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Religiosos não obedecem a líderes na hora do voto, revela pesquisa

24/07/2013 13h15 - última modificação 24/07/2013 13h18

quarta-feira, 24 de julho de 2013
Significativo número de pessoas cristãs não está fechado à aprovação de temas polêmicos hoje ressaltados na política e não obedece a líderes na hora de votar, revela pesquisa Datafolha

*Magali do Nascimento Cunha

Pesquisa sobre perfil das pessoas religiosas no Brasil realizada a propósito da visita do Papa Francisco, realizada pelo Instituto Datafolha, revela dados interessantes na relação política-religião. Apesar da polêmica despertada por iniciativas ligadas a grupos religiosos, como o projeto da "cura gay" e o que aumenta garantias para fetos, a maioria dos brasileiros, em especial os católicos, afirma não votar em candidatos indicados pelas igrejas. A pesquisa mostra que somente 8% dos ouvidos pelo Datafolha declararam já ter escolhido candidatos apoiados por suas igrejas, índice que cai para 5% entre católicos e sobe para 18% entre evangélicos pentecostais. Entre os espíritas kardecistas, os números caem para 3%.

Do mesmo modo, apenas 11% dos católicos afirmam que a opinião dos líderes religiosos é importante na hora de escolher em quem votar (21% dos evangélicos pentecostais têm essa opinião bem como 12% dos espíritas). Os dados são mais ambíguos, porém, quando o Datafolha pergunta sobre o apoio à ideia de que líderes religiosos se candidatem a cargos políticos. Um quarto dos católicos concorda com a ideia, número que sobe para cerca de 40% entre evangélicos e é relativamente forte mesmo entre espíritas (26%).

No que diz respeito a temas polêmicos que tramitam no Congresso Nacional e mexem com costumes vinculados à religião, a pesquisa mostra que não há um apoio forte à derrubada dos projetos em discussão, como divulgam líderes religiosos midiáticos. No quesito honossexualismo, entre os católicos, 64% disseram ser a favor da legalização da união civil de homossexuais. Entre os evangélicos pentecostais, 37% são a favor. Curiosamente, o número de favoráveis diminui entre os evangélicos não pentecostais - 32% . O índice de quem apóia a união civil de homossexuais entre os espíritas kardecistas é de 21%. É significativo o número dos que concordam que deva existir uma lei que puna a homofobia: 84% dos católicos, 76% dos evangélicos pentecostais, 79% dos evangélicos não pentecostais e 89% dos espíritas kardecistas. Sobre a criminalização do aborto, 22% dos católicos se disseram contra; o mesmo foi respondido por 16% dos evangélicos pentecostais, 23% dos evangélicos não pentecostais e 42% dos espíritas kardecistas.

A pesquisa confirma a ideia de que, entre as igrejas cristãs, os católicos tendem a ser mais liberais, mesmo quando isso contraria a orientação da hierarquia católica. Apenas espíritas e umbandistas são mais liberais a respeito desses temas.

A pesquisa do Datafolha foi realizada nos dias 6 e 7 de junho, com 3.758 entrevistados em 180 municípios do país. A margem de erro dos resultados é de dois pontos percentuais.

Segundo o levantamento, de outubro de 2010 a junho de 2013, 57% dos brasileiros com mais de 16 anos se declaram católicos, patamar mais baixo da história do país. Em 2007, pesquisa semelhante feita pelo Datafolha apontou 64%. Em 1994, eles eram 75%. O segundo maior bloco religioso do Brasil é o de evangélicos pentecostais (membros de igrejas como a Assembleia de Deus), com 19%. Em seguida estão os evangélicos não pentecostais (de igrejas protestantes com séculos de existência, como os metodistas e os batistas), com 9%. Os evangélicos passaram, portanto, de 24% para 28% da população. O número de espíritas permaneceu inalterado: 3%, enquanto 11,1% disseram serem adeptos de outras religiões e 4% não possuem religião.

O engajamento religioso de evangélicos, tanto pentecostais como neopentecostais, é superior ao de católicos quando se observam índices como a frequência nos cultos ou as contribuições financeiras.

A maioria dos evangélicos (63% dos pentecostais e 51% dos não pentecostais) diz frequentar cultos mais de uma vez por semana, contra 17% dos católicos. Dos membros da Igreja Católica, 28% afirmam participar de cerimônias uma vez por semana, enquanto 21% o fazem uma vez por mês.

Os números são parecidos quando se trata de contribuir financeiramente. Dos católicos, 34% afirmam fazer isso sempre, contra cerca de 50% dos evangélicos. Quase um terço dos católicos diz não dar dinheiro algum para a Igreja, contra pouco mais de 10% dos evangélicos.

A própria comparação entre valores médios de contribuições mensais deixa clara a diferença entre os grupos cristãos. O valor se aproxima dos R$ 70 por mês para os evangélicos pentecostais, vai para quase R$ 86 no caso dos não pentecostais, mas é de apenas R$ 23 entre católicos.

Embora o valor absoluto de contribuição dos pentecostais seja menor do que o dos não pentecostais, eles provavelmente destinam uma parte maior de sua renda familiar, já que são mais numerosos entre as famílias que ganham até dois salários mínimos.

Já entre os espíritas kardecistas, 23% costumam participar de serviços religiosos, 16% contribuem financeiramente e o valor médio é de R$ 42 mensais.

Sobre o Papa Francisco, entre os católicos, 26% consideram que o ele é melhor que seu antecessor, o Papa Bento XVI; 50% acham que os dois são iguais, e apenas 3% consideram Francisco pior.

Veja os quadros-resumo da pesquisa:

 

 

* Extraído do blog Mídia, Religião e Política

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