Plano Nacional Missionário da Igreja Metodista 2012-2016, lembrou que “antes de ser um método, o discipulado é uma maneira de ser, um estilo de vida à luz do Evangelho” e enfatizou a importância de que o discipulado aconteça no cotidiano. “Ele deve ter a perspectiva do cuidado, de pastoreio mútuo. Não devem ter um fim em si mesmos, mas os grupos devem fortalecer os trabalhos da Igreja”.

O Rev. Dr. Stephen Bryant, representando a Junta de Discipulado da United Methodist Church, EUA, também enfatizou a dimensão cotidiana dos grupos de discipulado, como espaços de crescimento espiritual da comunidade.  Segundo o reverendo Bryant, os grupos de discipulados que têm as “marcas wesleyanas” são cristocêntricos (o líder é Cristo) e devem ter o “formato da cruz”: um de seus lados aponta a verticalidade da relação com Deus, enquanto o outro estende-se ao próximo. São, portanto, grupos direcionados à missão.

O Reverendo Bryant, que além da palestra ministrou um minicurso sobre discipulado a partir do modelo wesleyano, enfatizou a necessidade de buscarmos o “discipulado transformador” de Jesus  Cristo.  “Quando nos abrimos a Jesus também nos abrimos aos amigos e amigas de Jesus (que não fez distinção de raça, cor, classe social ou orientação sexual)”, afirmou. A inclusividade da “grande comissão” descrita em Mateus 28.16-20 também foi destaque na palestra do Rev. Dr. Paulo Roberto Garcia, reitor da FaTeo. O chamado é para todos/as.   “Temos a tendência a nos relacionarmos com quem nos identificamos. É um amor narcisista; amo aquele que pensa como eu, que me reflete. Não há maior amor do que amar ao que é diferente”.

Especialista em grego e literatura do Novo Testamento, o Prof. Paulo explicou que, apesar das traduções que dizem “Ide por todo mundo e fazei discípulos...”, no original o único verbo que está o imperativo é o “discipular”. Os demais estão num tempo verbal que equivaleria ao gerúndio da língua portuguesa, o que enfatiza a característica da repetição e da continuidade: somos discípulas e discípulos de Jesus (e não de qualquer outra pessoa) indo, batizando, ensinando...  “Jesus fazia discípulos na caminhada, na dimensão do ´indo´, do cotidiano”.

No culto de ação de graças que fechou a noite de quarta-feira, houve tocantes momentos de testemunho de metodistas que vivenciam o Plano de Vida e Missão nos ministérios:  Adolescentes em Conflito com a Lei, Pequenos Agricultores, Povo de Rua, Defesa dos Direitos Humanos, Indígenas, Bóias-Frias, Mães Sozinhas, Barco Missionário.

Na foto, a pastora Kaká (Maria do Carmo Moreira Lima), da 1ª Região, fala sobre sua experiência na Pastoral da Juventude em Conflito com a Lei.

 

 

O ofertório foi dedicado à Campanha de Oferta para Ação Social da Igreja Metodista.

 

Na quinta e sexta a programação foi inteiramente dedicada à apresentação dos trabalhos de Pesquisa da FaTeo. Estudantes e professores/as da FaTeo participaram do Congresso Científico e XIV Seminário de Extensão da Metodista.

A professora Margarida Ribeiro e equipe que participou de mesa-redonda, no dia 24/10, sobre o projeto BIOVIA, projeto realizado por meio de parceria entre a Metodista e a ECOVIAS , para realizar o atendimento os caminhoneiros que trafegam na Rodovia do Sistema Anchieta-Imigrantes. Participaram a Profa. Margarida Ribeiro e os alunos Douglas Bortone (1º ano – 4ª região), Rosângela Hirono (2º ano – 3ª região), Priscila Vieira (3º ano – 6ª região)e Rosana de Fátima Pires (4º ano – 5ª região), com apoio de Gregório Teodoro da Silva Neto. A professora Margarida também apresentou trabalho sobre o barco hospital que atua na região norte do país,  sobre a Pastoral Metodista do Agricultor/a e Meio Ambiente da 2ª Região Eclesiástica.

Veja também:


CLIQUE AQUI PARA VER A PROGRAMAÇÃO  DO XV  CONGRESSO DE INICIAÇÃO E PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA METODISTA

 

Apresentação do Minicurso de Stephen Bryant - terça-feira

 

Apresentação do Minicurso de Stephen Bryant - quarta-feira


Texto: Suzel Tunes

Fotos: Luciana de Santana

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