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Para sempre, presente: uma homenagem pelo Dia dos Pais

31/07/2013 13h45 - última modificação 31/07/2013 13h51

Paulo Roberto Salles Garcia


Este é o primeiro “Dia dos Pais” sem o meu pai. Não é fácil! Passados oito meses de sua partida, um misto de saudade, dor, tristeza e vazio tem invadido o meu coração. E acho que esse sentimento vai estar comigo para sempre. É como se um pedaço de mim fosse arrancado, como diz um poeta. Às vezes me vejo pensando se é verdade mesmo que ele já não está mais conosco. Ah, pai, como o senhor me (nos) faz muita falta!

Por outro lado, um conforto e um consolo – que só podem vir de Deus – tomam conta de mim: estou certo de que ele está nos braços do Pai. Mas há outra razão por que me sinto assim: a sua vida e o seu exemplo, os quais foram e são inspiração para a minha vida, a vida da minha mãe, do meu irmão, do neto, das netas, das noras e dos parentes – e de todos quantos tiveram a felicidade de conviver com ele.

Para começar, o cuidado com a família. As lembranças incluem viagens – como ele gostava de viajar! – e passeios, nos quais a alegria de estar com esposa e filhos era visível, assim como a oportunidade de contar “causos” de sua vida de estudante, de seminarista e de pastor tornava o ambiente sempre agradável e divertido. Não dá para esquecer também os momentos em que a preocupação com a saúde o levava, ainda de madrugada, a enfrentar filas nos postos de saúde ou em consultórios médicos a fim de garantir que os filhos e a esposa fossem atendidos.

Sua preocupação alcançava até mesmo os momentos mais significativos da vida de um pastor – ah, esqueci de dizer que meu pai era pastor –, quando se defrontava com as constantes mudanças de igreja/cidade: como ficarão os filhos, como ficará a esposa nesse novo lugar para onde Deus estava levando-os a servir?

No ministério pastoral – que ocorria dentro e fora da igreja –, o cuidado com as pessoas sempre foi marcante. Lembro-me que, quando chegávamos a uma nova cidade, uma das primeiras providências era se apresentar à vizinhança, colocando-se à disposição para ajudar no que fosse preciso. Em algumas vezes, preparava ele mesmo cartões de Natal os quais eram entregues de casa em casa com os cumprimentos dele e da família. Na tragédia ocorrida em 2011 em Nova Friburgo, cidade serrana do estado do Rio onde ele escolheu para morar com a minha mãe, quando presenciou a morte de vizinhos, lá estava ele, oferecendo ajuda e conforto aos que perderam parentes, casas, etc.

Pelas igrejas por onde passou, as marcas sempre foram as da disciplina, da seriedade, da fidelidade ao Evangelho e da lealdade às doutrinas metodistas. Ah, as do amor e do cuidado com as ovelhas também. Nisso ele era incansável! Não lhe faltava alegria para visitar as famílias; sobrava-lhe determinação nas idas a hospitais para oferecer uma palavra de ânimo e orar com/pelas pessoas; não via qualquer dificuldade – e ele era exigente consigo mesmo nessa tarefa – de ministrar a Santa Ceia em casas de pessoas doentes ou idosas, impossibilitadas de estar na igreja; era evidente seu entusiasmo nas construções e reformas das igrejas, em que ele se misturava a serventes, carpinteiros, pedreiros para ajudar e incentivar os profissionais e também os voluntários que ali abraçavam o mesmo objetivo. Nesses momentos, não lhe faltava a disposição de pregar o Evangelho.

Aliás, isto era o que mais gostava de fazer: anunciar a palavra de Deus e o amor dEle por todas as pessoas. E Deus deu a ele a oportunidade de ser essa sua última “ação pastoral”. O pai – há quem o chamasse de “pastor Nilton”, “reverendo Nilton”, “seu Nilton” ou simplesmente “Nilton” – não conseguiu esconder o contentamento pelo convite que recebera de ser o pregador do culto de bodas de ouro de um casal da igreja luterana em Nova Friburgo – igreja que carinhosamente o acolheu (e à minha mãe) nos últimos anos naquela cidade.

O sermão foi preparado com o capricho de um artesão, que escolhe peça por peça aquelas que melhor se encaixam para a obra ficar a mais bonita de todas. Foi com esse zelo que compartilhou a mensagem de Deus. Após proferi-la com o entusiasmo que os 82 anos recém-completados permitiam, se sentiu mal e depois de prontamente amparado pelas lideranças daquela comunidade religiosa foi levado ao hospital, onde constatou-se um enfarte, seguido de complicações de um quadro de saúde já relativamente debilitado. Houve por bem que Deus o livrasse de um quadro, grave de sequelas e o abraçou para Si.

É, pai, o senhor foi um grande exemplo e louvo a Deus por sua vida! Aliás, falar do senhor também é uma forma de homenagear outros pais neste Dia dos Pais, pelos exemplos que são para a família e para comunidade da qual fazem parte. Ah, antes que eu me esqueça: te amo (amamos), pai!

Extraído do jornal Expositor Cristão, edição de agosto de 2013

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