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Religiosos condenam possível ataque dos EUA à Síria (noticiário silenciado na grande mídia)

06/09/2013 11h55 - última modificação 06/09/2013 13h16

quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Religiosos condenam possível ataque dos EUA à Síria (noticiário silenciado na grande mídia)

Por: Magali Cunha*


A grande mídia noticiosa do Brasil tem dado cobertura apenas à posição do Papa Francisco, da Igreja Católica Romana, sobre a questão da Síria. No entanto, diversos grupos cristãos no Brasil e no mundo e também lideranças islâmicas têm se manifestado contra a ameaça de uma ação militar. Lideranças religiosas expressivas reconhecem que a situação é bastante desafiadora, mas todas são unânimes em afirmar que uma intervenção externa só irá piorar a situação do país.

O que tem sido enfatizado pelas mídias no Brasil é o pedido do Papa Francisco para que a comunidade internacional busque o fim do impasse na Síria por meio do diálogo, não pela guerra. O sumo pontífice disse que o único caminho para a paz é pela negociação. Em recente encontro com o rei da Jordânia, Abdullah II, Francisco apelou para que o mundo tenha uma “atenção especial” em relação à Síria e fique em alerta devido à “trágica situação” que ocorre na região. Uma mensagem de Francisco enviada ao presidente da Rússia Vladimir Putin pede ao anfitrião da reunião do G-20 (na primeira semana de setembro), representando os líderes mundiais, que desistam da “fútil perseguição de uma solução militar” para a guerra na Síria. O Papa convocou uma vigília de oração e jejum em 7 de setembro pela justiça e a paz na Síria, aberta não só para católicos, mas também para os demais cristãos, fiéis de outras religiões e até mesmo ateus que preguem a paz.

Já o Conselho Mundial de Igrejas, em uma carta aberta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas assinada pelo seu secretário geral Rev. Olav Tveit, expressou profunda preocupação com a situação atual na Síria.  "O crime de uso de armas químicas deve ser cuidadosamente investigado e processado. No entanto, um ataque de fora da Síria é susceptível de aumentar o sofrimento e o risco de mais violência sectária, ameaçando toda a comunidade no país, incluindo os cristãos", disse Tveit. Ele disse que, neste momento crucial na Síria e no Oriente Médio, o que as pessoas querem é a paz. Tveit destacou que "uma solução política negociada" é o único caminho para a justiça e a paz na Síria. Ele particularmente encorajou os líderes dos EUA e da Rússia a concordar com as suas contribuições para um processo político em prol da paz e da justiça para a Síria. O CMI também apelou à ONU para cumprir sua responsabilidade e proteger os sírios. O secretário geral do CMI se juntou ao apelo do Papa Francisco, invocando orações pela paz na Síria, a ser observada em 7 de setembro.

O Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) declarou em carta entregue na Embaixada estadunidense em Quito (sede do organismo) que os EUA, com o apoio da França, está ameaçando uma ação bélica contra a Síria, sob a alegação de que o exército sírio teria usado armas químicas contra as forças rebeldes, atingindo também civis, em aberta violação a tratados internacionais. O organismo que congrega igrejas evangélicas latino-americanas também afirma na carta que analistas credenciados colocam em dúvida o uso de tais armas. O texto lembra que em 2003, o governo dos EUA assegurou a existência de arsenais atômicos no Iraque, justificando assim sua intervenção militar no país. No entanto, tempos depois ficou comprovado que o Iraque não tinha tal poderio bélico. O documento do CLAI, assinado pelo seu secretário geral, pastor Nilton Giese, argumenta que a violência engendra maior violência. "O que menos se precisa na triste situação atual da Síria é de mais violência. São incalculáveis os terríveis danos que pode ocasionar um ataque estadunidense à Síria. Das entidades internacionais devem surgir esforços que conduzam ao diálogo, à harmonia e à paz, e não estímulos ao incremento da violência", menciona a carta do CLAI. A grande maioria da comunidade internacional, inclusive os países da América Latina, não respalda uma ação militar dos EUA na Síria. "Levá-la a cabo seria uma grave violação ao direito internacional", frisa o organismo ecumênico regional, que congrega 167 igrejas evangélicas de 20 nações.

