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Nem mocinhos, nem bandidos: Diálogo Comunitário aborda conflito Israel-Palestina

10/03/2010 17h25 - última modificação 28/05/2010 19h42

Quando as palavras “Palestina” e “Israel” estão juntas em uma mesma notícia, é muito provável que uma terceira palavra as acompanhe: conflito. Existem, porém, novas palavras florescendo no Oriente Médio, a partir do diálogo promovido por lideranças religiosas de todo o mundo, sobre as quais, lamentavelmente, pouco ou nada sabemos.

Foi para trazer informações e proporcionar a reflexão sobre o tema que a Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo trouxe à sua tradicional atividade Diálogo Comunitário , promovida pelo Programa de Extensão, dois representantes dos esforços de paz entre Israel e Palestina: Michel Nseir, membro da Igreja Ortodoxa Antioquina, e Manuel Quintero Pérez, membro da Igreja Presbiteriana Reformada, ambos representantes do Conselho Mundial de Igrejas, CMI. Eles estiveram na Faculdade de Teologia no dia 23 de março para dois momentos de diálogo com a comunidade acadêmica e convidados(as), de manhã (9h30) e à noite (19h30), sob o tema: Diálogo para a Paz: ações para superar o conflito em Palestina e Israel.


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Michel Nseir (foto acima) atua como executivo de programa do Fórum Ecumênico Palestina-Israel, uma plataforma criada pelo CMI em 2007 para coordenar as iniciativas das igrejas em favor da paz. Nascido no Líbano e formado em teologia, ele trabalha na sede do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra. Em sua palestra, ele falou da situação das igrejas cristãs que existem na região desde que surgiram os primeiros seguidores de Jesus. São igrejas que, espalhadas por Israel, Líbano, Síria, Jordânia, Egito e Iraque aprenderam a conviver num contexto multirreligioso e multicultural.

Hoje, os cristãos palestinos são marginalizados sob o rótulo de "terroristas" que a mídia internacional ajudou a criar, especialmente após o 11 de Setembro. "Vivem uma situação de desespero, pois todas as tentativas de negociação falharam até agora. No entanto, eles ainda pronunciam uma palavra de fé, amor e esperança, em um documento chamado Kairós Palestina", diz Michel. Neste documento, eles falam da dura vida sob a ocupação israelense:

Nosotros, un grupo de palestinos cristianos, después de haber rezado, reflexionado e intercambiado opiniones delante de Dios sobre la prueba que vivimos sobre nuestra tierra, bajo ocupación israelí, hacemos oír hoy nuestro grito, un grito de esperanza en ausencia de toda esperanza, unido a nuestro ruego y nuestra fe en Dios que vela, en su Divina Providencia, sobre todos los habitantes de esta tierra. Movidos por el misterio del amor de Dios por todos y de aquel de su presencia divina en la historia de los pueblos y, más particularmente, en esta nuestra tierra, queremos decir hoy nuestra palabra como cristianos y como palestinos, una palabra de fe, de esperanza y de amor. (veja abaixo, no item Mais informações, o documento na íntegra, em espanhol)


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Manuel Quintero (acima, o primeiro da esquerda para a direita) é coordenador internacional do Programa Ecumênico de Acompanhamento à Palestina e Israel (EAPPI, da sigla em inglês), uma iniciativa do CMI que tem como objetivo apoiar os esforços locais e internacionais para por fim à ocupação israelense, com base nas resoluções da Organização das Nações Unidas. Cubano, formado em Comunicação Social, Quintero foi diretor de comunicações do Conselho Latinoamericano de Igrejas, CLAI.

Ele explicou que o programa EAPPI recebe voluntários do mundo todo. Eles monitoram e informam sobre a violação de direitos humanos e as leis humanitárias internacionais. Uma das tarefas destes voluntários é acompanhar os palestinos que passam pelos postos de controle todas as vezes em que, para ir de uma cidade palestina a outra, são obrigados a ingressar em terra israelense (as áreas palestinas vistas no mapa, parecem pequenas ilhas em meio ao solo israelense, observe na foto). Os voluntários chegam até mesmo a acompanhar crianças palestinas que vão a escola e sentem medo de passar pelos postos de controle, onde costumam ser hostilizadas pelos colonos israelenses.

"Não há mocinhos nem bandidos. Todos sofrem", diz Quintero, que faz questão de lembrar que o Conselho Mundial de Igrejas não está tomando partido de nenhum grupo, mas buscando a paz. É também o que afirma o Código de Conduta do Programa Ecumênico de Acompanhamento à Palestina e Israel, o EAPPI: “Não tomamos partido neste conflito e não discriminamos ninguém, porém, não somos neutros quanto aos princípios dos direitos humanos e do direito humanitário internacional. Estamos fielmente com os pobres, os oprimidos e os marginalizados. Queremos servir a todas as partes, de maneira justa e imparcial, em palavras e ações”.

“Nossas metas baseiam-se na convicção de que a ocupação é prejudicial não apenas para os palestinos, mas também para os israelenses, e derivam de nossa preocupação pelo sofrimento que experimentam ambos os povos. O programa demonstra nossa solidariedade com as pessoas de ambos os lados deste conflito que se esforçam de maneira não violenta para por fim à ocupação e alcançar uma paz justa”, diz o site do EAPPI.

A partir do diálogo do EAPPI com igrejas cristãs da América Latina, o EAPPI abrirá vagas para voluntários latinoamericanos. Para participar do programa, os voluntários terão que passar por um treinamento que inclui conhecimentos históricos e geográficos da região, direito internacional e técnicas de "não violência".

Fotos: Luciana de Santana


Mais informações:

http://www.eappi.org - site do Ecumenical Accompaniment Programme in Palestine and Israel (EAPPI)

http://www.oikoumene.org/gr/programmes/public-witness-addressing-power-affirming-peace/churches-in-the-middle-east/pief/pief-home.html - site do Palestine Israel Ecumenical Fórum

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