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Pedra removida e túmulo vazio

28/03/2018 20h56 - última modificação 28/03/2018 20h56

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estamos em uma Semana extraordinária, em que a celebração da História da Salvação começou com a entrada de Jesus em Jerusalém, seguiu com os momentos que ele teve com os seus discípulos discípulas, a sua prisão, o julgamento, os insultos e açoites, a crucificação, a morte e o sepultamento.

 

Agora, temos um Domingo especial para celebrar.

 

Nosso texto diz que era “muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol” (v.2) – um Domingo. Essa é uma experiência para poucas pessoas e não para a multidão. Uma experiência para pessoas como você e eu, que dedicamos esse tempo para estar aqui.

 

Celebramos hoje o conteúdo do Domingo, o primeiro dia da semana e da Criação. O Dia do Senhor! Ou, o grande Dia do Senhor, que marca a Páscoa Anual dos Cristãos.

 

Sobre o evangelho de Marcos, quero aqui lembrar a afirmação do Prof. Paulo Garcia, no texto publicado no Anuário 2018: “Um evangelho que surge em meio à guerra judaica”; no evangelho de Marcos, diz o nosso Professor e Pastor: “As memórias e ensinamentos de Jesus são relembrados para fortalecer a fé da comunidade que vive em uma Galileia destruída e dominada pelas forças romanas” (Anuário 2018, p. 24). Quero lembrar também a afirmação feita em outro texto, este publicado no Anuário 2015, que “seguir a Jesus: o discipulado”, “vencer o medo através da fé” e “romper o segredo e revelar o Cristo”, “são conceitos chave na compreensão do evangelho de Marcos” (Anuário 2015).

Na parte que lemos hoje, com uma perspectiva um pouco diferente da de João, temos a narrativa da experiência de três mulheres, Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé. Três pessoas que amavam a Jesus, que nele foram alcançadas pela graça de Deus, e que assumiram o discipulado com as suas implicações. Essas mulheres, depois de verem onde colocaram o corpo do Senhor na sexta-feira à tarde (15.47), no domingo bem cedo, decidiram enfrentar o medo e foram ao túmulo com os aromas que compraram para embalsamar, ou para revelar, o corpo do Senhor (v.1).

  

Quero convidar vocês para refletirmos sobre a experiência dessas mulheres e de outros discípulos e discípulas de Jesus nesse Domingo tão especial, a partir de algumas figuras interessantes que aparecem com destaque na narrativa de Marcos:

 

A primeira figura é a de uma pedra que limita (v.3): uma pedra muito grande que foi colocada na entrada do túmulo. Um grande obstáculo, um elemento de separação, que impedia que os que amavam a Jesus tivessem acesso ao seu corpo.

 

Temos também figura do túmulo que encerra (v.5): aquele túmulo representava o fim de um projeto de vida; representava a esperança frustrada, um lugar para chorar e lamentar a perda, a saudade, a tristeza.

 

A figura do jovem vestido de branco (v.5), que estava assentado dentro e ao lado direito do túmulo, representava um encorajador da fé e esperança daquelas mulheres, um anjo anunciador de boas novas, alguém que ali estava, da parte de Deus.

 

E a figura das “mulheres surpreendidas e atemorizadas”: “surpreendidas e atemorizadas” são expressões que descrevem a condição daquelas mulheres diante de uma nova realidade. Elas eram seguidoras de Jesus e foram surpreendidas pela transformação da realidade que estavam vivendo naqueles dias e naquela manhã de Domingo.

 

O grande obstáculo que as separava do seu Mestre e Senhor, já não estava mais no lugar – “a pedra já estava removida” ou revelada; o túmulo que encerrava todo um projeto de vida agora estava vazio.

 

“Pedra removida” e “túmulo vazio” são novas figuras que surgiram no caminho e na história daquelas mulheres. A pedra já não estava mais lá; o túmulo já não encerrava mais a esperança que elas nutriram na caminhada de vida que elas tiveram com Jesus e os demais discípulos. Elas estavam “surpreendidas e atemorizadas” porque ainda não tinham assimilado o significado daquele acontecimento. Estavam paralisadas de surpresa, de medo, de assombro.

 

Se antes elas lidavam com a morte e o sepultamento de Jesus e do seu projeto de vida, agora, tinham de lidar com uma ausência: não tinham mais nem o corpo do Senhor.

 

 

Mas, aconteceu que, diante da novidade que causou surpresa e temor naquelas mulheres, naquela manhã de Domingo, o jovem vestido de branco tinha uma mensagem de encorajamento e testemunho que orientava para a continuidade do discipulado. Ele disse: “Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galileia; lá o vereis como ele vos disse” (6,7).