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs dos Estados Unidos (NCCC) emitiu declaração em que as igrejas congregadas condenam o uso de armas químicas por parte do governo da Síria e congratulam-se com a determinação do Presidente Obama e outros líderes para parar futuros ataques químicos contra uma população inocente. No entanto, diz a declaração, as igrejas dizem não acreditar que a ação militar dos EUA contra a Síria irá impedir futuros ataque e revelam medo de que tal ação possa ter consequências além do planejamento e controle dos EUA, incluindo mais morte e destruição generalizada. As igrejas dos EUA associadas reconhecem no documento a coragem do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que disse que o Reino Unido não participará de ataques punitivos na Síria , devido à posição claramente contrária do povo britânico e da Câmara dos Comuns e apelam ao presidente Obama para ouvir atentamente debates semelhantes no Congresso dos EUA e entre o público dos EUA. As igrejas estadunidenses também instam o presidente Obama a usar moderação para decidir sobre soluções militares, e renovar seus esforços para construir uma coalizão política dentro das Nações Unidas para continuar a isolar o governo sírio da família das nações e colocar pressão moral e econômica irresistível à Síria para que se abstenha a partir do uso de armas químicas contra pessoas inocentes.

O arcebispo da Igreja Ortodoxa Siriana de Antioquia Mor Cyril Aphrem Karim, uma igreja membro do NCCC, discorda da declaração do organismo e disse que o governo sírio não pode ser acusado de realizar o ataque antes de as Nações Unidas o confirmarem. Karim disse que a declaração NCCC "não representa nem expressar a opinião da nossa igreja".

O arcebispo da Cantuária, líder da Comunhão Anglicana, Justin Welby, advertiu sobre as “consequências imprevisíveis” de uma intervenção militar na Síria. O arcebispo recordou que recentemente viajou pelo Oriente Médio para se reunir com líderes cristãos e muçulmanos e que percebeu uma sensação de medo “acima de toda descrição”, além de notar uma sensação “tangível” de que a região atravessava uma “época terrivelmente perigosa”.

Gregorio III Laham, Patriarca Greco-Católico da Antioquia, de todo o Oriente, da Alexandria e de Jerusalém dos Melquitas também opinou. “Neste momento é preciso ser pragmático. A Síria necessita de estabilidade e não tem sentido um ataque armado contra o governo”. Gregorio III se perguntou: “Quais são as partes que levaram a Síria até esta linha vermelha? Quem levou a Síria até este ponto sem retorno? Quem criou este inferno em que vive a população há meses? Cada dia entram na Síria extremistas islâmicos de todo o mundo com o único objetivo de matar e nenhum país fez nada para impedi-los. Além disso, os EUA decidiram enviar ainda mais armas”. O prelado destacou que o ataque planejado pelos Estados Unidos afetará particularmente a população síria e que não será menos grave que o uso de armas químicas.

Já o Patriarca Ortodoxo de Moscou, Hilarion de Volokolamsk, foi enfático: “Os EUA são o justiceiro internacional de sempre. Mais uma vez milhares de vítimas serão sacrificadas no altar de uma imaginária democracia”. Entre elas, segundo o religioso, estarão acima de tudo “os cristãos, com cuja sorte ninguém se preocupa”.

Uma reunião de lideranças cristãs no Oriente Médio - patriarcas, delegados patriarcais, bispos e sacerdotes de todas as igrejas cristãs da região - está em curso para analisar os problemas e desafios da situação síria. O encontro intitulado "Desafios para os cristãos árabes" foi realizado em Amã, na Jordânia, a convite do príncipe Ghazi bin Muhammad, conselheiro do rei para Assuntos Culturais. Foram incluídas discussões sobre o que ocorre também no Egito, no Líbano e no Iraque, que enfrentam momentos de tensão em decorrência de ataques contínuos, e as negociações de paz entre palestinos e israelenses. Participam também dos debates o Patriarca Latino de Jerusalém Fouad Twal, o Patriarca Greco-Ortodoxo de Antioquia Yohanna X Al Yazigi, que é irmão do religioso de Alepo, Boulos Al Yazigi, sequestrado desde abril, e o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas Rev. Olav Tveit (de onde emitiu a carta do CMI reportada acima).

Não foram encontradas declarações sobre a questão da parte de igrejas e lideranças religiosas do Brasil. A página eletrônica do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) tem divulgado várias declarações externas e informações sobre o caso.

Pelo lado islâmico

Al-Azhar, no Cairo, a mais alta autoridade do islã sunita, declarou a sua firme oposição a qualquer ataque dos EUA sobre a Síria, dizendo que isso equivaleria a "uma agressão contra a nação árabe e islâmica". A instituição em um comunicado "manifestou a sua rejeição categórica e condenação da decisão do presidente americano (Barack Obama) para lançar ataques militares contra a Síria", para punir o regime do presidente Bashar al-Assad por um suposto ataque químico armas perto de Damasco no mês passado que deixou centenas de mortos. Al-Azhar disse que tais ataques equivaleria a "uma agressão contra a nação árabe e islâmica ... o que põe em perigo a paz e a segurança internacionais". A instituição islâmica insistiu em que "o direito do povo sírio decidir seu destino e seu governo por si mesmos em toda a liberdade e transparência", enquanto condenando o "recurso a armas químicas, quem quer que fosse que usaram."

