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Para refletir sobre a tragédia de Realengo com um compromisso de mudança

08/04/2011 13h20 - última modificação 08/04/2011 13h19

O dia 7 de abril de 2011 será sempre lembrado como o dia de uma tragédia inédita, inimaginável mesmo para um país que sofre o cotidiano da violência urbana e rural. Um jovem de 23 anos invade uma escola municipal do Rio de Janeiro, dispara mais de 100 tiros e mata 12 crianças, deixando várias feridas gravemente. O atirador deixa uma “carta-testamento” que denota um fanatismo de cunho moralista (“os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos “), uma dor profunda em todo o país e um sentimento de perplexidade: como isso foi possível?


Muitas explicações estão surgindo nas horas que se seguem à tragédia. Agora é momento do apoio solidário, da oração, de chorar junto. O pastor metodista de Realengo, Isaías Adão da Silva, já se dispôs a visitar parentes enlutados.  Filas se formaram à frente do Hemorio para a doação de sangue. Deus se faz presente na dor.


Mas é preciso também uma ação persistente de organizações do poder público e de entidades civis no sentido de tratar uma sociedade que produz tamanha doença. Mais do que nunca, as igrejas são chamadas a serem sal e luz.

Existem iniciativas de paz que pedem o apoio da Igreja. O esforço pelo desarmamento é uma delas. Em 2005, um plebiscito impediu que o Estatuto do Desarmamento entrasse em vigor. Mas a campanha pelo desarmamento não acabou.


Leia a seguir duas matérias recentes publicadas pelo site do movimento Viva Rio  (www.vivario.org.br), uma das ONGs brasileiras que trabalham pela construção da paz. São iniciativas inspiradoras para aqueles e aquelas que são chamados a anunciar Boas Novas.

Suzel Tunes


Cultura de Paz é tema de seminário 
 

Praticar e promover “a boniteza da vida” é um dos desafios da Viva Comunidade
 
No dia 24 de março, mais de 100 pessoas se reuniram no seminário “Cultura de Paz: A Boniteza da Vida”, que promoveu uma reflexão sobre a cultura de paz e a prevenção da violência, além de sensibilizar os profissionais de unidades de saúde e comunidades para o projeto Unidades e Comunidades Promotoras da Paz, da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil/Promoção de Saúde (SMSDC). Organizado pela Viva Comunidade em parceria com a SMSDC e com apoio do Ministério da Saúde, o evento contou com a participação do teólogo, escritor e professor Leonardo Boff.
 
A proposta do projeto Unidades de Saúde e Comunidades Promotoras de Solidariedade, que busca valorizar e fortalecer as iniciativas de promoção da solidariedade e da cultura de paz, além de integrar e promover o entrosamento dos profissionais de saúde com a comunidade, foi o fio condutor de todas as apresentações e debates do seminário. De acordo com Francisco Potiguara, organizador do evento e coordenador de gestão de projetos da Viva Comunidade, a ideia central do evento foi apresentar ações que já acontecem e fazer as conexões necessárias para que em todas as unidades de Saúde da Família possam ser implementadas ações mais qualificadas e humanizadas.
 
Em sua conferência, Leonardo Boff lembrou que a agressividade do ser humano está relacionada ao medo.  “O medo está na origem da agressão. Em uma das últimas cartas de Freud ele disse que talvez se as pessoas cuidassem umas das outras não haveria motivo para ter medo, destruindo assim o principal motivo causador da violência”, disse. Ele acrescentou que, ao falar de cultura de paz, devemos pensar no cuidado como paradigma, pois é ele o gerador fundamental da paz.  “Foi importante ver aqui como vocês abordam o cuidado, porque ele liga de forma natural a paz e a saúde, pois somos filhos e filhas do cuidado”.
 
Leonardo Boff alertou também que para falarmos de paz, temos que ser totalmente contrários à guerra, porque toda guerra é perversa e peca contra o mandamento da preservação da vida. Para ele, a humanidade chegou a um nível de violência em que o ser humano não confia mais no próprio ser humano. “Nós somos a junção de energias distintas, somos ao mesmo tempo inteligentes e raivosos e, como diria Freud, não é possível dominar totalmente as dimensões destrutivas do ser humano”, disse. Para Boff, é possível uma mudança de pensamento na medida em que se leva em consideração a convivência com o outro. “Sonho com uma sociedade em que todos estejam desfrutando da generosidade da mãe Terra. Nós vamos chegar lá, o cenário atual é de uma crise que pode ser mudada”, disse, confiante.
 
Campanha de desarmamento será permanente

Foi dada a largada para a Campanha Nacional de Entrega Voluntária de Armas e Munições (Cevam). Nos dias 25 e 26 de março, o Ministério da Justiça, em parceria com a Rede Desarma Brasil, o Viva Comunidade e a Polícia Federal, iniciou uma Caravana Nacional pelo Desarmamento que vai percorrer várias capitais do país para a organização da campanha. O pontapé inicial foi em Vitória, no Espírito Santo.


A partir deste ano, a campanha terá caráter permanente e será realizada sempre no mês de julho. Segundo Antonio Rangel Bandeira, que faz parte da Coordenação Nacional da Cevam, o objetivo da caravana é mobilizar as lideranças e a população locais e formar comitês pelo desarmamento, que ficarão responsáveis pela organização da campanha em cada estado e pela preparação e abertura de postos para recebimento voluntário de armas e munições.


Durante o lançamento do Fórum Capixaba pelo Desarmamento - comitê de desarmamento do Espírito Santo -, o secretário de Segurança e Defesa Social do estado, Henrique Herkenhoff, afirmou que o governo está comprometido com o desarmamento voluntário e com a apreenção de armas ilegais, e que dará todo apoio e estrutura para implementar a campanha.


Segundo Antonio Rangel Bandeira e Almir Laureano – que também é da Coordenação Nacional -, o Espírito Santo foi escolhido para dar início à caravana por ser um dos estados com os mais altos índices de violência armada do país e em que as autoridades de segurança pública têm trabalhado em sintonia com a sociedade civil organizada para enfrentar a questão.
 
A Campanha Nacional de Desarmamento, que aconteceu entre julho de 2004 e outubro de 2005, recolheu cerca de 500 mil armas de fogo. Segundo o relatório "Vidas poupadas – O Impacto do Desarmamento no Brasil", da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a diminuição do número de armas em circulação no Brasil depois da campanha fez com que mais de cinco mil vidas fossem poupadas.


O número corresponde a uma redução de 15,2% no número de mortes por armas de fogo em 2004 em relação ao ano anterior. O relatório foi feito a partir de análise dos dados da pesquisa "Impacto da campanha do desarmamento no índice nacional de mortalidade por arma de fogo", do Ministério da Saúde.

 

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