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Teologia, a parteira da Universidade

22/05/2009 21h53

Na manhã do dia 21 de maio, o teólogo Fernando Altemeyer, professor da PUC de São Paulo, discorreu sobre o tema Educação teológica no contexto universitário.


Ele lembrou inicialmente que o contexto universitário é devedor da educação teológica como sua matriz primitiva desde o século XI. A educação teológica é a origem do pensamento universal. Se hoje ela é uma espécie de “filha enjeitada” querendo encontrar seu espaço na academia, disse ele, a Teologia já foi a "parteira" da Universidade.


Altemeyer destacou que todos os grandes e iminentes cientistas do século XII, como Descartes e Bacon, eram religiosos. Buscavam na ciência caminhos para conhecer melhor a natureza e o próprio Criador. Assim surgiu a Universidade, como uma espécie de expansão ou “reverberação” do saber teológico.


Hoje, o conhecimento científico rejeita o teológico. Fernando Altemeyer criticou essa rejeição, que ele qualifica como um reducionismo. “Não é possível conceber o conhecimento a partir de uma única chave", afirmou.


"Wesley deu um chute em Descartes. E bem dado", brincou o teólogo ao destacar que o teólogo inglês trouxe uma significativa mudança de concepção: "Se Descartes falava cogito ergo sum (penso, logo existo), Wesley disse: sinto, logo existo. O saber não nos torna melhores nem mais felizes, e essa é a principal crítica que fazemos hoje à modernidade", disse ele.


Segundo o teólogo, sem rejeitar a identidade laica da Universidade, a Teologia tem a capacidade de dialogar em pé de igualdade com todos os outros saberes. "Ela é digna de conversa, de diálogo". Ele fez, porém, uma importante ressalva: é preciso que a Teologia se coloque no patamar de excelência acadêmica dos demais saberes universitários.


Lembrando, bem-humorado, de uma ex-aluna sua, uma religiosa muito piedosa que extraiu um trabalho inteiro da Internet sem, ao menos, se dar ao trabalho de ler ("foi o maior zero que já dei em minha vida"), ele fez um alerta aos/as estudantes presentes: "Não se faz teologia sendo desonesto, sendo vagabundo".


Altemeyer destacou que fazer teologia acadêmica significa mergulho, estudo sistemático, pesquisa, disciplina e boa literatura."É preciso também que a gente escute a Academia, as outras áreas do conhecimento, que têm suas dúvidas e crises existenciais a apresentar para a Teologia. O que eles querem de nós? O que podemos oferecer? É necessário perguntar isso para os outros saberes", disse ele.


E finalizou sua palestra fazendo um convite aos/às teólogos/as: que o ensino teológico possa "trazer alegria" à Universidade, entregar aos outros o gosto pelo universal, o gosto do encontro com o divino, o unguento e o perfume, a pitada de sal que dá gosto ao conhecimento".

Suzel Tunes

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