O Grão Mufti da Síria, Ahmad Badreddin Hassou, líder espiritual do Islã na Síria, ficou profundamente tocado pelo apelo do Papa Francisco pela paz na Síria, feito no Angelus deste domingo. Ele manifestou o desejo de estar presente na Praça São Pedro no próximo sábado, por ocasião da Vigília de Oração pela paz na Síria anunciada pelo Papa Francisco.

Conforme referido pela Agência Fides, um pedido neste sentido foi enviado pelo líder islâmico ao Núncio Apostólico em Damasco, Dom Mario Zenari. Nos próximos dias será avaliada, por ambas as partes, a possibilidade de concretizar este desejo do líder islâmico. Se por razões de logística ou outra qualquer não for possível realizar a viagem, o Mufti disse à sua comunidade de Damasco “para acolher o apelo do Papa, estendido a todas as religiões, em rezar pela paz na Síria”. Os muçulmanos serão convidados a orar pela paz no dia 7 de setembro, em comunhão e simultaneamente com o Papa, nas mesquitas em Damasco e em todo o território nacional. Algumas fontes sírias indicaram que grupos muçulmanos, comunidades tribais, os drusos, os ismaelitas e outros componentes da sociedade síria unir-se-ão à oração pela paz na Síria.

Enquanto isto...


A guerra civil na Síria é vista por alguns líderes evangélicos como cumprimento de uma profecia bíblica do livro de Isaías, que prevê que Damasco, atualmente capital do país e sede de um dos 14 distritos sírios, se tornaria um monte de ruínas. Segundo a jornalista Elizabeth Dias, colunista do portal Time, essa hipótese vem sendo difundida por lideranças evangélicas norte-americanas através da internet. “Com os grupos terroristas que operam fora de Damasco construindo esconderijos de armas na fronteira de Israel, em antecipação a nova guerra num futuro próximo, não pode faltar muito para que esta profecia de Isaías 17 se torne um fato histórico”, diz um dos textos relatados pela jornalista. Esta tese aparece também em várias abordagens de grupos brasileiros.

A interpretação, no entanto, não é unânime entre estudiosos e teólogos, que veem a profecia como uma passagem de alta complexidade, por ter sido levada ao povo judeu há mais de 2.500 anos, e provavelmente referia-se aos inimigos de Jerusalém, que à época sofria com uma invasão assíria, que envolvia além do povo sírio, nações atualmente extintas, como Moab, Babilônia e Tiro, além do Egito. “Você não pode ler a Bíblia dessa maneira. É um antigo poema sobre um contexto antigo”, afirmou Walter Brueggemann, professor emérito do Seminário Teológico de Columbia e especialista no livro de Isaías. “Se nós formos contemporizar com uma conexão tão fácil, então temos que aprender a ler o texto contra os Estados Unidos, porque os Estados Unidos desempenham agora o papel de Babilônia, e todos aqueles super-poderes antigos. Temos que andar com muito cuidado sobre como fazer essas conexões tolas”, alertou.

A melhor interpretação dessa passagem, segundo Bruggemann, seria entender que todas as nações serão julgadas ​​perante o Deus da justiça: “Nenhum país tem superioridade moral. Essa é uma mordida contra toda excepcionalidade, incluindo o ‘excepcionalismo’ americano”, criticou.

Fontes: CONIC, Gospel+


*Extraído do blog Mídia, Religião e Política

LEIA TAMBÉM:

Reformados conclamam fiéis a orarem pela paz na Síria

GENEBRA – A Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas (CMIR) condena qualquer forma de violência, injustificável sob todos os aspectos, e conclama as igrejas membro a dedicarem, nas celebrações litúrgicas do sábado, 7, e domingo, 8, à intercessão pela paz na Síria.


ALC
quinta-feira, 5 de setembro de 2013


"Oremos também pelos líderes mundiais para que eles usem seu poder para trabalhar sem descanso para encontrar soluções promotoras de vida que acabem com a crise naquele país”, declarou o secretário geral da CMIR, reverendo Setri Nyomi.

Ainda que a Síria tenha usado armas químicas, atingindo também a população civil, a intervenção militar não é resposta. “Deve se fazer  todo o esforço necessário para pôr as partes em diálogo e procurar soluções diplomáticas. A resposta militar só serve para aumentar o sofrimento do povo da Síria, que já está sofrendo em demasia", diz posicionamento da CMIR.

O texto lamenta a extensão do conflito interno, que já dura dois anos e matou mais de 100 mil pessoas, também o ataque com armas químicas, perpetrado pelo exército sírio contra rebeldes, no dia 21 de agosto, e que matou inclusive  crianças, o que, dizem reformados, é um escândalo

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