 

 

É fato que as palavras de encorajamento e orientação daquele anjo, com o testemunho da ressurreição, não foram assimiladas e não mudaram a condição de medo e assombro das mulheres, ao ponto do evangelista Marcos dizer: “E, saindo elas, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e de assombro; e, de medo, nada disseram a ninguém” (v.8). Mais à frente, o evangelista retoma e diz que quando Jesus apareceu a Maria Madalena, “partindo ela, foi anunciá-lo àqueles que, tendo sido companheiros de Jesus, se achavam tristes e choravam” (v.10).

 

 

Os discípulos de Jesus não acreditaram no testemunho de Maria Madalena (v.11), nem no testemunho dos dois discípulos que encontraram Jesus no caminho do Campo (v.12, 13). Tanto que, mais à frente diz que “Jesus apareceu aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado. E disse: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer, será condenado” (v.14-16).

 

 Irmãos e Irmãs, embora a surpresa e o medo das mulheres, embora a incredulidade dos discípulos e discípulas, aquela manhã de Domingo foi extraordinária.

 

 

Sobre os três conceitos chaves na leitura do evangelho de Marcos, apontados pelo Professor Paulo Garcia e mencionados no início, eles são retomados nesta narrativa, como que em um fechamento:

 

✓ O discipulado como seguimento de Jesus é reafirmado aqui – “ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galileia; lá o vereis” (v.7);

 

✓ A vitória sobre medo, inclusive da morte, e a manutenção da fé – “Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado, não está mais aqui;

 

✓ E o rompimento o segredo e a revelação do Cristo, agora ressuscitado, é reafirmado na figura da pedra removida, do túmulo vazio, do anjo encorajador e no testemunho de Maria Madalena.

 

 

Jesus ressuscitou! E esse tema é muito caro para a nossa fé. A morte e a ressurreição de Jesus são temas centrais, tanto no ministério dos apóstolos como no ministério da Igreja em todos os tempos.

 

Neste sentido, a “pedra removida”, o “túmulo vazio”, o “jovem encorajador” e as “mulheres surpreendidas e atemorizadas”, têm muito a nos dizer no dia de hoje e nos tempos sombrios que estamos vivenciando: tempos de escassez de recursos e de oportunidades, tempos de injustiça, de ameaças, de retrocesso e perda de direitos que foram conquistados com muita luta.

 

Aquela pedra removida, aquele túmulo vazio e aquele jovem encorajador, fizeram brotar novos pensamentos, novas possibilidades. Alguma coisa maravilhosa estava acontecendo lá. Pode acontecer aqui também. Nós também podemos ter esperança.

 

Assim como aquele Domingo, que parecia representar mais uma perda para aquelas pessoas que tinham vivenciado dias tão terríveis, mostrou-se como o início de uma volta por cima, uma transformação do choro e tristeza em alegria e testemunho para mudar o mundo, nós também podemos ter esperança ao ouvir a voz daquele jovem que disse: “Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou” (v.6); ao ouvir o testemunho de Maria Madalena, que deve ter chegado para os discípulos e dito: Ele pediu para dizer que “vai adiante de vós para a Galileia; lá o vereis como ele vos disse”; e mais, ela deve ter dito: “Pedro, você também”.

 

Se tem alguma pedra no seu caminho, se tem algum túmulo marcando o encerramento de algum projeto importante na sua vida, na sua caminhada, a mensagem da Ressurreição de Jesus, além de representar a vitória dele sobre a morte, anuncia e fundamenta a nossa vitória sobre a morte, sobre o medo, sobre a tristeza; representa a superação do obstáculo, o surgimento da esperança, o nascimento da nova Vida.

 

Sim, há esperança para a Mãe e o Pai que oram pelo filho ou filha enfermo ou enferma, ou desencaminhado/a; para a esposa ou esposo que ora pelo seu cônjuge; para a pessoa que está endividada; para o Pai e a Mãe de família que precisam suprir as necessidades de sua casa.

 

Há esperança!

 

Mais ainda, Irmãs e Irmãos: assim como aquelas mulheres, temos um grande testemunho para dar ao mundo, mesmo que não acreditem em nós. Vamos dizer ao mundo que Jesus está vivo, que ele nos encontrou no caminho de nossa existência, que a pedra foi removida, que o túmulo ficou vazio. Vamos dizer à pessoa ferida que Jesus está vivo e se importa...

 

Que ao participarmos da Santa Ceia o tema da ressurreição e as suas implicações estejam bem vivos dentro de nós, no testemunho de nossa fé.

 

 

Prédica: Pr. Jonadab Domingues de Almeida

Foto: Isabelle de Freitas

Culto Comunitário: 28/03

 

 

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