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Sobre o Dia da Bíblia, "o livro feito em mutirão"

27/11/2013 11h45 - última modificação 27/11/2013 13h47

Dia 10 de dezembro comemoramos o Dia da Bíblia. Mas qual a origem dessa celebração?

Leia abaixo o texto "Bíblia, livro feito em mutirão", escrito pelo biblista Carlos Mesters (extraído do site da Igreja Metodista em Vila Isabel, RJ)

Dia da Bíblia

Esta data surgiu em 1549, na Grã-Bretanha, quando o Bispo Cranmer, incluiu no livro de orações do Rei Eduardo VI um dia especial para que a população intercedesse em favor da leitura do Livro Sagrado. A data escolhida foi o segundo domingo do Advento - celebrado nos quatro domingos que antecedem o Natal. Foi assim que o segundo domingo de dezembro tornou-se o Dia da Bíblia.

No Brasil, o Dia da Bíblia passou a ser celebrado em 1850, com a chegada, da Europa e dos Estados Unidos, dos primeiros missionários evangélicos que aqui vieram semear a Palavra de Deus.Durante o período do Império, a liberdade religiosa aos cultos protestantes era muito restrita, o que impedia que se manifestassem publicamente. Por volta de 1880, esta situação foi se modificando e o movimento evangélico, juntamente com o Dia da Bíblia, se popularizou.

Pouco a pouco, as diversas denominações evangélicas institucionalizaram a tradição do Dia da Bíblia, que ganhou ainda mais força com a fundação da Sociedade Bíblica do Brasil, em junho de 1948. Em dezembro deste mesmo ano, houve uma das primeiras manifestações públicas do Dia da Bíblia, em São Paulo, no Monumento do Ipiranga.

Hoje, o dia dedicado às Escrituras Sagradas é comemorado em cerca de 60 países, sendo que em alguns, a data é celebrada no segundo Domingo de setembro, numa referência ao trabalho do tradutor Jerônimo, na Vulgata, conhecida tradução da Bíblia para o latim. As comemorações do segundo domingo de dezembro mobilizam, todos os anos, milhões de cristãos em todo o País

Há mais de 150 anos, o Dia da Bíblia, é celebrado com o objetivo de difundir e estimular a leitura da Palavra de Deus. A fundação da Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, contribuiu para que esta data fosse se popularizando cada vez mais. E, graças a esse trabalho, o Dia da Bíblia, passou a ser comemorado não só no segundo domingo de dezembro, mas também ao longo de toda a semana que antecede esta data. A Semana da Bíblia é dedicada a eventos variados que vão desde cultos até maratonas de leitura bíblica que mobilizam milhares de pessoas. Conheça, a seguir, como a Semana da Bíblia é comemorada com cultos, carreatas concentrações, maratona, monumentos, distribuição de folhetos, etc.


BÍBLIA - UM LIVRO FEITO EM MUTIRÃO SOB A SALVADORA MÃO DE DEUS

(Texto de Carlos Mesters, adaptado por Roséte de Andrade)

1 - QUEM ESCREVEU A BÍBLIA?
Não foi uma única pessoa que escreveu a Bíblia. Muita gente deu a sua contribuição: homens e mulheres; jovens e velhos; pais e mães de família; agricultores, pescadores e operários de várias profissões; gente instruída que sabia ler e escrever e gente simples que só sabia contar histórias: gente viajada e gente que nunca saiu de casa; sacerdotes e profetas, reis e pastores, apóstolos e evangelistas.

Era gente de todas as classes, mas todos convertidos e unidos na mesma preocupação de construir um povo irmão, onde reinassem a fé e a justiça, o amor e a fraternidade, a verdade e a fidelidade, e onde não houvesse opressor nem oprimido.

Todos deram a sua colaboração, cada um do seu jeito. Todos foram professores e alunos uns dos outros. Mas aqui e acolá, a gente ainda percebe que nem sempre foi fácil. Alguns às vezes, puxavam a brasa um pouquinho para o seu lado.


2 - QUANDO FOI ESCRITA A BÍBLIA?

A Bíblia não foi escrita de uma só vez. Levou tempo, muito tempo, mais de mil anos. Começou em torno do ano 1250 antes de Cristo, e o ponto final só foi colocado cem anos depois do nascimento de Jesus.

