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Prof. Luiz Carlos Ramos, docente da FaTeo, recebe título honorífico

19/09/2011 11h55 - última modificação 19/09/2011 11h54

 O prof. Luiz Carlos Ramos recebeu da sua cidade natal, Castro, no Paraná, o título “Castrense que brilha” pelo reconhecimento de seu trabalho como pastor metodista e como acadêmico. A cerimônia de outorga do título aconteceu  no último dia 11 de setembro.

 

Leia abaixo o discurso proferido pelo Prof. Luiz Carlos na sessão solene de outorga de título de "Castrense que Brilha", no Teatro Bento Mossurunga, em Castro, PR:

Mui­tís­simo obrigado!

Cum­pri­mento as auto­ri­da­des na pes­soa do Exmo. Sr. Vere­a­dor, Joel Elias Fadel, Pre­si­dente da Câmara Muni­ci­pal de Castro.

E para sau­dar a todos os demais pre­sen­tes repito aqui o que escrevi ao Exmo. Sr. Vere­a­dor Joel, em res­posta ao ofí­cio 186/2011, envi­ado para  dar-me ciên­cia da outorga deste ines­pe­rado Título:

"Rece­ber seu ofí­cio foi para mim motivo de pro­funda satis­fa­ção e ale­gria. Natu­ral­mente sinto-me muito aquém de tal honra, e só posso atri­buir tama­nha defe­rên­cia à infi­nita gene­ro­si­dade do povo cas­trense e à bon­dade dos seus representantes.

Espero poder estar pre­sente à sole­ni­dade no dia apra­zado, muito mais para abra­çar meus que­ri­dos con­ter­râ­neos e ofe­re­cer minha gra­ti­dão do que para ser home­na­ge­ado".

Com a graça de Deus, foi-me con­ce­dida a ale­gria de estar aqui para cum­prir minha pala­vra e abra­çar meus ilus­trís­si­mos con­ci­da­dãos, fami­li­a­res, mestres, amigas e ami­gos, que hoje com­pa­re­cem para esta cerimô­nia, e em par­ti­cu­lar os carís­si­mos cas­tren­ses, muito mais bri­lhan­tes que eu, que comigo repar­tem esta hon­ra­ria e rece­bem o mesmo cari­nho da nossa que­rida cidade natal.

Há entre nós os que são, como eu, filhos de Cas­tro por nas­ci­mento, e os há por ado­ção. Meus pais, por exem­plo: a Dona Odete, que no último dia 4 com­ple­tou 78 anos; e Seu Fran­cisco, que den­tro de dois meses com­ple­tará 80, são cas­tren­ses de cora­ção, que aqui se esta­be­le­ce­ram desde o tempo da saudade.

E, se me per­mi­ti­rem, na pes­soa deles quero abra­çar a todos que igual­mente fize­ram desta estân­cia de tro­pei­ros o seu lar. Para isso, ofereço-lhes um poema que um dia escrevi para decla­mar “A Alma da Minha Casa” (com estilo desa­ver­go­nha­da­mente sur­ru­pi­ado ao incom­pa­rá­vel Manoel de Barros):

Atrás da minha casa de menino o rio fazia cur­vas, e ainda faz.
Da varanda dos fun­dos a gente ouvia o coa­xar do rio.
Ainda hoje as flo­res cap­tu­ram beija-flores e os liber­tam de beijos.

Quando a rua da minha casa ainda não tinha cal­çada,
a gente divi­sava um ombro de bar­ranco
e o esca­lava pra esti­car os horizontes.

Na cozi­nha, o fogão à lenha esta­lava o calor do inverno.
A cha­leira fazia um chi­ado cinza pra fer­ver a água.

A gente se ani­nhava ao redor da vitrola
pra escu­tar estó­rias ama­re­las, ver­des e azuis.
Escu­tava e tor­nava a escu­tar.
Repe­tia e repe­tia e repe­tia até ficar diferente.

À noite a gente ador­me­cia um canto de ninar materno.

A minha casa de menino tem uma alma
que alguns cha­mam “Odete”.
Pra mim, o som que ela fazia era “Mãe”,
e ainda faz.

Tam­bém quero repar­tir este título como aque­les e aque­las que nas­ce­ram aqui mesmo, sob os pinhais que ver­de­jam às mar­gens do Iapó. Alguns, como eu, pelas mais dife­ren­tes razões, tive­mos que par­tir, mas jamais dei­xa­mos que se dis­tan­ci­asse de nós a casa da aurora da nossa vida. Um belo sím­bolo desse umbigo, cica­triz materna que não nos deixa esque­cer nunca das nos­sas ori­gens, é a nossa igreja “Matriz”, plan­tada no cora­ção da Fre­gue­sia de Sant’Ana do Iapó. (E, como teó­logo e clé­rigo pro­tes­tante, por este poema, tam­bém expresso meu com­pro­misso ecu­mê­nico e anelo de soli­da­ri­e­dade, convi­vên­cia fra­terna e res­peito entre as pes­soas de todos os cre­dos e con­fis­sões reli­gi­o­sas. E mesmo com aque­les e aque­las que não pro­fes­sem cre­dos desse tipo. Somos todos huma­nos, e isso nos faz, antes de qual­quer coisa, irmãos e irmãs.) Por isso um dia tam­bém suspirei:

O sino dobra
na Matriz da minha aldeia.

O reló­gio bate con­ti­nên­cia
pr’o tempo que vai passando.

Rui­dosa, a torre faz bléim, bléim
pr’o Ipê, que da praça res­ponde fazendo o amarelo.

Em setem­bro o silên­cio do céu é mais azul,
a cor do pinheiro é alta de bra­ços abertos.

Daqui onde estou
diviso a minha aldeia tão de perto.

A auto­bi­o­gra­fia de um livro infan­til que escrevi ter­mina assim (e assim tam­bém ter­mino meu pronunciamento):

Quando cresci, tornei-me um astro­nauta a meu modo. […]

Des­co­bri que o teles­có­pio mais pode­roso que temos não é o Hub­ble, mas a ima­gi­na­ção. E o com­bus­tí­vel mais pode­roso, capaz de nos levar mais longe, é o pen­sa­mento. É desse modo, com essas fer­ra­men­tas cien­tí­fi­cas e ima­gi­na­tí­fi­cas, que pas­sei a explo­rar mun­dos conhe­ci­dos e desconhecidos.

Mas devo con­fes­sar: por mais longe que eu vá, sem­pre a sau­dade me traz de volta àquela pequena estân­cia de tro­pei­ros, nos ser­tões para­na­en­ses. Por­que a via­gem mais fas­ci­nante de todas é aquela que faze­mos em busca de nós mesmos.

Ilus­tres irmãos e irmãs Cas­tren­ses (de nas­ci­mento e de cora­ção), rece­bam com estas modes­tas pala­vras, meu afe­tu­oso e eter­na­mente grato abraço.

Mui­tís­simo obrigado!

Luiz Car­los Ramos
(11.09.2011)

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