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Thomas Kemper e o chamado missionário no culto da FaTeo

06/03/2013 14h55 - última modificação 07/03/2013 14h07


06/03/2013

Em visita ao Brasil entre os dias 4 a 7 de março,  o Secretário Geral da Junta de Ministérios Globais da Igreja Metodista Unida, sediada em Nova York, EUA, Dr. Thomas Kemper (foto),  foi o responsável pela prédica do culto da Faculdade de Teologia que ocorre todas as quartas-feiras.  À FaTeo, ele trouxe uma reflexão baseada no livro bíblico de Lucas, capítulo 10 (v.1-11) e em sua experiência como missionário leigo e atual coordenador de um escritório que dá suporte a mais de 300 missionários metodistas espalhados pelo mundo.  Mas a comunidade composta de estudantes, corpo docente, funcionários/as e visitantes teve o privilégio de ouvi-lo em português. Mais do que uma importante liderança metodista mundial, Thomas Kemper é antigo amigo da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista.  De origem alemã, Kemper foi missionário no Brasil entre 1986 e 1994, período em que participou do trabalho missionário que daria origem à Comunidade Metodista do Povo de Rua e deu aulas  de Sociologia da Religião na FaTeo, deixando muitos amigos e saudades.

Após a saudação dirigida aos velhos e novos amigos, Kemper fez uma breve apresentação da Junta de Ministérios Globais, destacando a pluralidade de culturas e pessoas envolvidas nesse trabalho. “A Igreja Metodista Unida não é só americana. Temos 11 milhões de membros, dos quais 4 milhões são de outros países”, lembrou o Secretário, destacando a presença da denominação na Alemanha e em países da África.  No sede da Junta de Ministérios Globais, em Nova York, há funcionários oriundos de 30 diferentes países e o órgão já tem escritórios na Argentina, Estônia e Jerusalém ( onde o objetivo principal é levar solidariedade às igrejas cristãs locais e, em especial, aos cristãos palestinos). O próximo escritório, a ser inaugurado no mês que vem, informou Kemper, será na China, em Hong Kong.  

A experiência de seu trabalho à luz de um texto que pode ser considerado a primeira orientação sobre missões da história do cristianismo levou Thomas Kemper a extrair seis lições a respeito do trabalho missionário:

1)    Jesus manda discípulos em dois.
“Ele não manda ninguém sozinho na missão, é sempre em parceria”, disse Kemper. Isso significa que, em primeiro lugar, o chamado do missionário deve ser confirmado por sua comunidade de fé, que será sua parceira. E, uma vez no campo missionário, a missão se faz em conjunto com outras comunidades de fé.  Falar de missão é falar de parceria.


2)    Jesus manda missionários/as como ovelhas no meio de lobos.
“Essa é uma experiência que vivemos ainda hoje”, afirmou o Secretário. Ele compartilhou dois exemplos: o assassinato recente de um grupo de missionários no Afeganistão e a prisão de um evangelista na Ásia, cujo testemunho de fé o tocou profundamente:  a esposa desse missionário foi chamada à visitá-lo na prisão com a incumbência de pedir-lhe que orasse menos. Os guardas da prisão estão cansados  das orações que ele eleva a Deus o dia todo! Esse testemunho fez Thomas Kemper lembrar-se dos apóstolos de Jesus na prisão.


3)    Viaje “light” (leve) , sem sacolas nem sandálias
. Hoje é costume pensar que a missão depende de dinheiro, acima de tudo. “Especialmente nos Estados Unidos”, disse Kemper.  Os cristãos tendem a pensar que, quanto mais dinheiro mais sucesso terá a missão.  Essa não é uma realidade. Muito pode ser feito com pouco.


4)    Aceite a hospitalidade de estranhos. João Wesley, que viajava a cavalo na Inglaterra do século 18, certamente com bagagem leve, também dependia de estranhos para comer e dormir.  “Só podemos estar em missão se estamos dispostos a receber”, disse Kemper.  “Não temos toda a verdade. A verdade é de Deus. Precisamos estar dispostos a dar e receber”. Ele lembrou que, na década de 1980, quando trabalhava com os “sofredores de rua” junta a freiras católicas no centro de São Paulo (experiência missionária que daria origem à Comunidade Metodista do Povo de Rua) , o “sopão” feito com sobras da feira era uma obra coletiva. Missionários e povo de rua se mobilizavam para conseguir alimentos e preparar a refeição. Depois, essa refeição era compartilhada por todas as pessoas antes do culto. “Todos recebíamos e doávamos.  E depois celebrávamos juntos”.


5)    Sacuda a poeira dos pés. “Essa é uma lição difícil”, admitiu Thomas Kemper.  “A gente acha que tem que insistir,  que a pessoa tem que aceitar a Jesus de qualquer maneira”, disse ele. Há pessoas que passam a vida inteira se lamentando pelo que não “deu certo”, ficam olhando para trás. Muitas vezes, é necessário seguir em frente em busca de algo novo. Não se pode impor o Evangelho.


6)    O Reino de Deus está na porta de casa, está em vocês. Missionários/as são humanos/as, mas parceiros/as de Deus na missão. Assim, a despeito de todas as falhas que têm,  é por meio deles/as que o Reino chega às pessoas, quando se unem a Deus. “Deus nos usa e nos deixa participar da missão se seguirmos o seu chamado!”

Ao final do culto, conduzido por professoras da Faculdade de Teologia, em celebração ao Dia Internacional da Mulher, a comunidade da FaTeo foi convidada a, simbolicamente, sair para a missão, de dois em dois, caminhando pelo hall do Edifício Ômega ao som de uma canção que é, ao mesmo tempo, inspiração e exortação:

♫    Novo nascer
O Espírito de Deus
Abre as portas para um novo caminho
Que Ele tem nos proposto a seguir.
Se o seu povo que andar e fiel permanecer
Deve estar atento à voz e sensível para ver.
Muita gente que ainda não percebeu
O milagre de um novo nascer.
O Espírito de Deus
Nos permite perceber como vive a nossa gente
E aonde vai chegar.
Nos convoca pra apontar a injustiça, o erro, o mal
E anunciar a vida nova que vem para ficar.
E assim muita gente enfim verá
Que é chegado o reino de amor.


[SSPOART, Criação coletiva]

 

Culto dirigido por professoras da FaTeo, celebrando Dia Internacional da Mulher (foto: Luciana de Santana).


Suzel Tunes/FaTeo

Fotos: Mônica Rodrigues e Luciana de Santana

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