Aliás, é muito difícil saber exatamente quando foi que começaram a escrever a Bíblia. Pois, antes de ser escrita, a Bíblia foi narrada e contada nas rodas de conversa e nas celebrações do povo. E antes de ser narrada e contada, ela foi vivida por muitas gerações num esforço teimoso de colocar Deus na vida e de organizar a vida de acordo com a justiça.

No começo, o povo não fazia muita distinção entre contar e escrever. O importante era expressar e transmitir aos outros a nova consciência do povo, nascida neles a partir do contato com Deus. Faziam isto lembrando aos filhos a história do passado e contando-lhes os fatos mais importantes da sua caminhada.

Como nós hoje decoramos as letras dos cânticos, assim eles decoravam e transmitiam as histórias, as leis, as profecias, os salmos, os provérbios e tantas outras coisas, que, depois foram escritas na Bíblia.

A Bíblia saiu da memória do povo. Nasceu da preocupação de não esquecer o passado.


3 - ONDE FOI ESCRITA A BÍBLIA?
A Bíblia não foi escrita no mesmo lugar, mas em muitos lugares e países diferentes. A maior parte do Antigo e Novo Testamento foi escrita na Palestina, a terra onde o povo vivia, por onde Jesus andou e onde nasceu a Igreja.

Algumas partes do Antigo Testamento foram escritas na Babilônia, onde o povo viveu no cativeiro, no século sexto antes de Cristo. Outras partes do Antigo Testamento foram escritas no Egito, para onde muita gente tinha imigrado depois do cativeiro.

O Novo Testamento tem partes que foram escritas na Síria, na Ásia Menor, Na Grécia, e na Itália, onde havia muitas comunidades, fundadas ou visitadas pelo Apóstolo Paulo.

Ora, os costumes, a cultura, a religião a situação econômica, social e política de todos estes povos deixaram marcas na Bíblia e tiveram sua influência na maneira de a Bíblia apresentar a mensagem de Deus aos homens.


4 - EM QUE LÍNGUA FOI ESCRITA A BÍBLIA?

A Bíblia não foi escrita numa única língua, mas sim em três línguas diferentes. A maior parte do Antigo Testamento foi escrita em hebraico. Era a língua que se falava na Palestina antes do cativeiro.

Depois do cativeiro, o povo da Palestina começou a falar aramaico. Mas a Bíblia continuava a ser escrita, copiada e lida em hebraico. E assim aconteceu que muita gente já não entendia mais a Escritura Sagrada. Por isso, para que o povo pudesse ter acesso a Bíblia, foram criadas escolinhas em todas as comunidades e povoados. Jesus, quando menino, deve ter freqüentado a escolinha de Nazaré, para aprender o hebraico e assim poder entender a Bíblia.

Só uma parte bem pequena do Antigo Testamento foi escrita em aramaico. Apenas um único livro do Antigo Testamento da Bíblia grega ( que tem 7 livros a mais que a Bíblia hebraica que nós protestantes usamos!), o livro da Sabedoria, foi escrito em grego. O grego era a nova língua do comércio que invadiu o mundo daquele tempo, depois das conquistas de Alexandre Magno, no século quarto antes de Cristo.

Assim, no tempo de Jesus, o povo da Palestina falava o aramaico em casa, usava o hebraico na leitura da Bíblia e o grego no comércio e na política. Neste mesmo tempo de Jesus, ainda não existia os escritos do Novo Testamento. Só existia o Antigo. O Novo Testamento estava sendo vivido e preparado lá em Nazaré.

Aconteceu ainda o seguinte: os judeus que, depois do cativeiro, tinham emigrado da Palestina para o Egito, com a passar dos séculos foram esquecendo a língua materna. Já não entendiam mais o hebraico nem o
aramaico. Só entendiam o grego, a língua da Grécia, que era falado até no Egito. Por isso no século terceiro antes de Cristo, um grupo de pessoas resolveu traduzir o Antigo testamento do hebraico para o grego. Foi a primeira tradução da Bíblia. Esta tradução para a língua grega é chamada "Septuaginta" ou "Dos Setenta" (tradução dos XVV).

Quando mais tarde, depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos saíram da Palestina para pregar o Evangelho aos outro povos que falavam o grego, eles adotaram esta tradução grega dos Setenta e a espalharam pelo mundo.

Na época em que foi feita a tradução grega dos Setenta, a lista (cânon) dos livros sagrados ainda não estava concluída. E assim aconteceu que a lista dos livros desta tradução grega ficou mais comprida do que a lista dos livros da Bíblia hebraica.

