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Seminário de Mística Comparada será realizado em Juiz de Fora

07/12/2011 11h50 - última modificação 07/12/2011 11h53

De: Instituto Humanitas Unisinos

Nos dias 12 a 14 de dezembro de 2011 realiza-se, em Juiz de Fora, MG, o X Seminário de Mística Comparada.

O Seminário é promovido pelo Núcleo de Estudos de Mística Comparada, do PPGCIR da Universidade Federal de Juiz de Fora. O evento é coordenado pelo Prof. Dr. Faustino Teixeira.

A abertura oficial do evento consiste na conferência de Luiz Felipe Pondé, professor da PUC-SP, tendo como tema “Mística, Filosofia e Cinema”.

"O sufismo e a acolhida da diversidade religiosa", "mística e estética em Rabindranath Tagore", "mística e metafisica em Henrique Cláudio de Lima Vaz", "o gozo de Deus: uma análise lacaniana da experiência mística na obra de Marguerite Porete" e "Paul Evdokimov e a mística cristã ortodoxa", são alguns dos temas a serem abordados no Seminário.

Faustino Teixeira, coordenador do Seminário, concedeu uma entrevista para Ana Flávia Nascimento, da Secretaria de Comunicação de UFJF.

Eis a entrevista.

O tema é "Mística, Filosofia e Cinema", qual a relação entre os três quesitos?

A conferência inaugural de Luiz Felipe Pondé insere-se dentro de um panorama de reflexão que vem ocorrendo aqui em Juiz de Fora desde 1991. Foi quando aconteceu o primeiro seminário de mística comparada, reunindo pesquisadores nacionais nesse campo de estudos. Estavam na origem desse projeto, e permanecem, os pesquisadores Faustino Teixeira, Luiz Felipe Pondé, Marco Lucchesi e Maria Clara Bingemer. Desde então, o grupo vem se reunindo anualmente em Juiz de Fora, com a presença de pesquisadores convidados e de alunos de mestrado e doutorado de programas de pós-graduação de Juiz de Fora, Rio, Belo Horizonte e São Paulo. São seminarios de pesquisa, envolvendo sempre a presença de 35 participantes pesquisadores na área de mística. Esse ano, pela primeira vez, decidimos fazer uma abertura pública, com a conferência de Pondé. O tema foi definido pelo próprio conferencista, e expressa uma de suas preocupações atuais. É um autor que vem do mundo da filosofia, mas que tem um profundo interesse pelo tema da mística e um envolvimento particular com o cinema. Enquanto cronista da Folha de São Paulo dedicou dois recentes artigos aos filmes “Melancolia” (de Lars von Trier) e “Árvore da Vida” (de Terrence Malick).

Os filmes relatam temas que estão no âmbito das reflexões atuais de Pondé. De um lado, a “condição de infelicidade” que pontua o cenário contemporâneo, que está expressa na personagem melancólica de Justine, no filme de Lars von Trier. De outro, a imponderável presença da graça, ou de uma “estranha misericórdia” que escorre para o tempo e apresenta o contraponto de uma beleza que é Presença que fala. É um tema que aparece de forma sublime no filme de Terrence Malick, indicando o lugar essencial da espiritualidade, assim definida por Pondé: “a indagação essencial se a vida é fruto de uma força cega ou fruto de uma intenção bela, confrontada cotidianamente com o sofrimento inquestionável da vida”.

Pondé é esse pensador atual que se define como alguém “atormentado pela melancolia”, mas igualmente visitado por uma presença da graça, que emerge “toda vez que o mundo (e nós nele) surpreende, saindo de sua constante miséria interesseira, vaidosa, traiçoeira, monotonamente previsível”. Ele mesmo se define como alguém que vive entre a melancolia e a graça. Acredito que essa conferência inicial de Pondé, irá abordar essa teia contraditória evidenciada por esses dois filmes e que, curiosamente, traduz o perfil dramático acadêmico do próprio conferencista, que se encontra entre o Subsolo e o Sinai.

Qual a importância de se discutir esse tema?

Como abordado na questão anterior, é um tema que traduz uma das questões fundamentais de nosso tempo: a busca da felicidade, como um “atavismo biológico” e a “condição de infelicidade” presente no nosso tempo. Como lidar com essta dialética e tensão? Pondé busca tratar esse tema no seu recente livro, “Contra um mundo melhor” (Leya, 2010).

Enquanto pensador de corte mais sombrio, Pondé pauta-se mais para vislumbrar a “técnica degenerativa dessa condição íntima humana (o-ser-para-a-infelicidade)”, sem, porém, apagar ou perder de vista outra presença, “o cheiro da graça”, que rompe tais mecanismos sombrios e anuncia uma linguagem distinta: da misericórdia que acolhe.

Em outro belo artigo escrito por Pondé, “No Sinai” (Revista Poesia Sempre, 2009) - também inserida no livro citado - ele saúda a poesia mística, “assim como quem ouve a beleza do Misericordioso escorrendo por suas palavras e letras, e que inunda o mundo”. Para nós que temos um contato mais próximo com Luiz Felipe Pondé, há um lado de sua pessoa extremamente sensível e permeável a essa Presença.

Qual a expectativa com a participação do Pondé na palestra de abertura? E do evento como um todo?

São sempre muito ricas as reflexões de Pondé nesse âmbito da mística e da filosofia. É como se tomássemos contato com uma pessoa diversa daquela que normalmente encontramos nos textos sombrios e irônicos publicados semanalmente na Folha de São Paulo. Trata-se da possibilidade de encontrar um pensador sensível e atento aos pequenos sinais do cotidiano, de uma abertura única às reflexões sutis e de profundidade impar presentes nas grandes narrativas dos místicos. Só mesmo os que viram Pondé tratar de místicos como Abraham Heschel, Eckhart e Agostinho, e no âmbito de uma intimidade avessa aos tradicionais padrões acadêmicos, pode deduzir a força e a vitalidade de suas palavras. Talvez isso possa transparecer em sua conferência inaugural.

Mais informações: http://www.ufjf.br/ppcir/2011/12/02/mistica/

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