Ora, a diferença entre a Bíblia usada nas Igrejas Protestantes e a Bíblia usada nas comunidades católicas vem desta diferença entre a Bíblia hebraica da Palestina e a Bíblia grega do Egito. Os protestantes, a partir da Reforma Protestante do Martinho Lutero em 1517, preferiram a lista mais curta e mais antiga da Bíblia hebraica, e os católicos, permaneceram utilizando a tradição e prática dos Apóstolos: ficaram com a lista mais comprida da tradução grega dos Setenta.

Há sete livros a menos na edição da Bíblia usada pelos protestantes: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, 1 Macabeus e 2 Macabeus (e também algumas partes do livro de Daniel e algumas partes do livro de Ester). Estes sete livros são chamados "deuterocanônicos", isto é, são da segunda (deutoro) lista (cânon), ou seja, são da coleção (cânon) de Alexandria e não da coleção de Jerusalém.

Reconhecemos que os livros deuterocanônicos não contradizem a Mensagem Divina e servem de instrução e também para o cultivo espiritual. Chamar estes livros de apócrifos é um erro, primeiro porque foram reconhecidos como autênticos e inspirados, tanto pelos apóstolos como pela Igreja de Jesus que, sem exceção, durante muitos séculos os leu e encontrou neles o consolo da mensagem divina. E também porque a palavra apócrifo significa "escritos sem autenticidade ou cuja autenticidade não se provou". Ou seja, apócrifos são na verdade os livros que a Igreja (particularmente os Apóstolos!) rejeitou, por não ver neles a real inspiração de Deus.

Exemplo de livros apócrifos são, o Evangelho de Tomé, que falava dos milagres de Jesus (dizendo, inclusive, que Jesus voava); o Evangelho de Maria, que colocava Maria com poderes divinos, etc...

Apesar dessa diferença de 7 livros, as duas edições revelam claramente a Mensagem de Deus: seu chamado, sua vontade, seu amor, sua missão, sua bênção.

5 - O ASSUNTO DA BÍBLIA:
O assunto da Bíblia não é só doutrina sobre Deus. Lá dentro tem de tudo: doutrina, histórias, provérbios, profecias, cânticos, salmos, lamentações, cartas, sermões, meditações, orações, filosofia, romances, cantos de amor, biografias, genealogias, poesias, parábolas, comparações, tratados, contratos, leis para organizar o povo, leis para o bom funcionamento do culto, coisas alegres e coisas tristes, fatos concretos e narrações simbólicas, coisas do passado, coisas do presente, coisas do futuro. Enfim, na Bíblia tem coisas que dá para rir e para chorar.

Tem trechos da Bíblia que querem comunicar alegria, esperança, coragem e amor. Outros trechos querem denunciar erros, pecados, opressão e injustiças. Tem páginas lá dentro que foram escritas pelo gosto de contar uma bela história para descansar a mente do leitor e provocar nele um sorriso de esperança.

A Bíblia parece um álbum de fotografias. Muitas famílias possuem um álbum assim. Ou, ao menos uma caixa onde guardam suas fotografias, todas misturadas, sem ordem. De vez em quando, os filhos despejam tudo na mesa para olhar e comentar as fotografias. Os pais tem que contar a história de cada uma delas. A Bíblia é um álbum de fotografias da família de Deus! Nas suas reuniões e celebrações, o povo olhava as suas "fotografias", e os pais contavam as histórias. Este era o jeito de integrar os filhos no povo de Deus e de transmitir-lhes a consciência de sua missão e da sua responsabilidade.

A Bíblia não fala só do Deus que vai em busca do seu povo, mas também do povo que vai em busca do seu Deus e que procura realizar-se de acordo com a vontade divina. A Bíblia conta as virtudes e os pecados do povo de Deus, os acertos e os enganos, os pontos altos e os pontos baixos. Nada esconde, tudo revela. Conta os fatos do jeito que foram lembrados pelo povo. Histórias de gente pecadora que procura ser santa. História de gente opressora que procura converter-se e ser irmão. História de gente oprimida que procura libertar-se.

A Bíblia é tão variada como é variada a vida do povo. A palavra Bíblia vem do grego e quer dizer livros. A Sagrada Escritura usada por nós evangélicos tem 66 livros. É quase uma biblioteca. Poucas bibliotecas em nossas igrejas têm a variedade dos 66 livros da Bíblia.

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